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rss  Vol. XVII - Nº 296         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
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Há 16 anos à cabeça de Anjou

Luís Miranda: «A qualidade de vida» em vez dos «ataques pessoais»

Jules Nadeau

Entrevista de Norberto Aguiar e Jules Nadeau

Para começar, Luís Miranda afirma com calma que está muito orgulhoso das suas realizações: «Não podem censurar nada do meu trabalho. Em matéria de limpeza da neve, somos a referência número um da ilha. A nossa população aumenta enquanto ela baixa em Montreal. Investimos muito em todas as categorias. Os nossos idosos querem continuar em Anjou. Uma bela qualidade de vida! Eu proponho a continuidade!», diz o presidente da câmara em fim de mandato que conta 16 anos de experiência neste posto.

Com 59 anos, cabelos grisalhos, o magistrado da vila disputa um quinto mandato. O sétimo como eleito municipal. A sua equipa de Anjou é 100% angevina – donde não afiliada às formações políticas de Denis Coderre ou de Marcel Côté. O homem dos Açores recebe-nos no seu pequeno escritório da câmara. Fotografias da filha e dos quatro netos em cima de um móvel. Uma bola de futebol. Mais acima, na parede, uma aguarela da casa mais antiga de Anjou. À sua direita, uma cena de inverno no velho Boucherville.

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Com 59 anos, Luís Miranda concorre para um quinto mandato como presidente da Câmara Municipal de Anjou. Descontente com a fusão com Montreal, Luís Miranda continua a sonhar com «Ville d’Anjou» como antigamente.

Nada de recordações do Pico da Pedra nem de São Miguel, que deixou quando ainda andava de calções. Descontraído, volúvel e abrasando do fogo sagrado, o ex-sapador bombeiro profissional de Anjou não traz gravata nesta quinta-feira de manhã para uma longa entrevista com o LusoPresse. Também não há montanhas de dossiês em cima da secretária. Nada está desarrumado no seu posto de comando com vista para a autoestrada 25.

Luís Miranda deplora os ataques pessoais nesta campanha do 3 de novembro. «É uma pena... criticam a minha vida privada. Com quem vivo ou não vivo. Que ganho demasiado.» Ele está contra o hebdomadário local Le Flambeau de l'Est. O jornal pede-lhe às 10 horas para responder por escrito a um questionário antes das 17 horas. Um outro candidato é posto em evidência antes mesmo de ter apresentado a sua candidatura. O jornal descreve a Equipa de Anjou de 2013 com os pormenores obsoletos de 2009. «Felizmente, todos os dias, a receção é muito boa quando faço do porta a porta», felicita-se ele. O objetivo é 1000 portas.

Despesas eleitorais? A Equipa Anjou (fundada em 2005) dispõe de 39 000$ a seguir às mudanças da lei eleitoral, ou seja 30% a menos que anteriormente. Donde 70% devem ser re-embolsados. «Não é muito! É limitado! Assim temos menos cartazes: apenas 120 anúncios a 30$ cada um, todos colocados em varandas privadas. Quando vejo os Richard Bergeron por todo o lado... para alguém que diz não ter dinheiro...»

Adversários? Entre Denis Coderre e Marcel Côté, Luís Miranda favorece francamente este último. «Montreal precisa dum administrador, não dum político. É o mais qualificado», acrescentando que tem como contra Louise Harel que arrisca fazer sombra ao chefe de Coalition Montréal. «Como é que Denis Coderre pode defender a mudança com candidatos que estão lá há 30 ou 35 anos?» Apesar de tudo o vencedor será? «Coderre minoritário!»

Desbastar? «Desejo que parem de falar de estruturas porque se querem falar, vou ser o primeiro a sair com a carta duma vila independente. Porque é que «Luís Miranda faz a limpeza da neve a 15 cm por 25 000$ o quilómetro comparado a 35 000$ na vila vizinha? Não são as estruturas, é a eficácia. Para quê centralizar a limpeza da neve? Que deixam as boas práticas onde elas estão. Desbastar não quer dizer eliminar as autarquias.»

Nids de poule e estradas esburacadas? Interrogado sobre um caso particular, o presidente da câmara Miranda generaliza e lamenta que os orçamentos para o equipamento pesado sejam nitidamente insuficientes. Sem esquecer uma «massa salarial próxima dos 70%». Falando ainda de orçamentos, a câmara «já não pode fazer prevenção como antigamente. Com a menor infiltração de água, são logo de seguida os estragos. Mais o degelo. Também uma má coordenação com Hydro-Québec («um estado dentro do Estado», segundo ele) e Gaz Métropolitain que não se incomodam de rebentar uma rua acabada de pavimentar como aconteceu agora com a Châteauneuf. O outro exemplo perfeito disto (os comerciantes e restauradores portugueses lembram-se bem) é o boulevard Saint-Laurent.»

Fusões e cisões? Mesmo depois de se ter separado em 2003 de Union Montréal, de se ter reunido com Gérald Tremblay em 2008, o primeiro Angevino continua a ser um acérrimo defensor da separação do resto de Montreal. Nenhuma dúvida sobre esse assunto! «É preciso admitir que as fusões foram um erro. O meu maior sonho é de voltar a ser Ville d'Anjou. Posso garantir-vos: no dia seguinte, as taxas baixavam.»

Integridade? O Flambeau publicou a fotografia dum investigador da UPAC sentado no escritório envidraçado do nosso interlocutor em fevereiro último. «A Câmara Municipal assim como outros cinco distritos são objeto de pesquisas», especificava o jornal. Luís Miranda replica que procuravam faturas de Union Montréal de 2005 referentes às eleições. «Em 2005, não estávamos ligados com a Union Montréal, logo nunca podia ter aqui faturas da Union Montréal, não é?» Ele defende a sua integridade e dá como exemplo, o terreno de futebol do parque Lucie-Bruneau que não custou senão 900 000$ contra uma média de 1,5 milhões nos outros lados.» Não tenho nada a esconder!»

Racismo? A entrevista não é sobre a Carta dos valores quebequenses, nem sobre os imigrantes, mas Miranda conta num aparte o caso que o chocou de um concidadão «racista» que lhe tinha dito em 1997 que ninguém, senão um Canadiano-Francês, podia ser eleito para a direção de Anjou. Conheço o tipo e é ele agora que refila contra as veladas», deplora o Açoriano de nascença chegado aqui com a idade de 8 anos. Aconteça o que acontecer, ele pode gabar-se de ter sido o primeiro da comunidade portuguesa no Canadá a ter sido eleito presidente de câmara. Numa aglomeração que conta agora 42 000 pessoas. Com um recorde de longevidade.

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