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rss  Vol. XVII - Nº 295         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 28 de Maio de 2020
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Eu voto Pacu!

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Peço desculpa por voltar a falar no Pacu, mas acho esta descoberta de verão uma coisa deliciosa.

O Pacu, como sabem, é um peixe que gosta de comer testículos.

Em linguagem metafórica, dir-se-á que temos coisa parecida na classe política portuguesa, nomeadamente os que gostam de abocanhar os nossos bolsos.

Os irrevogáveis Passos e Portas, por exemplo, acham que o problema do país fica resolvido cortando mais 10% nas pensões.

Os reformados, que trabalharam uma vida inteira a descontar para a Segurança Social, com a esperança de gozar uma reforma que o Estado lhes deu como expectativa ao longo da vida, sofrem agora mais um corte nos fundilhos.

Naturalmente que o Tribunal Constitucional dará a devida resposta a esta monstruosidade testicular.

Como alguém já afirmou, o que está em causa nestes cortes não é a sustentabilidade do sistema, mas conseguir dinheiro à custa da classe mais fraca.

O insuspeito Mira Amaral, que foi ministro em governos PSD, diz que «não faz sentido que os reformados tenham um tratamento fiscal chocantemente mais gravoso do que os ativos», sabendo-se que a sustentabilidade do sistema depende do número e da produtividade dos ativos.

Raquel Varela, coordenadora do estudo «A Segurança Social é sustentável» (Bertrand, 2013), utilizou vários cenários relativamente ao sistema, tendo chegado à conclusão «que mesmo havendo um grande aumento de inativos face aos ativos, um aumento ligeiro da produtividade dos ativos com relações laborais protegidas suportaria ainda mais idosos reformados. Hoje cada trabalhador português é 5,37 vezes mais produtivo do que em 1961, isto é, algo em torno de 430%. Este é o ganho de produtividade alcançado em cinco décadas. Se o sistema era e foi sustentável com produtividade mais baixa, por que não o seria hoje?».

O que o governo pretende com os cortes de pensões é, como alguém já disse, terrorismo de Estado, remetendo para o lixo gerações que se sacrificaram para erguer um país continuamente destruído pela classe política incompetente.

Alguém vê este fervor reformista quando se trata de cortar nas subvenções vitalícias dos políticos?

Onde param os anunciados cortes nas regalias dos titulares de cargos políticos e de organismos públicos?

E os cortes no número de deputados e governantes?

E os juízes do Tribunal Constitucional que se reformam ao fim de 12 anos de serviço independentemente da idade?

É o caso da atual Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, que se reformou aos 42 anos e optou por receber a pensão de reforma, no valor de 7 255 euros, prescindindo do ordenado da presidência do parlamento porque era menos 2 mil euros.

Isto é um bom exemplo para o país?

Os diplomatas, juízes e altas patentes militares são poupados porquê?

Não há dinheiro para pagar pensões, mas há para pagar os crimes cometidos pelos amigos no BPN?

Um governo recheado de ministros mentirosos tem credibilidade para massacrar os pensionistas?

Uma troika que conclui em relatório público, como o FMI, que a austeridade demasiado rápida não funciona em nenhum país, tem credibilidade para continuar a impor cortes às classes mais desfavorecidas do sistema?

E não era esta semana que íamos regressar aos mercados?

Como diz um comentador, estando os cidadãos entregues à troika, Passos, Portas, Seguro, Cavaco e Merkel, temos então uma tempestade perfeita.

Esta classe política formada nas jotas está a dar cabo do país.

A mesma classe política que criou leis que permitem a banca cometer as maiores barbaridades financeiras, para depois socorrê-la, injetando largas centenas de milhões dos nossos impostos.

A política em Portugal está uma desgraça.

Por isso, já decidi.

Nas próximas eleições legislativas, vou votar no Pacu.

Quero vê-lo na Assembleia da República, entre esta classe política, a fazer aquilo que mais gosta...

Crónica
Peço desculpa por voltar a falar no Pacu, mas acho esta descoberta de verão uma coisa deliciosa.
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