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rss  Vol. XVII - Nº 295         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 28 de Maio de 2020
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Carta de Valores Quebequenses

Proposta que visa «aproximar todos os quebequenses»

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

LusoPresse – Foi no Ministério da Imigração e das Comunidades Culturais, em Montreal, que os ministros Bernard Drainville (Instituições Democráticas e da participação cidadã) e Diane De Courcy (Imigração, Comunidades Culturais e Carta da Língua Francesa) receberam os jornalistas da Diversidade, como está na moda agora dizer-se, para fazer o ponto da situação sobre a Carta dos Valores Quebequenses, um documento tão elogiado por uns mas igualmente tão denegrido por outros.

Com o objetivo de pôr os pontos nos ii, o governo, através dos ministros responsáveis pelas Comunidades, e responsável pelo controverso documento, quis ouvir os jornalistas das comunidades sobre o trabalho há pouco publicado. No entanto e apesar disso, os ministros não se livraram do porquê de só agora os terem chamado para «botar» palavra sobre o manuscrito.

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A sala estava cheia e na assistência logo se viu que também entre os jornalistas étnicos a homogeneidade não existe, muito embora se tenha notado que uma maioria não aprova a ideia do governo. Houve até, nalguns casos, jornalistas a tentar justificar-se entre si, o que logo foi impedido pela mesa ministerial...

«O nosso governo prometeu apresentar aos Quebequenses soluções a fim de regularizar a questão dos Acomodamentos Razoáveis e de assegurar a neutralidade do Estado. Estas propostas são dirigidas a todos os quebequenses e visam afirmar os valores que nos unem: igualdade de todos os cidadãos face ao Estado e, em particular, igualdade entre mulheres e homens, a neutralidade religiosa de Estado e de respeito de um património histórico comum. Trata-se de propostas portadoras de coesão social e de relações harmoniosas num Quebeque cada vez mais multiétnico, cada vez mais multiconfessional», haveria de dizer o ministro Bernard Drainville na sua apresentação.

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Drainville explana os seus argumentos. De Courcy observa.
Foto  - LusoPresse

Foi então dada a palavra aos jornalistas que acharam por bem pronunciar-se sobre o tão famigerado documento. Alguns intervieram com conhecimento de causa, defendendo as suas opiniões, a favor ou contra o projeto de Carta. Mas outros, mais valia que estivessem calados, pois para além de não dominarem o assunto, a argumentação apresentada morria logo pela réplica sábia dos dois ministros em questão. Houve mesmo quem, num momento daqueles, se servisse do tempo acordado para falar da falta de publicidade institucional...

Demorou mais de uma hora o debate. E a verdade é que quem entrou a favor da Carta dos Valores Quebequenses, saiu a pensar da mesma forma. Os do contra, também se viu que não mudaram de ideia. Resultado: o impasse está instalado um pouco por toda a parte, mesmo entre os jornalistas da Diversidade.

De salientar que a sessão decorreu com o maior respeito e cordialidade. Aliás, isso mesmo foi reconhecido pelos ministros, ao deixarem um apelo no sentido de que «esta nossa mensagem convida todos os corpos constituídos da sociedade para que a discutem muito serenamente».

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Muitos jornalistas da Diversidade para escutar Bernard Drainville.
Foto  - LusoPresse

Vejamos os cinco pontos apresentados pelo governo à população quebequense.

– Modificar a Carta Quebequense dos Direitos e Liberdades da Pessoa para inscrever a separação das religiões e do Estado, a sua neutralidade religiosa e o caráter laico das suas instituições e balizar os Acomodamentos religiosos;

– Enunciar um dever de reserva e de neutralidade religiosa ao pessoal do Estado;

– Enquadrar o uso de sinais religiosos ostentadores (esta proposta é combinada com o direito de contração de uma duração de pelo menos cinco anos, renováveis em alguns setores);

– A obrigatoriedade de ter a cara descoberta no momento de dar ou receber um serviço do Estado;

– Estabelecer uma política de «mise en oeuvre» da neutralidade do Estado e o enquadramento dos Acomodamentos religiosos para os organismos do Estado.

Os ministros, depois de elogiarem o labor das Comunidades Culturais no Quebeque, ainda adiantaram que estas propostas podem ainda sofrer uma ou outra modificação, mercê do exercício que ora está a ser feito.

Destaque
LusoPresse – Foi no Ministério da Imigração e das Comunidades Culturais, em Montreal, que os ministros Bernard Drainville (Instituições Democráticas e da participação cidadã) e Diane De Courcy (Imigração, Comunidades Culturais e Carta da Língua Francesa) receberam os jornalistas da Diversidade, como está na moda agora dizer-se, para fazer o ponto da situação sobre a Carta dos Valores Quebequenses, um documento tão elogiado por uns mas igualmente tão denegrido por outros.
Carta de Valores Quebequenses.doc
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