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rss  Vol. XVII - Nº 299         Montreal, QC, Canadá - domingo, 23 de Fevereiro de 2020
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Recital dos Irmãos Costa

Interpretações magistrais!

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

O recital teve lugar na semana passada, na noite de quarta-feira, quando a cidade se fez acolher pelo primeiro lençol branco deste inverno, na zona leste da rua Sherbrooke, a uma centena de portas do boulevard Saint-Laurent, mais propriamente na Capela Histórica do Bom Pastor onde há exatamente vinte e cinco anos funciona a Casa da Música da Câmara Municipal cuja administração, no tempo da parelha Zambito-Tremblay, tinha decidido por trancas à porta sob pretexto de economizar uns tostões no orçamento camarário carcomido em milhões de dólares pela ganância de corruptos funcionários e o beneplácito e proveito de administradores e vereadores vendidos a alguns tubarões das obras públicas. Não fora a espontânea reação dos melómanos e habitués daquele lugar mítico da música clássica, onde se têm produzido centenas de exímios executantes, alguns vindos de bem longe, não fora a vigorosa iniciativa de abaixo-assinados e demonstrações públicas em favor dum tal templo da arte musical, hoje teríamos sido privados da atuação dos irmãos Costa, que naquela noite gélida aqueceram a alma dos presentes com interpretações magistrais, para piano e violoncelo, de Joly Braga Santos a Johannes Brahms, passando por Frédéric Chopin e Robert Schumann, nas condições acústicas e na intimidade duma sala impar pela proximidade que ela oferece entre executantes e ouvintes, como eles próprios tiveram a ocasião de apreciar e do no-lo confirmar.

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Luís Costa, ao piano, e Fernando Costa, ao violoncelo, em plena actuação.
Foto  - LusoPresse

Como em anos anteriores, esta visita de músicos portugueses às comunidades portuguesas do Canadá (Toronto, Otava e Montreal), ficou a dever-se à iniciativa da Embaixada de Portugal neste país, com o patrocínio do Instituto Camões (Camões, I.P. como bastardamente agora se designa) e com o apoio, em Montreal, do Consulado-Geral, que se fez representar pelos dois habituais e dedicados funcionários e pelo próprio cônsul que naquela altura confirmou que este vai ser o seu último ano nestas andanças, visto ter entrado na etapa derradeira do seu quinquénio entre nós.

Os irmãos Costa, embora nascidos no mesmo lugar, na mesma data e à mesma hora, em 1991, do útero da mesma mãe, como se lê numa nota biográfica, não são verdadeiramente irmãos gémeos, visto que apesar de terem alguns ares de semelhança, são bastante diferentes quer na altura física e no porte como também nas preferências instrumentais e no percurso académico. Um é pianista, o outro violoncelista. Fernando Costa, o do violoncelo, começou a estudar com afinco e sem interrupção desde os sete anos.

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Foto  - LusoPresse

O pianista, Luís Costa, andou algo perdido entre a idade dos 8 aos 17, altura em que definitivamente se decidiu pelas brancas e pretas do piano. Mas são realmente gémeos pela conivência artística e pela coordenação do seu dueto. São ainda bastante jovens mas já contam com um bom palmarés de prémios, bolsas de estudo e êxitos junto dos amadores, sobretudo de música de câmara, não só em Portugal como no estrangeiro, desde a África do Sul à China, passando, como desta feita, pelo Canadá.

A plateia, como em anos anteriores, estava repleta, com gente até sentada nos degraus da escada, e foi bastante acalorada nos aplausos nunca regateados. Havia uma boa percentagem de portugueses na sala, muito embora aquém do que se podia e devia esperar, brilhando, como de costume, pela sua ausência, muitos daqueles que não regateiam dezenas de dólares para ouvir os intérpretes da pimba lusitana que de vez em quando aqui arribam.

Música
O recital teve lugar na semana passada, na noite de quarta-feira, quando a cidade se fez acolher pelo primeiro lençol branco deste inverno, na zona leste da rua Sherbrooke, a uma centena de portas do boulevard Saint-Laurent, mais propriamente na Capela Histórica do Bom Pastor onde há exatamente vinte e cinco anos funciona a Casa da Música da Câmara Municipal cuja administração, no tempo da parelha Zambito-Tremblay, tinha decidido por trancas à porta sob pretexto de economizar uns tostões no orçamento camarário carcomido em milhões de dólares pela ganância de corruptos funcionários e o beneplácito e proveito de administradores e vereadores vendidos a alguns tubarões das obras públicas. =
Recital dos Irmaos Costa.doc
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