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rss  Vol. XVII - Nº 295         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 29 de Maio de 2020
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Luc Ferrandez e as suas políticas ecológicas...

Comerciantes portugueses estão fartos

Raquel Cunha

Por Raquel Cunha

Luc Ferrandez é mais uma vez candidato à Junta de Freguesia do Plateau Mont-Royal. Muitos já ouviram falar dele por boas e más razões. A verdade é que este político controverso rege a sua política segundo a ótica ecológica, e pela criação de espaços verdes e ciclovias, tornando Montreal a cidade campeã para ciclistas em toda a América. Contudo, nada vem sem custos, e tais políticas têm dado cabo da cabeça a muitos comerciantes. Helena Loureiro diz-se farta e afirma que é hora de agir, por isso, em modo de carta aberta, comunicou à imprensa portuguesa, um apelo aos cidadãos. «É hora de agir», afirma. O LusoPresse falou com ela e com alguns comerciantes da zona, para saber o que pensam. São todos unânimes a concordarem com Helena, Luc Ferrandez não tem facilitado a vida a quem por cá trabalha.

O estacionamento é um problema

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Luc Ferrandez

«Não é o maior dos problemas», afirma Fátima Soares, «mas é o problema que dá origem a todos os outros». A sua irmã Manuela completa, «já ninguém quer vir aqui. Quando se ouve falar do Plateau, fala-se imediatamente do estacionamento. Os clientes perdem horas à procura de lugar, e muitas vezes acabam por desistir. Alguns clientes já nos têm dito que vão deixar de cá vir porque as compras ficam caras. O estacionamento é caro e difícil de encontrar. E depois há imensos lugares reservados aos residentes, mas as pessoas daqui não têm carros e os lugares estão sempre vazios. E nós, os comerciantes, não temos direito a um lugar nem para o carro da empresa, nem para os empregados que por vezes vêm de longe».

António Machado, da padaria Nossa Senhora do Rosário, tem os mesmos problemas. «São muitos os clientes que cá vinham, mas apanharam uma multa e nunca mais cá voltaram. Nem com os quatro piscas se está isento de multa. Reduziram os lugares de estacionamento na Rachel, e nas ruas perpendiculares, todos os lugares estão reservados aos moradores ou têm parquímetros. Já alguns clientes disseram que assim não podem continuar a cá vir porque não arranjam estacionamento. Eu mesmo tenho problemas, quando quero fazer entregas e não tenho onde deixar o carro. Nem sequer tenho direito, como comerciante, a um selo de residente para estacionar o carro da empresa. E eles não perdoam, parecem obcecados com as multas, passam de 15 em 15 minutos. Isto para mim é uma simples caça à multa! Cortaram-nos as pernas e não nos deixam andar».

José Figueiredo, da Casa Minhota, considera-se abençoado porque tem estacionamento privado, mas não nega o problema, «eu vejo todos a se queixarem. Ele (Luc Ferrandez) está a desgraçar os comerciantes daqui da zona».

Bicicletas. Espaços Verdes. E o Comércio?

António Machado não tem papas na língua, para ele Luc Ferrandez é «um sem vergonha! Se tivesse vergonha não voltaria a concorrer. O que ele fez ao Plateau não há direito. É só a favor das bicicletas e anda a fechar os negócios todos!»

Fátima Soares é categórica: «em tudo na vida é preciso equilíbrio, eu acho muito bem que se dê importância aos ciclistas e que se criem espaços verdes, mas é importante não esquecer o comércio. Se nos tiram de um lado, deviam compensar por outro. Por mais que tenhamos uma comunidade de bairro, que favorece o consumo local, nenhum comércio pode viver só do bairro, é preciso clientes de fora, e nós estamos a perder os nossos. O bairro tem de funcionar, e quer se queira quer não, a cidade tem carros, e os condutores são também parte da cidade».

