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rss  Vol. XVII - Nº 299         Montreal, QC, Canadá - domingo, 23 de Fevereiro de 2020
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Quando o Canadá é guiado por um timoneiro

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Desde quando um governo que se diz democrata amordaça ministérios e funcionários, impondo censura à liberdade de expressão?

Quem acompanhar o comportamento do não respeito pela democracia do Sr. primeiro-ministro do Canadá, facilmente se dá conta dos poucos exemplos  de democracia do Sr. Harper quando acusa  outros países de ditaduras, não se vendo ele mesmo  ao espelho! Decerto que isto passa despercebido para quem não está interessado em seguir os contornos da democracia deste governo, em qualquer domínio que esta se aplique.

Quem tem que dar o exemplo aos cidadãos canadianos de democracia senão o Parlamento Canadiano?

Vejamos o que diz a Sra. Comissária Federal sobre o acesso à informação do governo, demonstrando o seguinte: «este regime está sobre o ponto de implorar» do não  acesso à divulgação da informação, provocando um aumento de queixas desde o mês de abril. Decerto que o Sr. Harper (mesmo se o reino da Opus Dei lho permitisse!) nunca pediria perdão ao Parlamento, porque o Sr. Harper teria sido mandatado por Deus para nos guiar. Será que a força divina lhe vem da Espanha fascista do generalíssimo Franco em nome de José Maria Escrivã de Balaguer, e dos doutores José Morais? E desde quando é que o sofrimento e a pobreza não têm nada a ver com democracia política, mas apenas com os doutores  José Marias deste mundo que sofrem por nós, nos reinos dos céus? Apesar de tudo a ideologia integrista conservadora deste governo ou qualquer ideologia, religiosa ou política, só deixa de ser perigosa quando não seja fundamentalista e não dê ordens!

Mas voltemos à realidade que está mais perto de nós, que são  conceitos de democracia, de igualdade, do social, e da liberdade de expressão; porque estes fazem parte do nosso reino, mesmo se no reino da prepotência e mediocridade, cada um toma a água benta que quer!   

O Sr. primeiro-ministro tem um conceito muito dele, daquilo que  deviam ser os valores democráticos e éticos, que nada tem a ver com os seus «Valores seguros» que não  respeitam a democracia parlamentar e os cidadãos canadianos. E que dizer das reservas das nações autóctones dos povos do Canadá?

Para além do conceito do não respeito pela democracia parlamentar o  Sr. primeiro-ministro do Canadá manda pastar a Cimeira dos Chefes de Estado que participarão este mês na reunião do Commonwealth, onde o  Sri Lanka é o País de honra desta cimeira. O Sr. Harper esquiva-se também  do palco das nações mundiais em Nova Iorque (mesmo se ele se encontrava aí ao lado, talvez a tratar de negócios?). Que exemplo de democracia e de diplomacia é este?  

O que o primeiro-ministro não pôde evitar foi o agente enviado das Nações Unidas Sr. James Anay, que vem relembrar os «valores seguros» ao Sr. Harper que são as condições de habitação em que vivem estes povos. Quanto aos valores seguros do Sr. Harper, estes são apenas valores  da sua lavra de gestão financeira de apertar o cinto aos mais pobres, apoiado na injustiça social com glória militar e explorações militares.

A democracia de direito deste governo é de passar através das regras da representação com um projeto de lei orçamental «ónibus» que facilitaria a nomeação do juiz Marc Nadon, evitando assim a lei da Constituição Canadiana que implica uma representação de todas as províncias para mudar a lei constitucional! Ora essa democracia é a que interessa ao primeiro-ministro, e então tenta empurrá-lo para o Tribunal Supremo do Canadá, esperando que este seu pião juiz Marc Nadon passe o texto!

No que diz respeito à cultura, o governo conservador corta aqui 40 milhões, injetando outros milhões naquilo a que o seu governo chama Centro de Segurança Telecom Canadá (CSTC). Ora com a NASA do país vizinho «Big Brother» para que diabo  serve o despesismo de tal segurança canadiana?

Depois de sete anos do poder conservador no governo, quem pode acreditar nas promessas de muitos dos políticos de hoje que não se cansam de mentir ao povo?

Mas o povo muitas das vezes é cúmplice, porque curto de memória, continua a votar neles, não distinguindo durante as eleições, o trigo do joio! Para as massas não há diferenças. Vejam bem! O Sr. Harper nomeou  três senadores, M. Duffy, P. Brazeau e  P. Walllin, agora não sabendo como descalçar a bota, para não ficar mal no retrato, não aparece no Parlamento para prestar contas da democracia, trocando-a  por Bruxelas...

É verdade que ali não corre o risco de ter que enfrentar a democracia, ele e o Sr. Barroso podem assim falar de «valores seguros» das finanças!

Diz-nos Alexis Tocqueville que: «A sociedade democrática aparece como uma sociedade onde as posições sociais são constantemente redistribuídas» e a «igualdade sem liberdade (sem acesso a informação) não é em nenhum caso satisfatória».

Ref.: »Jornal «Le Devoir»,  2/3/13 -16-17-23-outubro-2013.

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