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rss  Vol. XVII - Nº 297         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
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Para daqui a três anos?

Carlos Ferreira reforma-se...

Norberto Aguiar

Entrevista de Norberto Aguiar

O Ferreira Café tinha acabado de ser distinguido com mais um prémio. Foi o «Wine Spectator» que lhe atribuiu o «Prémio Excelência 2013» por via da sua valiosa «Carta de vinhos». E tem tanto mais valor este galardão se soubermos que esta revista tem um raio de ação internacional, do Canadá aos Estados Unidos, sem esquecer a Europa, etc. De resto, este prémio não é para admirar se nos lembrarmos que o Ferreira Café tem na sua elaborada cave uma imensidão de garrafas de vinho. Vinte mil? Vinte cinco mil? Trinta mil? Estamos em crer que o próprio Carlos Ferreira, quando quer saber a sua verdadeira quantidade, deve «puxar» pelo computador para não se enganar nos números. E tem-nas de vinho tinto ao vinho branco; do rosé ao champanhe... O Vinho do Porto, como não podia deixar de ser, ocupa um lugar muito especial na cave do Ferreira Café. Tudo isto, aliado ao cardápio que apresenta ano após ano, cheio de novidades, mas sempre com qualidade indiscutível – são os especialistas que o dizem! – não admira pois que o Ferreira Café, agora através do «Wine Spetactor», apareça mais uma vez na ribalta da restauração montrealense e quebequense, e isto sem renegar as origens portuguesas do seu principal mentor: o Carlos Ferreira!

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Foto  - LusoPresse

O LusoPresse, posto ao corrente de mais este triunfo gastronómico do importante restaurante português da rue Peel, foi ao encontro do Carlos Ferreira, um homem que começou por ser visionário e que, hoje, é um restaurador perfeitamente realizado. A troca de palavras com ele teve lugar na sala de visitas do belo e famoso restaurante.

«Sinto-me realizado, mas algo cansado. Esta vida é muito exigente. Não quero estar à frente disto até aos meus últimos dias», avança-nos de entrada Carlos Ferreira na resposta a pergunta feita. «Se houvesse quem quisesse comprar o restaurante, eu vendia. Mas isto é um investimento muito alto e não creio que haja quem o queira comprar», diz-nos Carlos Ferreira com uma ponta de seriedade. E logo que o confrontamos, vem outra rápida resposta «Não fazes ideia do que é gerir isto, falando dos três restaurantes que fazem parte do importante grupo que criou, o Ferreira Café, o Vasco da Gama e o F-Bar. São os custos com o pessoal, na ordem dos 35%, da renda, 10%, dos produtos, 38%, sem falar noutro tipo de logística... E ainda não te falei nos impostos que estão sempre a aumentar», complementa com algum azedume. «É, isto está para quem tem tabernas, onde não há grandes despesas, principalmente com pessoal, que em restaurantes como os meus não é nada fácil». E de seguida, «Os lucros estão sempre a descer, também fruto da conjuntura económica da cidade, onde a câmara nada faz para ajudar os comerciantes. Montreal precisa de muitos turistas e os políticos desta cidade não a sabem gerir como deve ser. Assim perdemos todos», afirma.

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Carlos Ferreira fez questão de apresentar ao jornalista do LusoPresse a sua nova «conquista»: João Dias, novo chefe no Ferreira Café.
Foto  - LusoPresse

Expectante, deixámos o Carlos Ferreira desenrolar o fio à sua meada. «Estou investindo em Portugal no ramo do vinho e do azeite. Com 20 hectares de vinha penso poder fazer face às minhas necessidades, ao mesmo tempo que ainda posso vender algum. Quero produzir entre 30 e 60 mil garrafas. Esta decisão tem muito a ver com o acabar com as altas comissões que pago aos intermediários. A outra razão é o amor à terra, que visito cada vez mais frequentemente», diz já com um sorriso nos lábios.

