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A propósito de João Álvares Fagundes...

Na Terra dos Bacalhaus (Terra Nova)

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Antes de abordar este assunto deixem-me dizer o que me levou a interessar por tal texto, dado que é mais um trabalho para peritos de História.

Em 1981, ainda «perdido» de fresco nos bancos universitários num curso de História que fiz sobre a presença dos navegadores portugueses na costa do Nordeste Canadiano, eis-me agora picado pelo bicho da motivação para falar de Fagundes.

Nesse ano de 1981, o professor de História, universitário da Nouvelle France na UQÀM, num dos cursos opcionais permitiu-me que falasse dos navegadores portugueses sob a condição de falar da navegação e das pescas. De modo que o título do curso passou a chamar-se «As pescarias e a presença dos Navegadores Portugueses no Canadá, entre 1500-1570».

Faz agora 31 anos que visitei Viana do Castelo e na altura a curiosidade levou-me a visitar o museu, perguntando ao funcionário se havia alguma coisa escrita sobre Fagundes. O funcionário apenas me disse que havia um familiar de João Fagundes em Ponte de Lima que tencionava escrever sobre ele. Hoje existe um Centro de Estudos Regionais de Viana do Castelo, como Instituto Histórico do Minho. Contudo, depois dos estudos feitos sobre os Cortes Reais e da carta de D. Manuel I doada em 1521, a presença do enigma de J.A. Fagundes no Nordeste Canadiano, hoje Províncias Marítimas do Canadá, ainda continua a pairar na História. De uma pesquisa que surge agora com alguns dados novos da rota portuguesa da navegação e que um dia se espera que possam provar datas mais claras, antes do reinado de D. Manuel I.

Do navegador J.A. Fagundes sabe-se ultimamente um pouco da sua vivência na foz do Lima, em Viana do Castelo. Contudo, não se sabe exatamente quando nasceu. Sabe-se que faleceu em 1522. Agora na nova pesquisa apenas são avançados alguns cálculos de aproximação sobre novas pistas.

Apesar de tudo, segundo alguns pesquisadores e gentes desta região minhota, surgem novas informações sobre este navegador que afirmam que deteve várias funções no país e na cidade de Viana do Castelo, desde os anos 1470-1522, entre o reinado de D. João II e de seu filho D. Manuel I.

Estas datas foram cruciais, porque foram um ninho (de ratos?) da espionagem cartográfica do Atlântico, que se passava entre Lisboa e Veneza, onde um tal Alberto Cantino era ativista. Da encruzilhada dos segredos náuticos da navegação pelo outro lado do Atlântico.

Tentarei, num próximo texto, avançar algumas hipóteses (especulativas) daquilo que entendo por ninho de ratos, e mais dados biográficos de Fagundes. No entanto, entre as datas acima mencionadas, realizou-se o Tratado de Tordesilhas, em 1493, seguindo-se a Inquisição imposta pelo papa Alexandre VI e os reis católicos.

Vejamos o que se diz a propósito das cartas náuticas portuguesas, ao todo 10 cartas que mostram as Canárias e a Madeira. No mapa portulano denominado «Laurenciano» de 1370, aí já se veem as nove ilhas açorianas. Pedro Magalhães Godinho acrescenta que a partir de 1380 e 1385 já se veem estas nove ilhas que passam a figurar sistematicamente nas cartas náuticas.

Ora, o Tratado de Tordesilhas concedia a Portugal a exploração dos mares «gelados, nevoentos, frígidos e misteriosos das costas do Canadá, da Gronelândia e Terra Nova.» Passariam assim a pertencer a Portugal!

Quanto ao «ninho de ratos», um novo estudo histórico regional avança que o alvará que autorizou a primeira viagem ao Labrador, data de 28 de outubro de 1499.

Para terminar este primeiro texto sobre Fagundes, gostaria de aqui citar um pequeno escrito de uma carta de um antepassado da genealogia da família Fagundes que escreve o seguinte: «Nesta publicação que fiz no ano 2000, pensei incluir a aguarela da tua querida Casa Solar de Cortegaça cujo portão primitivo ostenta as armas dos Rochas Fagundes, ligando-a assim com laços imorredouros à descendência desse homem do mar que foi João Alvares Fagundes.»

Termino aqui este texto e voltarei para expor mais alguns dados sobre o assunto Fagundes.

PS – Incluo neste texto um brasão do solar de Cortegaça da família Rocha de Fagundes.

Ref.: Pedro Magalhães Godinho, Fagundes e a Descoberta do Canadá, Ponte de Lima 2000. Biblioteca Pública de Viana do Castelo.

Crónica
Antes de abordar este assunto deixem-me dizer o que me levou a interessar por tal texto, dado que é mais um trabalho para peritos de História.
A proposito de Joao Alvares Fagundes na Terra dos Bacalhaus.doc
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