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rss  Vol. XVII - Nº 299         Montreal, QC, Canadá - domingo, 23 de Fevereiro de 2020
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Editorial

Jornalismo e política

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Antigamente dizia-se que a carreira de advogado era a chave que abria todas as portas, hoje é a de jornalista.

O exemplo mais recente foi a nomeação do repórter de Rádio-Canadá, Philippe Schnobb, que foi candidato (derrotado) no último plebiscito municipal pela «Equipa de Denis Coderre para Montreal», e que foi agora nomeado para presidir o Conselho de Administração da Sociedade de Transportes de Montreal (STM). Trata-se de um posto de alta responsabilidade no seio da administração municipal, que engloba toda a rede de transportes da grande área metropolitana, com um orçamento de cerca de mil milhões de dólares a gerir.

A questão que se põe é de saber se o novo presidente tem as competências necessárias para ocupar um tal posto. A página de Rádio-Canadá, onde ainda consta como fazendo parte dos seus quadros, dá-nos conta duma curta nota biográfica deste jornalista, da qual salienta que Philippe Schnobb estudou em teatro e fez estudos universitários em Otava, Edmonton e Montreal, mas não explicita quais.

Provavelmente que o seu principal feito de armas tenha sido o de ser jornalista dedicado à atualidade municipal e, nesta qualidade, ter posto a descoberto o sistema de fraudes eleitorais na circunscrição de Anjou durante as eleições de 1998. Fora disso, pouco mais deu que falar, não fora a reportagem (de gosto duvidoso) da cadeia concorrente, TVA, na qual revelavam que o candidato Schnobb era homossexual.

Mas será um curso em teatro, em jornalismo ou em comunicações, uma base académica suficiente para lhe dar a competência necessária para se pronunciar sobre as grandes linhas da gestão da STM?

Duvidamos, muito embora nos possam argumentar que os atuais ministros do governo Marois, Bernard Drainville, Pierre Duchesne e Jean-François Lisée também tenham sido jornalistas e que o posto de ministro tem, de longe, muito mais responsabilidades que o de presidente do C.A. da STM.

Seja como for, o que há de mais chocante nesta nomeação nem é o facto de o novo presidente da STM ser um ex-jornalista. É o facto de Denis Coderre o ter nomeado, como que a título de compensação pela sua derrota eleitoral em Saint-Jacques. Para quem, durante a campanha eleitoral, apregoava que era preciso fazer-se a política de outra forma, com mais transparência, mais em diapasão com o interesse público, esta nomeação deixa-nos com um certo travo de deceção. Como bem dizia Mélanie Joly, a principal adversária de Coderre naquelas eleições, pouco há a esperar dos velhos políticos tarimbeiros. Esperar que a mesma receita dê novos resultados é sofrer de otimismo agudo.

É verdade que em política tudo é jogo de interesses, de conquistar o poder e de a ele se agarrar. Depois, quando se tem o poder na mão, é questão de ajudar os amigos e promover as alianças que vão dar à próxima vitória. É este o problema da democracia representativa que só pede a benesse dos eleitores todos os quatro ou cinco anos. Os interessados estão muito mais preocupados com o futuro do próximo lustre do que do que com o futuro para além deles. Se assim não fora todas as agências de serviços públicos deviam ser geridas por administradores competentes, selecionados em concursos públicos, e não por nomeações políticas, como foi a de Philippe Schnobb. Há mais exigências para selecionar um candidato a empregado de balcão da SAQ (Société des Alcools du Québec) que para nomear um ministro ou um presidente duma agência governamental. É triste mas é verdade.

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