Helena confessa que a «situação é grave. Não há estacionamento e mesmo nas ruas secundárias, é tudo a pagar. Ele (Luc Ferrandez) quer fazer uma freguesia para peões e ciclistas. Mas a Saint-Laurent é uma das principais avenidas e precisa de gente de fora, para dar vida, animar o bairro. Ele diz que é para o bem do Plateau, mas a gente não pode viver de bicicletas e flores. Temos de ver a realidade. Ele quer fazer do Plateau uma aldeia, eu quero movimento e vida».

Soluções e o caso da Prince-Arthur, Saint-Laurent e Saint Denis

«Para mim o mais importante é encorajar as pessoas a voltarem ao Plateau», conta Manuela Soares, «não há ninguém que quando fale do Plateau não pense em dificuldade de estacionamento.»

«É preciso ter olhos para ver», completa Fátima Soares, «fecharam a rua Prince-Arthur e aquilo agora é um deserto. A Saint-Laurent, uma das mais importantes avenidas da cidade está cheia de lojas vazias e a Saint-Denis está a ir pelo mesmo caminho. É preciso equilíbrio, porque não se vive só dos residentes. É preciso que as pessoas possam circular. Na Europa há o mesmo problema de estacionamento, mas criaram-se soluções, existem inúmeros parques subterrâneos a um preço razoável, porque não fazer o mesmo aqui?», interroga-se. «Ou então que nos deem uns quantos lugares por comércio, durante certas horas, eu não me importo de pagar um montante ao ano, mas que nos deixem uma alternativa.»

Aumento dos impostos

«Querem aumentar os impostos para 21 porcento», realça Fátima Soares. «Eu não me importo de pagar impostos, mas quando os serviços são feitos. Agora cortam-nos os serviços, não limpam a neve como deve de ser, reduzem os estacionamentos e ainda querem aumentar mais os impostos? Não faz sentido».

Helena Loureiro afirma na sua carta, e em nome dos comerciantes do Boulevard Saint-Laurent que «Este político veio estragar a vida a muitos comerciantes da rua St-Laurent et da avenida Mont-Royal. O boulevard St-Laurent reconhecido a nível internacional como a rua mais movimentada e comerciante de Montréal está agora perto de não ter mais visitantes, isto só por causa deste senhor e das políticas dele. Ele não quer carros, só quer bicicletas e vastos espaços verdes, mas infelizmente o Plateau não pode viver só de isso e dos seus residentes. O Plateau precisa desta vida que o anima todos os dias, esta diversidade cultural que é transmitida pelos seus comércios Luc Ferrandez não só vai acabar com isto como vai fazer do Plateau um parque enorme sem carros e sem gente, depois de isto conseguido vai o Plateau para a bancarrota».

Por isso, e segundo Helena, é tempo de dizer basta. De fazer ouvir a voz de quem cá trabalha e de fazer valer os direitos como comerciantes. «Acho que chegou o momento para nós, cidadãos do Plateau, de se levantar e dizer: Basta! Basta de esta hipocrisia toda, basta de nos tirarem os nossos clientes, basta de aumento de tarifas de estacionamento que tem cada vez menos lugares. Basta de Luc Ferrandez! É preciso tirá-lo de lá que é para podermos ser nós a governar a nossa freguesia tão linda e cheia de sabores e odores! No próximo dia 3 de novembro, basta Luc Ferrandez e fora com ele!»

Reportagem
Luc Ferrandez é mais uma vez candidato à Junta de Freguesia do Plateau Mont-Royal. Muitos já ouviram falar dele por boas e más razões. A verdade é que este político controverso rege a sua política segundo a ótica ecológica, e pela criação de espaços verdes e ciclovias, tornando Montreal a cidade campeã para ciclistas em toda a América.
LUC FERNANDEZ E AS SUAS POLITICAS ECOLOGICAS CRIAM PROBLEMAS AOS COMERCIANTES PORTUGUESES.doc
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