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rss  Vol. XVII - Nº 296         Montreal, QC, Canadá - domingo, 23 de Fevereiro de 2020
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Os políticos vitalícios

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Confesso que nunca gostei de Rui Machete.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros faz parte de uma casta política do nosso país que tem emprego político vitalício, seja qual for a cor do governo.

Passam pelos mais altos cargos da administração, ao longo dos anos, como quem passa por entre os pingos da chuva.

Pertencem a uma espécie de reserva política que tem o condão, na sua grande maioria, de considerar as ilhas uma coisa incómoda – não gostam dos Açores e acham que tratar de problemas dos adjacentes é uma perda de tempo e sem qualquer sinecura de retorno.

Rui Machete, enquanto presidente da FLAD, não dedicou um minuto que fosse, do seu longo e arrastado mandato, aos Açores.

No final da sua presidência viu-se obrigado a incluir um açoriano na sua administração e veio à Terceira, na conferência sobre Roosevelt, penitenciar-se pela falta de atenção que deu aos assuntos da região, razão da existência da FLAD.

Mota Amaral foi das poucas vozes do PSD que se insurgiu contra esta situação.

Quando o Banco Privado Português faliu, o ex-Presidente do Governo Regional foi o primeiro a manifestar as suas preocupações pelo facto de a FLAD ter ali investido os seus capitais, oriundos de verbas entregues pelos EUA ao abrigo do Acordo das Lajes.

«O investimento da FLAD no BPP revela-se de alto risco, levantando o problema da supervisão por parte do Estado relativamente à mesma, em defesa do interesse público», alertava então Mota Amaral. Rui Machete negou sempre dificuldades na aplicação dos dinheiros, mas a verdade é que tempos depois a FLAD deixava de financiar o projeto para aumentar a participação política e cívica da nossa comunidade emigrante, nos EUA, exatamente por... «falta de verbas».

O «Portuguese American Citizenship Project», que existia há dez anos, ficou, assim, comprometido, deixando muitos emigrantes açorianos sem este apoio para se naturalizarem e votarem.

Entre 1985 e 1992 a FLAD recebeu dos EUA mais de 81 milhões de euros, à custa da Base das Lajes, mas Rui Machete nunca utilizou um cêntimo destas verbas para investir nos Açores.

Em contrapartida, segundo o Embaixador dos EUA em Lisboa, Thomas Stepheson, o presidente da FLAD tinha «gabinetes luxuosos decorados com peças de arte, pessoal supérfluo, uma frota de BMW com motorista e custos administrativos e de pessoal que incluem por vezes despesas de representação em roupas, empréstimos a baixos juros para os trabalhadores e honorários para o pessoal que participa nos próprios programas da FLAD».

Resumindo, um regabofe à nossa custa.

É este senhor que comanda hoje os destinos diplomáticos do país.

Não foi preciso muito tempo para se saber quanto ia ser um desastre.

Está aí à vista de todos: as mentiras no parlamento sobre a sua participação como acionista do BPN e aquela pouca-vergonha no pedido de desculpas a Angola.

É deste tipo de políticos que se vai fazendo a classe do poder em Portugal.

Uma classe que se julga vitalícia e com direito a pensão para o resto da vida.

Cortar apenas 15% nessa gente é uma afronta aos sacrificados cidadãos deste país.

O Orçamento de Estado é a repetição da via-sacra iniciada com Sócrates: pagam sempre os mesmos.

Onde está a reforma do Estado? E o tal guião reformista da autoria de Portas?

E o corte no número de deputados, para quando?

Ou o 230 também é um número vitalício?

                                                    ****

LIBERALIZAR – Já todos percebemos que Passos Coelho não vai aprovar a proposta do Governo Regional sobre as obrigações de serviço público do transporte aéreo.

Eu já tinha alertado aqui, em crónica de junho passado, para o facto daquela proposta aumentar o volume das transferências das indemnizações compensatórias, coisa que a república nunca aceitaria nesta conjuntura.

Não resta alternativa senão mesmo liberalizar o espaço nos Açores, pelo menos nalgumas rotas, pondo a transportadora regional a antecipar-se às companhias «low-cost».

Só a SATA é que não compreende isto. Deve andar entretida a fazer as contas de mais um desastre de gestão, que foi aquela de abrir uma rota para S. Salvador, no Brasil, para agora a cancelar.

E nós, contribuintes, a pagar por isto.

                                                   ****

RTP – Com que então aumenta-se a contribuição do audiovisual para resolver os problemas da RTP em Lisboa, mas continua-se a não investir nos Açores e ainda pedem «reduções equivalentes».

Grandes cérebros!

Crónica
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