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rss  Vol. XVII - Nº 297         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 05 de Junho de 2020
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Luís de Moura Sobral

- Partilha saberes sobre a arte, a azulejaria e a cultura lusitana

Raquel Cunha

Por Raquel Cunha

Luís de Moura Sobral é professor catedrático do Departamento de História da Arte e Estudos Cinematográficos da Universidade de Montreal e, ao mesmo tempo, regente da Cátedra de Cultura Portuguesa no âmbito das Artes Visuais e História da Arte da mesma Universidade.

Para quem não sabe, uma Cátedra é um grupo de estudos e investigação, normalmente subsidiado por agentes externos à academia, neste caso conta com o apoio do Instituto Camões. Foi o próprio professor, dedicado ao estudo das artes lusitanas, quem sentiu a necessidade de criação de tal grupo. Deixar um legado, dar continuidade e incentivar os estudos na área são os seus reais objetivos.

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O colóquio, como se vê, teve boa aderência do público.
Foto  - LusoPresse

Neste sentido, realizou-se na passada semana (16 a 18 de outubro) um Colóquio Internacional sobre a Presença da Cultura Lusófona nas épocas Pré Moderna, Moderna e Contemporânea, que teve lugar na Universidade de Montreal e em que participaram ilustres nomes do ramo. Foi ainda projetado o filme «Azulejos. Uma utopia cerâmica» da autoria e realização do próprio professor. O LusoPresse quis saber mais e por isso conversou com o simpático professor Luís de Moura Sobral. Fica aqui o resumo da conversa.

O documentário

Com a ajuda de dois cineastas luso-descendentes, Andrew Lima e Robert Reis, Luís de Moura Sobral, quis criar uma obra que refletisse a arte da azulejaria portuguesa, mas que ao mesmo tempo sobrevivesse enquanto narração cinematográfica isolada. Por isso, com duas semanas de filmagem em Portugal e uma no Brasil, o filme acompanha o professor, numa viagem refletida sobre esta arte tão portuguesa. Parte de Montreal, dos Bancos da Avenida Saint-Laurent; segue para Portugal, passando pelo Metro de Lisboa, pelo Museu Nacional do Azulejo, pelo Palácio de Sintra e outros locais com obras-primas do séc. XVIII; para terminar, no Brasil, onde existe uma grande herança de azulejos portugueses. A questão de partida e aquela que conduzirá toda a narrativa, consiste no porquê da decoração cerâmica ter tido em Portugal uma importância tão grande, que não teve em outros países europeus.

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A equipa organizadora do colóquio.
Foto  - LusoPresse

Ou seja, os portugueses usaram os azulejos como decoração, numa quantidade e qualidade como nenhum outro país, acreditando que a cerâmica pudesse atingir o mesmo nível artístico que a pintura em tela.

Utopia por quê? Porque consideraram que poderia ser a forma sublime e exclusiva de decoração total. Tal fenómeno, aconteceu durante o séc. XVIII, e por um período de tempo muito curto (menos de 50 anos), mas dos quais são oriundos a maioria dos painéis ilustrativos. O azulejo cai em desuso enquanto manifestação artística, para ressurgir apenas nos anos 90 em Lisboa, com os painéis no Metro de Lisboa. A partir daí, o azulejo enquanto base artística ganha um novo fôlego, que se tem mantido mais ou menos vivo nesta época contemporânea.

Contudo, ainda hoje não se sabe o porquê de tal fenómeno, apenas se encontram explicações ligadas a questões utilitárias, e considera-se sobretudo uma questão de gosto. Mas como se explica o gosto?

O colóquio

Foi o objetivo do colóquio refletir sobre a presença da Cultura Lusófona nas épocas pré moderna, moderna e contemporânea. Os três dias de programa, abordaram as mais diversas áreas, desde a Literatura ao Urbanismo, passando pela História e pela História da Arte. Com convidados oriundos de Portugal, Espanha, Brasil, e Cabo Verde, o congresso contou com vários especialistas de renome.

De referir ainda que o que se procura é abrir o diálogo, trazendo uma comunidade internacional de especialistas sobre a Cultura Lusitana, e colocando Montreal no mapa como ponto de encontro de partilha de saberes, para os estudiosos do tema.

Este é já o segundo colóquio organizado pela Cátedra, e cujo resultado foi um sucesso, já que houve um verdadeiro intercâmbio entre académicos dos mais diversos lugares, temas e idades. Sendo essa a meta pretendida, Luís de Moura Sobral projeta a continuação do bom trabalho que a Cátedra tem feito.

Nota: O LusoPresse informa que o filme «Azulejos. Uma Utopia Cerâmica» se estreou a 24 de março deste ano no Festival Internacional de Cinema sobre Arte da FIFA, foi premiado em Lisboa, pela SOS Azulejo, e será apresentado na próxima semana em Toronto. No fim de novembro passará em Lisboa, no Museu Nacional do Azulejo, no Porto, na Faculdade de Belas Artes e em Coimbra, no Museu Machado de Castro.

Educação
Luís de Moura Sobral é professor catedrático do Departamento de História da Arte e Estudos Cinematográficos da Universidade de Montreal e, ao mesmo tempo, regente da Cátedra de Cultura Portuguesa no âmbito das Artes Visuais e História da Arte da mesma Universidade.
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