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rss  Vol. XVII - Nº 296         Montreal, QC, Canadá - domingo, 23 de Fevereiro de 2020
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Em Outremont

Ana Nunes procura novo mandato

Raquel Cunha

Entrevista de Raquel Cunha

Ana Nunes pode ser desconhecida da nossa comunidade, no entanto, é nosso papel enquanto imprensa representante dos portugueses em Montreal, de vos apresentar quem de nós se vem destacando nesta nossa cidade adotiva.

Assim, a atual vereadora de Outremont, concorre mais uma vez às eleições, para o mesmo cargo, embora desta vez sob o apoio da Equipa de Denis Coderre. O LusoPresse quis saber quem é Ana Nunes, o que faz e qual a sua história de vida, e também o que pretende fazer pela freguesia a que concorre, caso venha a ser re-eleita. Fica aqui o resumo da entrevista.

Ana Nunes nasceu em Lisboa. Veio para o Quebeque ainda pequena, com 4 anos de idade. Ao contrário da maioria dos Portugueses, os seus pais não emigraram para fugir à pobreza, mas sim pelo sonho de seu pai, Carlos Nunes, de países novos, espaço, florestas, lagos e natureza. O Canadá foi o país escolhido. O sonho tornou-se realidade e apaixonado pelo país de adoção nunca mais pensou em regressar a Portugal. Com diploma universitário, seu pai trabalhou, primeiro como vereador de estruturas de betão e, mais tarde, para o governo federal como mediador com os autóctones do Norte.

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Ana Nunes

Já a sua mãe, Helena Agostinho, possui o diploma de enfermeira, mas não chegou a lecionar. Descobre nos primeiros anos de Canadá a paixão pela pintura, e desde então, dedica-se a essa arte, com exposições, tanto na cidade de Québec, como em Montreal, e mesmo em Portugal. Com família ainda lá, vive com um pé cá e outro lá, como muitos de nós, tem o coração na família que cá construiu, neste país de adoção, mas também o tem prendido ao que lá deixou, a pátria e a família que a viu nascer. «Está dividida. Já não conseguiria viver definitivamente em Portugal, mas também não é capaz de o esquecer», conta-nos a vereadora.

Ana por sua vez, cresceu na cidade do Quebeque, onde estudou Arquitetura, na Universidade de Laval, e onde teve duas filhas. Contudo, sempre gostou de Montreal, e em 2000, altura em que se separa do pai das suas filhas, decide arriscar e iniciar uma nova vida, nesta metrópole.

Em Montreal trabalha para a Régie du Bâtiment du Québec, revendo e verificando projetos de lei. A sua iniciação à vida política acontece quase por acaso. Quando chegou a Montreal, instalou-se no bairro de Outremont, e como sempre fez voluntariado, ingressou no grupo do Meio-Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Outremont, tema que a que sempre se dedicou enquanto arquiteta. Assim, e numa coisa que leva à outra, membros da equipa de Gérald Tremblay, tomaram conhecimento dos seus projetos e convidaram-na a candidatar-se como Vereadora de Outremont, candidatura que venceu.

Contudo, nesta segunda ronda não concorre pelo mesmo partido, por razões óbvias, mas foi contactada pelos três principais partidos, para representá-los. Ana Nunes estudou as propostas, terminando por escolher a Equipa de Denis Coderre. Foram duas as razões que a levaram a tal escolha, a primeira porque realmente acredita no candidato. «Encontramo-nos várias vezes e conversamos indefinidamente sobre vários assuntos. Denis Coderre é um verdadeiro líder, um jogador de equipa, com coragem e coração, muito carismático e com enorme força de caráter. É exatamente o que Montreal precisa neste momento, alguém motivado, credível, dinâmico e que queira ir para a frente».

Outra das razões é o facto de esta equipa não pretender tocar nos limites das freguesias já estipulados. «Isso para mim era muito importante, porque as pessoas de Outremont identificam-se com a freguesia com os limites atuais, este é para elas o seu bairro e são elas que eu represento. Para além disso, mexer nos limites das freguesias neste momento parece-me absurdo, uma vez que tal já foi feito, e significa empatar por mais uns 4/6 anos e gastos na ordem de milhões de dólares. Parece-me a mim que a cidade tem outras prioridades muito mais urgentes».

Para a freguesia de Outremont, propõe continuar com o seu trabalho em urbanismo e desenvolvimento sustentável na freguesia, aumentar a segurança rodoviária, sobretudo a sinalização à saída das escolas e residências de idosos, a renovação e manutenção dos parques e o melhoramento dos serviços fornecidos.

Já em relação a Comunidade Portuguesa, Ana Nunes confessa que pouco a conhece, talvez por falta de comunicação de ambas as partes. «Na verdade, nunca me convidaram nem me contactaram para nada. A ideia que tenho é que a comunidade é feita de grupos de amigos fechados, que não têm intenção de se abrir e nem sempre têm em conta o interesse geral da Comunidade. Como esses grupos são feitos sobretudo de pessoas idosas, vai chegar o dia em que as associações hão de por si só acabar. Vivem cá como se vivessem em Portugal há 50 anos, e não olham para o futuro». Demasiado agarrados aos pequenos poderes, sabemos bem que esse é um dos principais problemas atuais da nossa comunidade. «Ao invés de se unirem e fazerem como os italianos e os gregos, os portugueses ficam ali, fechados sobre si mesmos, sem nenhuma expressão nem representação real na cidade de Montreal. Aliás, o Sr. Cônsul de Portugal, quando fala comigo, refere-se sempre a esse problema, da falta de interesse por uma união e um peso representativo dos cidadãos portugueses de Montreal», no entanto, afirma estar mais que disponível a participar, caso lhe seja alguma vez feito o convite.

De profissionalismo indiscutível e simpatia notória, Ana Nunes é alguém a vigiar, uma vez que o seu sucesso há de dar muito que falar.

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Ana Nunes pode ser desconhecida da nossa comunidade, no entanto, é nosso papel enquanto imprensa representante dos portugueses em Montreal, de vos apresentar quem de nós se vem destacando nesta nossa cidade adotiva.
Ana Nunes re candidata se.doc
yes
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