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rss  Vol. XVII - Nº 296         Montreal, QC, Canadá - domingo, 23 de Fevereiro de 2020
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Triptyque

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Na passada sexta-feira, na abertura da 42ª sessão do Festival do Novo Cinema de Montreal, foi projetada a primeira longa-metragem de Pedro Pires, um realizador canadiano de origem portuguesa, o qual, em colaboração com Robert Lepage, o internacionalmente celebrado cenarista e encenador, adaptou e dirigiu, durante três anos, a feitura de «Tryptique».

Pedro Pires e Robert Lepage vêm de mundos diferentes, mas uma amizade de vários anos feita de colaborações diversas levaram-nos a deitar a mão à realização deste filme. «Não foi fácil, mas como veem ainda nos falamos…» disse ele durante a apresentação do filme, que vai ser distribuído nos cinemas a partir do próximo dia 25 de outubro.

A trama de «Triptyque» anda à volta de uma história urbana contemporânea que nos narra

Robert Lepage e Pedro Pires.JPG
Robert Lepage e Pedro Pires.

as tribulações de Michelle (interpretada por Lise Castonguay), uma alfarrabista esquizofrénica, de sua irmã, Marie (Frédérike Bédard), uma cantatriz, e do futuro marido desta, Thomas (Hans Piesbergen), um cirurgião neurologista alemão, que pratica em Londres e sofre de alcoolismo.

A história é narrada em três partes, como nos antigos filmes, mas dum esteticismo notável. Cada episódio está centrado em momentos críticos que vivem os personagens. No primeiro é o internamento de Michelle num hospital psiquiátrico de Québec, onde ela vive e vende livros usados, com uma cultura livreira extraordinária e uma grande empatia pelos jovens estudantes desesperados de encontrarem referências que Google não lhes fornece. Temas como o equilíbrio mental, a vida em sociedade, a solidão, a afetividade e o amor das duas irmãs, são aqui desenvolvidos, em ambientes descritos em detalhes de luz e sombra, como uma verdadeira poesia cinematográfica.

No segundo episódio, Marie, a cantatriz que tanto empresta a sua voz ao jazz, como ao canto clássico, a quem é diagnosticado um tumor no cérebro e que corre o risco de ficar afásica, embora temporariamente, diz Thomas, o cirurgião alemão, o espectador é levado a seguir o debate sobre a relação do ser humano com a voz, com a comunicação em todos os seus matizes, mas sobretudo sobre a memória e a função do cérebro.

O terceiro episódio relata-nos a encruzilhada dos destinos dos três personagens, sempre num debate sobre a existência, a comunicação, a fé, a música, a arte tout-court.

No segundo episódio, vamos encontrar Marie e Thomas, deitados numa cama de hotel a pensarem sobre as suas existências. E a certa altura ele pergunta-lhe se ela já tinha visitado a capela Sistina, no Vaticano, onde Miguel Ângelo deixou o seu famoso fresco, no centro do qual vemos Deus a dar o sopro da vida ao Homem. Tendo respondido pela negativa, Thomas começa por lhe descrever o que ele, como neurologista, tinha visto e como, Miguel Ângelo tinha apreendido a geografia do cérebro e resolvido representar os contornos da nuvem onde Deus se senta e todos os contornos dos personagens como o cérebro humano e as suas circunvoluções, como a explicar a contradição que é da sede do catolicismo mundial que nos vem a mensagem de que foi o cérebro do homem que criou Deus e não o contrário!

A projeção foi precedida dos discursos da praxe para a inauguração deste novo ciclo do Festival do Novo Cinema, mas do qual ressaltamos a intervenção da produtora Lynda Beaulieu, que também é irmã de Robert Lepage, que nos deu conta das tribulações que teve para convencer o irmão a fazer este filme que ele próprio tinha escrito para o teatro sob o nome «Lipsynch» e das exigências impostas pelo autor que resolveu aceder a participar na realização com o Pedro Pires.

No final, com uma grande ovação da sala, os obreiros do filme e os seus intérpretes subiram ao palco para nos darem conta do prazer de terem participado nesta criação artística.

Cinema
Na passada sexta-feira, na abertura da 42ª sessão do Festival do Novo Cinema de Montreal, foi projetada a primeira longa-metragem de Pedro Pires, um realizador canadiano de origem portuguesa, o qual, em colaboração com Robert Lepage, o internacionalmente celebrado cenarista e encenador, adaptou e dirigiu, durante três anos, a feitura de «Tryptique».
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