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rss  Vol. XVII - Nº 295         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 28 de Maio de 2020
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Vencedores e vencidos

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Tivemos, domingo, 19 eleições diferentes nos Açores.

Cada concelho é um caso e cada freguesia é um rosto.

Daí que seja difícil extrapolar cada resultado para uma análise global, mas as tendências e as correntes do eleitorado permitem retirar algumas conclusões genéricas.

Dentro desta subjetividade, eis os meus vencedores e vencidos.

VASCO CORDEIRO – É o grande vencedor destas eleições. No seu primeiro teste como líder do PS, consolidou e reforçou a hegemonia do partido nas autarquias açorianas. Estas eleições deram-lhe, também, razão, quanto à linha de renovação que vem implementando no interior do PS, elegendo vários socialistas jovens e castigando os mais antigos. Os jovens que roubaram as Câmaras ao PSD são um bom prenúncio para uma nova geração de políticos. A derrota de José Contente acaba por ser uma boa notícia para Cordeiro, porque reduz a margem de manobra de César e não corre o risco de ter na Câmara de Ponta Delgada o protagonismo de um possível sucessor interno. Vasco Cordeiro fica, agora, com o seu partido blindado a qualquer veleidade interna, inclusive pela mão de Carlos César.

BOLIEIRO – É a vitória da humildade. Cansado de ser sempre número dois, revelou-se igual a si próprio e deu um exemplo ao PSD sobre como se deve fazer política, sem grandes exibicionismos. Foi da sua autoria o melhor cartaz de campanha («Bolieiro, um amigo»), de tão simples mas tão verdadeiro, porque um responsável político tem que ser isto mesmo: um amigo do cidadão eleitor. Esta intimidade contrasta com a distância habitual da classe política em geral. Contem com ele daqui a 11 anos para outros voos.

GAUDÊNCIO – Da mesma escola de Bolieiro. O seu mérito está na postura que impôs durante a campanha, em contraste com o seu adversário. O PSD tem aqui um quadro cheio de potencial que não deve desprezar. E que guarde a lição: um jovem recém-chegado ganha à primeira, enquanto montes de «dinossauros» instalados há anos no partido, não ganham nada. Alexandre Gaudêncio é um nome a reter durante muito tempo, se souber, também, retirar uma lição que o seu adversário ignorou: as eleições ganham-se ouvindo as pessoas, dando atenção a todos e não apenas às gentes do centro das cidades.

RODRIGUES – Ricardo Rodrigues pode ser acusado de muita coisa, mas de falta de coragem é que não. Deixar o conforto da Assembleia da República, da Vice-Presidência da bancada, dos círculos influentes lisboetas, para mergulhar num mar de problemas e intrigas em Vila Franca, é obra. Tomem nota: o seu verdadeiro objetivo começa agora com esta caminhada via autárquica. Daqui a 11 anos, aquando da sucessão de Vasco Cordeiro, Ricardo Rodrigues já terá outro protagonismo na política regional. Aposto que vai querer a presidência da Associação de Municípios.

INDEPENDENTES – O fenómeno novo que apanhou despercebido todos os partidos vai durar e, com toda a certeza, será expandido em futuras eleições com grande sucesso, à semelhança do que aconteceu em S. Jorge e no resto do país. Os partidos fecharam-se e estupidificaram-se. Contem com movimentos cívicos nos próximos tempos como nascem os cogumelos. Só ajuda à democracia.

FREITAS – Duarte Freitas tem a sua primeira derrota enquanto líder do PSD-Açores. Se perdesse Ponta Delgada, estava arredado das próximas regionais. Bolieiro e Gaudêncio foram o seu abono de família... por enquanto. O que vem aí não é nada de bom para o PSD de Freitas. O novo quadro comunitário de apoio, com mais de 1,5 mil milhões de euros para os Açores, vai dar uma folga enorme à governação de Vasco Cordeiro, espalhando investimento pelas ilhas nos próximos 6 anos. Depois, virá a desgraça das eleições europeias (2014) e nacionais (2015), que vão arrasar o PSD, assistiremos à queda de Jardim (finalmente!) e à despedida sombria de Cavaco. São más notícias para a família social-democrata, não augurando nada de bom para as próximas regionais.

CONTENTE – É o derrotado do lado do PS. José Contente não resistiu ao exibicionismo do poder regional. Quis mostrar que tinha o partido e o governo a seu lado, mas tudo soava a falso. Basta ver que tinha como mandatário a mesma pessoa que o tramou na sucessão à liderança do partido e que não o quis na presidência do Parlamento. Cordeiro deu o golpe de misericórdia quando se demarcou, publicamente, daquela proposta do complemento de pensão. Uma campanha desastrosa. O subconsciente dos eleitores não perdoa.

LIMA – Artur Lima está cada vez mais confinado à ilha Terceira, novamente sem sucesso. Não fosse a coragem de Luís Silveira, em S. Jorge, e o CDS-PP passaria por estas eleições como a CDU e o Bloco de Esquerda, ou seja, numa nota de rodapé.

SILVA – O último mandato de Ricardo Silva na Ribeira Grande deveria ser um «case study» na política autárquica, como exemplo de tudo o que não deve ser o relacionamento de um autarca com os seus cidadãos. Ignorou tudo e todos, rodeou-se de uma equipa medíocre e apostou o que tinha no centro da cidade, envolto em polémicas, esquecendo as freguesias rurais do concelho. Carlos César, que o apoiou desde a primeira hora, vê-se livre daquele desfile, na Feira Quinhentista, com vestes ridículas...

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