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rss  Vol. XVII - Nº 297         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
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De Fagundes, em Viana do Castelo

Mais Dados Cronológicos da sua Biografia e Vivência

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Neste terceiro texto, propomo-nos expor mais alguns elementos da biografia pessoal, cronológica e histórica do ambicioso vianense que vai de 1470 a 1522.

Este «navegador» e capitão, exerceu várias funções públicas e privadas, tanto a nível do reino, como também na Câmara de Viana, e ainda como explorador da capitania das pescas nomeado por D. Manuel I.

Segundo Manuel A.F. Moreira, na sua pesquisa sobre J.A. Fagundes, este teria nascido por volta de 1460-1470. Era filho de Álvaro Anes Fagundes e teria casado duas vezes.

Fagundes.jpg

A primeira vez com Maria Gonçalves Maciel, e a segunda com Leonor Dias Boto, que teria trazido com ela uma filha...

Deve dizer-se que antes das datas acima mencionadas, os nascimentos não eram registados, foi só a partir do Concílio de Trento em 1561 que se determinou que «os párocos registassem os nascimentos».

Fagundes teria falecido em 1522, antes de agosto do mesmo ano, tendo sido também vereador da Câmara de Viana, e aí substituído por Nuno Barros, um seu cunhado.

Diz-se que tinha dinheiro, barcos, ele ou os seus pilotos, tendo também grande experiência para explorar os mares do Norte.

Em 1498 foi feito nobre, escudeiro, dispensado de pagar impostos, e nomeado em 1499 juiz conselheiro, escrivão de sisas da Alfandega. Nessa altura, o posto da alfândega era ocupado por seu cunhado. Ainda segundo o seu biógrafo Manuel A.F. Moreira: «em 1502 João Afonso dizimou na Alfandega de Viana para a mulher de J.A. Fagundes, cinco côvados de pano inglês de Hull avaliado em 750rs para uso pessoal».

O historiador Manuel A.F. Moreira acrescenta que a influência de Fagundes em Viana incluía: «nobres, clérigos, ricos moradores, pobres pescadores e plebeus».

Para este autor, que se debruçou sobre as pescarias de Viana, menciona aqui um descendente de Fagundes: Pedro Magalhães Abreu Coutinho, que avança que já em 1542 Diogo de Teive e Pêro Vasquez de la Frontera «tinham trazido notícias seguras da costa canadiana, pois estiveram nos bancos da Terra Nova»...

No trabalho que fiz sobre «As Pescas e a Presença dos Navegadores Portugueses no Canadá entre a data de 1500-1750» escrevi já em 1981, que Portugal assinou um tratado de comércio com a Inglaterra em 1469, e também foi assinado um outro entre Bretões e Portugal.

Quanto ao dito planisfério de «Cantino», este só teria aparecido depois em 1502 como amostra do continente americano, desde o cabo Bretão à Florida». Ora os espanhóis só chegaram à Florida em 1513, assim como também aqui se afirma que o João Caboto só chegou à Terra Nova em 1497. No entanto, se Caboto saiu de Bristol com destino à Terra Nova, falta agora saber em que parte da ilha dos Bacalhaus este navegador, ao serviço da Inglaterra, teria acostado visto que Gilbert Humfrey só implantou a bandeira inglesa em «St Johns» em 1580.

Quanto aos testemunhos históricos concretos das pescas portuguesas neste continente nas águas da costa Este do Canadá não deixam dúvidas.

No seu trabalho histórico Manuel A.F. Moreira continua a se interrogar sobre alguns acontecimentos históricos do destino da cartografia portuguesa e da leitura que dela se faz. Por exemplo, diz-nos o historiador: «onde esteve a figura de Fagundes durante o tempo histórico mais denso dos mares que mandou explorar?»

Um descendente de Fagundes, Pedro Coutinho, avança com a seguinte afirmação: «historicamente só conheço um-uns pretensos parentes de Génova «que» inventaram um testamento de Cristóvão Colombo para poderem herdar bens em benefício de Espanha. Mas foi inventado depois não na hora da morte de Colombo, acrescentando: «E era tão falso que não passou nos tribunais.»

No que diz respeito à metáfora do ninho de ratos que utilizei no primeiro texto, seria uma consequência daquilo que o historiador biógrafo de Fagundes avança, dizendo o seguinte: «sabe-se que o desaparecimento de documentos deu-se em 1494-1495». Ora, este último ano, foi o fim do reinado de D. João II, que não deixou descendentes. Tinha D. Manuel I três anos. (Aliás peço desculpa de no primeiro texto ter dito que D. Manuel era filho de D. Manuel, errei).

Na sua pesquisa histórica sobre «A Carta de Capitania Passada a Fagundes em 1521, Manuel A.F. Moreira citando E.A. Bettencourt entre os séculos XV e XVI, Lisboa, 1882, páginas: 132-135», afirma o seguinte: «não encontramos na chancelaria de D. Manuel o original da mesma carta, por terem roubado a folha correspondente à data do lugar onde devia encontrar-se». Nós perguntamos: será que se passou o mesmo com a cartografia portuguesa?

O historiador Henry P. Biggar, chefe dos Arquivos canadianos na Europa, doutor de letras na Universidade de Oxford, citado no meu trabalho de 1981, afirma que: «não existem documentos que justifiquem que outros europeus chegaram à Terra Nova antes dos Portugueses».

Para além dos escritos do historiador Biggar, vejamos também o que nos diz ainda o historiador Manuel Moreira citando Vitorino Magalhães Godinho sobre as «Descobertas» do rico Fagundes. «Ao adquirir tão grande quantidade de trigo, João Álvares Fagundes não estaria a organizar a sua expedição por sua incumbência do Monarca à região, cujo reconhecimento os Cortes Reais deixaram incompleto?»

Se Fagundes era homem rico, ser-lhe-ia assim possível investir na pesca dos mares da costa canadiana, porque nessa época as salinas do sal português eram ouro branco.

Porque tanto para vascos como para bretões, esse ouro só existia nas chamadas «gabelas» francesas, ou seja, minas de sal, que mais tarde seriam abertas na ilha Madalena, hoje pertencente ao Quebeque!

Ref.: Centro de Estudos Regionais Viana do Castelo – Janeiro 2012.

João Álvares Fagundes – A Atração dos Mares Gelados – 1470/1522.

Pedro Magalhães Abreu Coutinho – Fagundes e a Descoberta do Canadá – Ponte de Lima, 2000.

B. Municipal V. do C. – Pero do Campo Tourinho.

O Grande Donatário 1482-1155 (?) – Biblioteca de Viana do Castelo.

Estátua de Fagundes em Viana do Castelo inaugurada em 1958

Crónica
Neste terceiro texto, propomo-nos expor mais alguns elementos da biografia pessoal, cronológica e histórica do ambicioso vianense que vai de 1470 a 1522.
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