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rss  Vol. XVII - Nº 297         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 28 de Maio de 2020
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Uma estreia na Galeria 3C de 9 a 30 de novembro

Claudia Chin convida os amigos das artes a uma exposição de artistas portugueses

Jules Nadeau

Por Jules Nadeau

Com uma convicção e um entusiasmo evidentes, Cláudia Chin exclama: «É a primeira vez que as obras de José de Guimarães, de Júlio Pomar e de Rico Sequeira serão expostas no Canadá. Esta estreia é motivo de um grande orgulho para a Galeria 3C». A diretora tem no rosto um enorme sorriso. No momento da nossa entrevista na sua galeria situada no 9150 da rua Meilleur, tinham chegado seis obras. Os convites já foram enviados. Foram confirmados diversos patrocínios. Para a jovem dama nascida em Moçambique, este evento é também o seu batismo cultural no seio da comunidade portuguesa daqui.

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Carlos Calado, um dos artistas que marcará presença.

«Para além de celebrar os 60 anos de imigração portuguesa no Canadá, quero aumentar a visibilidade das obras de artistas portugueses e provocar um interesse entre os colecionadores de arte deste lado do Atlântico, explica o comunicado, é uma exposição coletiva que foi organizada por amor pela cultura portuguesa.» Os termos «por amor» aparecem em letras gordas no cartão de convite.

A exposição realiza-se do sábado 9 ao dia de 30 de novembro no 9150 rua Meilleur (local 202), ao sul de Chabanel. A abertura é na quarta-feira dia 13 de novembro, na presença do Cônsul-Geral Fernando Demée do Brito, um apoiante deste projeto único desde o princípio. Do Restaurante Portus Calle, que celebra este ano o seu 10º. Aniversário, Helena Loureiro associa-se generosamente, e sobretudo gastronomicamente, ao evento, que deverá atrair numerosos amigos das artes da comunidade. «Estou muito contente que ela tenha aceitado ajudar-me.»

Surpresa ao telefone

Uma quase anedota interessante. «Quando telefonei a Rico Sequeira há alguns dias, ele começou por me responder em inglês. Hello, can I help you? Decerto por causa do meu nome asiático. E porque a chamada vinha do Canadá. Foi muito engraçado. Perguntei-lhe de seguida se falava português ou apenas inglês. Eu sabia que ele passava tanto tempo no Luxemburgo como em Portugal. Disse-lhe que tinha dois quadros dele na minha galeria mas ele desconhecia-o.»

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Claudia Chin

Estava surpreendido e muito contente de saber que telas suas tinham atravessado o Atlântico. Ele é muito conhecido na Europa e é uma galeria do Luxemburgo que o representa», explica Claudia Chin ao representante do LusoPresse. O pintor, que se aproxima dos sessenta, trabalha exclusivamente com uma galeria do Luxemburgo que tem os direitos para todo o mercado europeu, incluindo Portugal. Estava surpreendido que a senhora chinesa ao telefone fale tão bem português durante os 20 minutos que durou a conversação.» (A diplomada da Universidade Concordia escreve também muito bem a língua de Camões.)

«Estou a desenvolver relações a longo prazo com os meus clientes. Tudo muito a sério. Por exemplo, exijo certificados de autenticidade de todas as obras», assegura-nos. Espera representar mais tarde na América do Norte artistas famosos como os que vão figurar na sua exposição. Claro que alguns dos artistas mencionados têm laços de amizade entre eles e o networking é essencial para ser bem-sucedido.

A experiência de Leonora Moncada

Um contacto pessoal em Lisboa começou por identificar três grandes nomes. Deste lado de cá, para o evento de novembro, Cláudia Chin pode contar com a preciosa colaboração de Leonora Moncada, que tem uma sólida experiência internacional na organização de eventos culturais. Nascida em Lisboa e Montrealense desde 1979, a especialista em turismo, desenvolvimento e marketing, enumera-nos ao telefone alguns dos seus mandatos anteriores: Les Deux Mondes no teatro, Les Sept doigts de la main, representação de artistas, tournées internacionais, etc. Sem risco de nos enganarmos, adivinha-se que também é por amor que Leonora Moncada colabora neste projeto. Maravilhoso projeto da Lusofonia. Sem fronteiras!

Cláudia Chin explica as ligações entre eles: «Rico Sequeira é amigo pessoal de José Guimarães: um engenheiro de formação que é muito conhecido na Europa e também na Ásia. Ele tem uma exposição solo na China. Penso que era em Pequim segundo os Média locais. Em Macau também. Devo dizer que Guimarães, representado por uma galeria em Paris e em Miami, é um amigo de Carlos Calado que é daqui. O artista de Angola que aqui vive desde há 30 ou 40 anos. Os dois amigos estudaram juntos há já muito tempo em Lisboa, depois encontraram-se de novo em Angola. Donde, ambos influenciados pela cultura africana. Júlio Pomar é o artista mais conhecido de Portugal. O Picasso dos tempos modernos, como por vezes lhe chamam, possui desde há pouco tempo uma fundação no seu nome», acrescenta a diplomada em comércio.

No que diz respeito aos montrealenses de origem portuguesa, Joseph Branco é muito conhecido no mercado quebequense, depois de ter saído vencedor de diversas competições de empresas. Temos coisas de Branco num hospital da margem sul. Ele acaba de ganhar outro concurso público, há dois ou três meses, nos arredores de Montreal. Por seu lado, Carlos Calado, do atelier Circulaire, é muito conhecido no campo da gravura, após ter começado por fazer escultura. Uma das gravuras deste professor figura num sítio muito conhecido em Lisboa. O fotógrafo Fernando dos Santos trabalha como freelancer e vai muitas vezes à capital. A sua última exposição, 2008-2012, mostrava pessoas em espaços públicos, como os elétricos, crianças na rua, mulheres idosas que tricotavam, vendedores de castanhas. O seu objetivo é explorar o visual da vida quotidiana.

No fim do nosso encontro, Cláudia Chin deu-me um exemplar da revista de luxo Vie des Arts (verão passado) onde ela explica a sua vocação: «Em Portugal, durante a minha infância, cresci rodeada de esculturas de pedra ou de bronze que valorizam os lugares públicos. Nos fins de semana, os meus pais levavam-me e ao meu irmão a visitar museus e espaços culturais. Chegada a Montreal, eu achava que a cidade tinha falta de beleza. Decidi então de me tornar empresária e de trabalhar no domínio das artes.»

Para mais informações sobre a exposição: tel. 514-779-9885 e www.3cgallery.com

Destaque
Com uma convicção e um entusiasmo evidentes, Cláudia Chin exclama: «É a primeira vez que as obras de José de Guimarães, de Júlio Pomar e de Rico Sequeira serão expostas no Canadá. Esta estreia é motivo de um grande orgulho para a Galeria 3C».
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