De surpresa em surpresa, o Carlos, que também é José, revela-nos que «vou criar o meu próprio vinho espumante. As coisas já estão em andamento. O método é francês mas com o gosto a ser norte-americano. Fará parte dos meus restaurantes e pô-lo-ei também no mercado», relata com algum orgulho na voz.

Produção de vinho em quantidade, criação do seu próprio vinho espumante, sem esquecer a incursão no mercado do azeite, com quatro hectares para aí virados, foi tempo de perguntarmos ao Carlos: - Com que então, onde está o prazo para a tua tão propalada reforma?

Fitando-me, o bem sucedido empresário natural da região de Aveiro, respira fundo e lança-me: - Não sabes que é para isso que eu vivo?!

É aqui que, paradoxalmente, Carlos Ferreira já não me fala mais em vender os seus importantes haveres nem que quer passar à reforma daqui a três anos... Ele agora contra-ataca e me fala no grande êxito que é o Vasco da Gama, que diz estar no bom caminho. «É o restaurante do futuro, de comida fina mas rápida. Os clientes têm cada vez menos tempo para irem ao restaurante, principalmente à hora do pequeno-almoço e almoço». E logo mais à frente «Tenho outros projetos em mente. E se eles avançarem, vai ser nesse sentido, o de comida rápida, mas fina», diz-nos aguçando a nossa curiosidade. Escusado será dizer que tentámos desvendar o véu e obtivemos resposta positiva, mas só na condição de revelarmos a novidade quando para isso ele nos der permissão. «Por agora, ainda não é tempo disso». Cumpriremos com o acordado.

A nossa conversa já ia longa e, curiosamente, desenrolava-se de forma mais alegre, já sem que se notasse o stress do Carlos no início. É que falar em novos projetos tem o seu quê de motivador, ao passo que falar de impostos e outras coisas do género nunca são muito agradáveis.

Outro assunto que deu particular prazer ao Carlos nos informar foi o da contratação do seu novo chefe, um jovem de 32 anos acabado de chegar dos melhores hotéis de Portugal. Chama-se João Dias e vai trabalhar diretamente com Marino Tavares, que passa a chefe executivo. «O João Dias é da nova escola de hotelaria em Portugal. Vai-nos trazer criação e gestão diária. Estou muito contente com a sua chegada».

Estávamos em tempo de rescaldo quando ainda aflorámos a participação do Carlos Ferreira numa das estruturas políticas da cidade de Montreal. «Sim, ainda faço parte do Conselho de Administração do Destinação Centro da Cidade», um organismo composto de comerciantes, industriais e banqueiros que se preocupam com o embelezamento do centro da cidade. Depois de um mandato como conselheiro, Carlos Ferreira, este verão, assumiu o prestigiante cargo de presidente.

Para quem desconheça o que é o «Destinação Centro da Cidade», ele tem como responsabilidades principais a decoração e a limpeza das ruas, a feira de passeios e a parada da Festa de Natal na rue Ste-Catherine.

E a entrevista acaba como começou, falando-se da relação do Carlos com o vinho e os prémios: - É mais um prémio que me orgulha. E que também deve orgulhar todos os produtores de vinho de Portugal, sem os quais isto não seria de certeza possível.

Nota de rodapé: Depois da entrevista, soubemos que o Carlos Ferreira também é membro do Conselho de Administração do importante organismo Turismo Montreal.

Entrevista
O Ferreira Café tinha acabado de ser distinguido com mais um prémio. Foi o «Wine Spectator» que lhe atribuiu o «Prémio Excelência 2013» por via da sua valiosa «Carta de vinhos». E tem tanto mais valor este galardão se soubermos que esta revista tem um raio de ação internacional, do Canadá aos Estados Unidos, sem esquecer a Europa, etc. De resto, este prémio não é para admirar se nos lembrarmos que o Ferreira Café tem na sua elaborada cave uma imensidão de garrafas de vinho.
Para daqui a tres anos.doc
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