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rss  Vol. XVII - Nº 299         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
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O zumba açoriano

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

O zumba está na moda em toda a parte.

É uma modalidade desportiva de fitness, mesclada de ritmos latinos e estilos internacionais, com muita coreografia e muita transpiração, mas há quem fique com o corpo sempre na mesma.

É tal e qual a política de turismo na nossa região.

Não falta rapaziada nova envolvida nos organismos oficiais do turismo açoriano, cheios de atividade, estilo e muita coreografia... mas os resultados são os que se conhecem.

Um avião da SATA não é suficiente para albergar esta gente toda a caminho dos inúmeros fóruns, certames, seminários, conferências, feiras, que frequentam amiúde.

Há quem aposte que viajam mais do que os turistas que nos visitam.

Muitos deles acreditam mesmo que uma festarola notívaga numa discoteca lisboeta, com tudo pago, e mais umas vaquinhas no Rossio, é meio caminho andado para atrair os turistas continentais.

O turismo açoriano está tão encalhado como o Atlântida encomendado pela Atlanticoline.

Como é possível o setor estar a crescer em todo o mundo e a morrer nos Açores?

No ano passado bateu-se o recorde mundial ao atingir-se os mil milhões de turistas, com crescimentos nas Américas, na Europa, na Ásia-Pacífico e até África. Cresceu em Portugal Continental. Porque razão anda a diminuir nos Açores desde 2008?

É claro que o problema são os transportes. A SATA andou nestes últimos anos a estrangular todo o setor.

Mas não é só.

É também o amadorismo dos organismos oficiais na promoção, muita incompetência e muita gente nova sem experiência nenhuma no setor.

O operador açoriano Rodrigo Rodrigues, que conhece bem o nosso meio e o Continente, onde trabalhou até há pouco tempo, disse-o na semana passada – e muito bem – com todas as letras que muitos operadores dizem à boca cheia entre si, mas com medo de declarar publicamente: «(...) temos falhado na estratégia por falta de consistência e falta de visão (…) sim, os transportes aéreos falharam (…) a vinda de «low cost» será sempre positiva (…) a SATA tem uma estrutura totalmente profissional, do ponto de vista dos encargos financeiros e de pessoal, mas que não atua com profissionalismo (...)».

Em meia dúzia de palavras o especialista fez o diagnóstico.

Eu também não percebo porque se fala agora, outra vez, na encomenda de um estudo sobre o setor.

Pela alma de S. Francisco Xavier (Padroeiro do Turismo), mais um estudo?

Eu já perdi a conta ao número de estudos que se fez sobre o turismo nos Açores.

A euforia do crescimento turístico nesta região, em 2007, foi tão grande, que deu lugar ao deslumbramento, produzindo-se no ano seguinte o estudo mais irracional e irrealista que se fez até hoje nos Açores: o POTRAA.

O Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores previa taxas de crescimento anuais de 7% e um aumento de camas para 15 mil!

Não passámos das 8 mil e, no mesmo ano em que o documento foi apresentado, em cerimónia pomposa, a taxa do turismo baixou 5% e, em 2009, mergulhou para os 11%.

Depois, produziu-se o Plano de Marketing Estratégico, que promovia a «Marca Açores», de que nunca mais se ouviu falar, e, ainda, o célebre «Plano de Promoção Turística», em 2010, que esfarelou 30 milhões de euros em promoções delirantes, como sites na internet que não funcionavam ou publicidade em táxis de Londres...

Isto sem contar com a catadupa de estudos que o Observatório de Turismo dos Açores foi produzindo.

Meus senhores: hoje está tudo estudado. Precisamos é de ação!

Vejam o que diz a Diretora do melhor hotel design da Europa e, provavelmente, do mundo: «No lado do transporte aéreo funcionam perfeitamente as regras da oferta e da procura e o preço oscila baseado em três variáveis: oscilação da procura, disponibilidade da oferta e momento de compra (…) Este modelo liberal (em conjugação com os hotéis) tem crescido fortemente com o crescimento da internet e proliferação das redes sociais (...)».

Quem o diz é Teresa Gonçalves, Diretora do The Vine, na Madeira.

É claro que o zumba na Madeira, mesmo com turismo massivo, é outra música.

Cá, é zumba na caneca...

Crónica
É uma modalidade desportiva de fitness, mesclada de ritmos latinos e estilos internacionais, com muita coreografia e muita transpiração, mas há quem fique com o corpo sempre na mesma.
O zumba acoriano.doc
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