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rss  Vol. XVII - Nº 296         Montreal, QC, Canadá - domingo, 23 de Fevereiro de 2020
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João Alvares Fagundes – II parte

Enigma ou Realidade?

Fernando Pires

Por Fernando Pires

No nosso último texto escrevemos que Fagundes teria tido uma vivência em Viana do Castelo, tendo aí exercido  várias funções públicas como «navegador» e explorador do Nordeste da costa canadiana, hoje fazendo parte das províncias marítimas do Canadá e do Quebeque.   

Embora alguns não tentem ligar a data da doação da carta do rei D. Manuel I em 1517 a Fagundes e às pescas nos mares da costa canadiana, uma coisa que é certa, é o conceito de uma história pouco rigorosa sobre esta costa entre os séculos XIII e XV como enigma. A interpretação que se fez da história das «descobertas» deste período, é por vezes muito subjetiva. Um dos enigmas da nossa história foi a perseguição da Inquisição feita aos judeus em Espanha, e por fim em Portugal, que só ao longo dos tempos o nosso Alexandre Herculano ousou escrever sobre essa Inquisição.

Assim, o período entre o rei D. João II e D. Manuel I, foi um período turbulento,  talvez devido a essa turbulência esse problema nunca tivesse sido abordado historicamente de uma forma clara pelos historiadores?

Vejamos o que se diz sobre Viana do Castelo depois de 1517: «A norte da Rua do arruamento de João Casado (o arruamento tem a ver com o povoamento), esta rua passa a chamar-se em 1549, Rua da Judiaria,  ressuscitando assim o nome com que fora conhecida antes, mas que em 1517 não se usava chamar-se pelo menos oficialmente, no propósito de esquecer, ou pelo menos de não avivar feridas resultantes de acontecimentos ainda recentes.» Isto talvez por causa  da conversão forçada com o aparecimento de novos cristãos. »De qualquer modo, a «Confraria do Nome de Jesus» aqui mencionada, «na sua maior parte, não indicava o nome onde viviam judeus...»

Será que isto nos diz qualquer coisa mais? Nesta pesquisa sobre Fagundes, afirma-se também que: «D. Manuel I teria «roubado feitos a seu pai». Ora que quer isto  dizer? Será que todos estes acontecimentos nos dizem algo mais do que aquilo que se conhece publicamente? Nesta pesquisa sobre o espião Alberto Cantino, quem teria roubado alguns mapas da cartografia portuguesa em Lisboa desde 1502 a 1522?  E que aconteceu à carta de Fagundes que lhe teria sido doada  por D. Manuel I em 1521 pela exploração da Terra dos Bacalhaus?

Sobre o ninho de ratos a que nos referimos, no primeiro texto publicado neste jornal, o historiador Pedro Magalhães Abreu Coutinho (um descendente de Fagundes) escreve agora sobre Fagundes, e pergunta onde param os alvarás que eram transcritos nas chancelarias régias, dizendo o seguinte: «não encontramos na chancelaria de D. Manuel I o original da mesma carta, por terem roubado uma folha correspondente à data do lugar onde devia encontrar-se». Será que o ninho de ratos teria influenciado agora a pesquisa sobre Fagundes?  

«Como conheceria Fagundes os Corte Reais?» Diz-se que, em 1473 Fagundes já teria conhecido o «Mar dos Sargaços», com a «idade de 13 anos». Isto, na companhia de «João Vaz Corte Real e Álvaro Homem, os quais vinham da Terra dos Bacalhaus» a mandado do rei D. João II da qual foram explorações de novas terras.

Em 1474, o Príncipe Perfeito, que governava os Descobrimentos em nome de seu pai D. Afonso V, segundo as recentes pesquisas este rei teria desprezado as Antilhas que para ele seriam terras pobres e povoadas de gente nua. 

No que diz respeito à cartografia portuguesa, vejamos o que nos mostra o historiador Manuel Fernandes Moreira sobre a presença da capitania dos homens de Fagundes. Escreve este autor o seguinte sobre os mareantes de Viana e a Construção da Atlântida, através do mapa Blaew Amesterdão 1645, do sec. XVII onde este mapa dos mareantes nos mostra, ainda a ilha Facunda (1499), do designado fidalgo J. A. Fagundes, que  abrangia assim o golfo de São Lourenço, Terra Nova, Santa Cruz, Baía da Aguada, Santa Ana, Nova Escócia, Cabo Bretão, Ilhas de São Pedro e Miquelão, e Terra Firme.

Aparecem também agora outras afirmações sobre os poderes da capitania de Fagundes, que lhe foram atribuídos como índole financeira e de nobreza. Vejamos o que se diz sobre isto.

«Quanto aos títulos de nobreza de Fagundes, foram herdados pelos descendentes da sua irmã, cujo filho foi pajem de D. João II.»

PS – Voltarei com um terceiro texto com uma biografia cronológica de Fagundes mais completa.

Ref.: Centro de Estudos Regionais, Instituto Histórico do Minho, 1-01-2013.

Fagundes e a Descoberta do Canadá, Ponte de Lima, 2000 – Pedro Magalhães Abreu Coutinho.

Crónica
No nosso último texto escrevemos que Fagundes teria tido uma vivência em Viana do Castelo, tendo aí exercido  várias funções públicas como «navegador» e explorador do Nordeste da costa canadiana, hoje fazendo parte das províncias marítimas do Canadá e do Quebeque.  
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