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rss  Vol. XVII - Nº 296         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 29 de Maio de 2020
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A troika alforreca

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

À medida que vamos sendo avaliados pelos membros da troika, dá a impressão de que eles gostam de cá vir, extasiados, para aplicar cada vez mais austeridade.

No final de cada avaliação não se vê nenhum alívio da austeridade, a tal que, segundo o FMI, quando é aplicada de forma rápida, não funciona.

É no meio deste sadismo – e não do masoquismo de Cavaco – que nos vamos convencendo que teremos troika entre nós por muitos anos.

Será uma espécie de alforreca, que também gosta das águas quentes do sul e que nos suga a pele com os seus tentáculos translúcidos.

As medusas são muito parecidas à troika.

O invertebrado tem na epiderme exterior uma substância gelatinosa, chamada mesogleia, semelhante à ideologia troikana, que se instala facilmente em países diferentes mas sempre com a mesma receita.

A gastroderme no interior é outra semelhança – 95% é água –, não se aproveitando nada de sólido.

Os tentáculos urticantes servem para paralisar as presas, coisa praticada entre nós já depois de 9 avaliações, sendo que as presas são sempre as mesmas.

Eu não percebo como tamanhos cérebros, saídos de gabinetes internacionais, ainda não encontraram uma fórmula simples para resolver o problema da dívida pública.

Qualquer cidadão sabe que, quando não pode pagar dívidas, a primeira coisa que faz é pedir ao credor mais tempo ou escalonar o pagamento de acordo com as novas disponibilidades de rendimento do devedor.

Os economistas chamam a isto «re-estruturar a dívida».

Mas a troika, à semelhança das alforrecas, prefere continuar a injetar toxinas.

Como é que podemos pagar uma dívida que já vai em mais de 130% do PIB?

Como é que um cidadão pode pagar à banca uma dívida que ultrapassa em muito o seu rendimento?

Jesus Castillo, economista para a Europa do Sul da Consultora Natixis, em Paris, fez as contas e chegou a esta conclusão óbvia: «Para a dívida regressar a 90% do PIB em 2020, seria necessário um crescimento de 6,6%, o que equivaleria a um excedente primário de 4% do PIB, todos os anos, a partir de 2014».

Ou seja, é tarefa tão gelatinosa como matar uma medusa com as mãos.

Então o que fazer?

Joseph Stiglitz, Prémio Nobel de Economia, tem uma tese interessante: «Nas crises de dívida, a culpa tende a cair sobre os devedores. Eles pediram demasiado dinheiro emprestado. Mas os credores são igualmente culpados – eles emprestaram demasiado e de forma imprudente. Na verdade, os credores deveriam ser peritos em gestão de risco e de avaliação e, nesse sentido, a responsabilidade deveria ser deles. O risco de não pagamento ou de re-estruturação da dívida induz os credores a serem mais cuidadosos nas suas decisões referentes a empréstimos».

Era isto que o nosso país deveria lembrar, todos os dias, aos nossos credores.

O que se passa é que a troika, para além de incompetente, é gelatinosamente perigosa, porque encontrou em Portugal dois políticos siameses, perigosíssimos, como Passos e Portas, que chefiam um governo de mentirosos e com alguns ministros taroucos, a começar pela múmia política que é Rui Machete.

Os cortes nas pensões de sobrevivência são o carimbo certo de que esta coligação vai ficar viúva nas próximas legislativas.

Estes homens têm que ser corridos da cena política.

Foi, simplesmente, ridícula e patética a atuação de Portas na noite das eleições com aquela referência ao «penta». Um líder que se contenta com apenas 5 câmaras municipais, merece, de facto, o cognome de «partido do táxi».

No PSD, é incrível que ninguém se revolte contra a Direção do partido. Nem uma voz a destoar da carneirada política em que esta rapaziada está a afundar o partido.

É por isso que a troika encontra, entre nós, bom terreno para as suas experiências.

A troika prefere prosseguir uma política errada, tal e qual as alforrecas, que têm como característica, não cuidar dos seus descendentes.

No meu tempo de adolescente, em que não havia dinheiro para recorrer às farmácias, utilizávamos um «produto natural» – a urina – para tratar das queimaduras da alforreca.

Na minha mente perversa, esta troika e este governo merecem remédio santo.

Crónica
À medida que vamos sendo avaliados pelos membros da troika, dá a impressão de que eles gostam de cá vir, extasiados, para aplicar cada vez mais austeridade.
A troika alforreca.doc
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