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rss  Vol. XVII - Nº 295         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 03 de Dezembro de 2020
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O ensaio razoável de Jean Dorion:

Nunca uma tal carta sob Lévesque, Parizeau, Laurin, Godin ou Couture

Jules Nadeau

Por Jules Nadeau

 

Muito conhecido devido aos diversos cargos públicos que ocupou e às suas tomadas de posição, Jean Dorion mergulha no debate sobre a Carta dos Valores Quebequenses publicando uma obra que podemos qualificar de moderada e razoável. Uma mensagem simpática à comunidade muçulmana. Ele discorda do texto de Bernard Drainville: «Nunca se teria pensado num tal projeto no tempo de René Lévesque, Jacques Parizeau, Camille Laurin, Gérald Godin, ou de Jacques Couture para quem trabalhei», declarou a semana passada quando do lançamento do livro de 150 páginas.

Inclure, Quelle laïcité pour le Québec foi escrito com que espírito? Resumindo, no essencial, «Não é um livro contra quem quer que seja. Muito poucas pessoas citadas. O que o governo tenta fazer é um erro grave para o futuro do povo quebequense. É infinitamente triste. Antes de mais fiz este livro para o Quebeque que nós amamos... com uma preocupação de justiça para com os muçulmanos do Quebeque. Nós estamos de tal modo intoxicados com tudo o que se lê nos Média... sobre as mulheres muçulmanas, sobre o casamento entre os muçulmanos. A minha escrita foi uma espécie de desintoxicação. Espero que também o vá ser para os leitores», especifica o autor (visivelmente em grande forma nessa noite) ao microfone duma livraria da Côte-des-Neiges.

Funcionário da Imigração

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Jean Dorion com Karima Nidbihi, a «musulmane voilée» responsável da viragem de opinião completa do autor. A mãe de família marroquina foi a «merveilleuse gardienn» da pequena Blanche, filha mais nova do casal Dorion-Tsunekuza em 2001.

Membro fundador do Parti Québécois, o septuagenário luta pela independência do Quebeque desde há décadas. Foi assessor político dos ministros da Imigração Jacques Couture e Gérald Godin antes de ser presidente da Société Saint-Jean-Baptiste de Montreal. As suas declarações como responsável da instituição nacionalista foram largamente difundidas nos Média, especialmente em defesa da língua francesa no quadro da Lei 101. Com a bênção ou a excomunhão dos comentadores políticos.

É certo que Jean Dorion brilha pelas suas opiniões nacionalistas. O autor destas linhas, que o conheceu no princípio dos anos 80, em Hong Kong e depois em Taiwan, lembra-se sobretudo duma alegre e interminável conversa num restaurante de Taipai. Quase meio-dia, sentados numa mesa afastada sem que os empregados viessem se ocupar de nós. O meu volúvel interlocutor apareceu-me então como um erudito, aberto sobre todas as culturas e muito curioso. Também um leitor voraz e uma pessoa dotada dum grande sentido de humor. As suas imitações dum Pierre Trudeau zangado muito me fizeram rir. Resumindo, um lado pouco conhecido deste homem.

Especialista do Japão

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Jacques Parizeau esteve presente no lançamento do livro na Livraria Olivieri. Presença julgada «pas anodine» por Jean Dorion, pois o antigo primeiro-ministro preparava-se, por sua vez, para atacar a «Carta» de Bernard Drainville.

A abertura deste sociólogo sobre o vasto mundo confirmou-se quando ele ocupou com sucesso as funções de delegado geral do Quebeque em Tóquio de 1994 a 2000. Não somente ele mergulhou na língua e na cultura japonesas, mas tinha a particularidade de ter uma esposa nipónica, Hiromi Tsunezuka. O casal tem cinco filhos – todos prendados com nomes franceses e japoneses. Discreta, madame Tsunezuka estava presente no lançamento do livro de Québec Amérique no meio dum público de algumas centenas de pessoas de diversas origens. Aí estavam também vários membros (todos identificados) da comunidade muçulmana que tinham colaborado na pesquisa do autor.

Também presentes: o ex-ministro pequista Serge Ménard. O «amigo de sempre», Yves Beauchemin – cujo manuscrito do Matou foi relido por Jean Dorion (uma excelente pluma). Digno de menção, sentado à mesa do conferencista, um Jacques Parizeau muito atento. «Nada habitual!», comentou monsieur Dorion em privado para uma jovem senhora a quem acabava de autografar o livro. Todos se recordam da célebre declaração acusatória, em 1995, contra «o dinheiro e o voto étnico». Que dirá Parizeau da Carta dos Valores Quebequenses?

Enfim, o ex-deputado do Bloc Québécois de Longueuil-Pierre-Boucher (2008-2011) aproveitou a ocasião para agradecer a Rosa Pires, que é vice-presidente e co-porta-voz do organismo Indépendantistes pour une laïcité inclusive, donde ele mesmo é presidente. «Ela leu o manuscrito e fez-me algumas observações judiciosas», especifica o fundador Dorion. Num texto do Huffington Post, que se pode ler na Internet, madame Pires evoca a recordação do 30 de outubro de 1995 e associa claramente a carta a uma «estratégia eleitoralista» do PQ.

(O livro de Québec Amérique está à venda em todo o lado ao preço de 19,95$.)

Literatura
Muito conhecido devido aos diversos cargos públicos que ocupou e às suas tomadas de posição, Jean Dorion mergulha no debate sobre a Carta dos Valores Quebequenses publicando uma obra que podemos qualificar de moderada e razoável. Uma mensagem simpática à comunidade muçulmana.
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