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rss  Vol. XVII - Nº 294         Montreal, QC, Canadá - domingo, 13 de Outubro de 2019
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Encontro com... Antonio Ribeiro

«Nasci para ser jogador de futebol»

Entrevista de Laurence-Emmanuelle Bédard

Chegado em Montreal quando tinha apenas 11 anos de idade, Antonio Ribeiro começou a jogar futebol numa liga municipal. O que o atraiu para o esporte, era o espírito de equipa, o esforço físico, bem como a oportunidade de superar-se a si mesmo. No chão, o tempo parecia parar e todos os esforços e investimentos realizados para o esporte pareciam naturais. Essa paixão se reflete hoje nos projetos inovadores que realiza desde sua a aposentadoria como jogador profissional na Major League Soccer.

 

A École de Soccer Antonio Ribeiro nasceu a partir do desejo de compartilhar a sua experiência com os jovens jogadores, uma oportunidade da qual Antonio Ribeiro não pôde beneficiar na sua infância. O recém-aposentado está consciente do impacto que pode ter sobre a motivação e o progresso dos seus jovens recrutas.

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Mais e mais jovens quebequenses jogam futebol e treinadores qualificados são raros. Foi principalmente para atender a essa necessidade que a École de Soccer foi criada: para que os jovens apaixonados de futebol possam melhorar as suas habilidades enquanto estão sendo supervisionados por profissionais. Comunicador por natureza, Antonio Ribeiro sabe como atrair a atenção dos recrutas e como gerenciar um grupo. «Eu sou o tipo de treinador que, quando o treinamento for concluído, reserva algum tempo para jogar com os jovens. Divirto-me fazendo meu trabalho, e quero que se sinta».

Antonio Ribeiro investe-se de corpo e alma em seus projetos, e para ele, o mero reconhecimento dos pais e dos jovens é suficiente. «Cada vez as pessoas voltam em maior número. Não faço nada excepcional, mas sei que confiam em mim, este é o lugar onde vejo que eu posso fazer a diferença».

Os serviços oferecidos são muitos e incluem: gestão de ligas de futebol, sessões privadas, uma liga corporativa, cursos extracurriculares e acampamentos.

Cada curso oferecido pelo jovem profissional tem em conta todos os aspetos a ser trabalhados para ajudar os alunos a aperfeiçoar todas as suas habilidades. Cada serviço é cuidadosamente planejado e concebido de acordo com o cliente, para combinar sempre rigor e prazer. Por exemplo, durante os acampamentos de verão, cada dia é dedicado a um aspeto técnico particular (passar, malabarismo, etc.), todos os alunos são avaliados na sexta-feira, e fecha-se a semana com um churrasco. Além do físico, Antonio Ribeiro acredita que o seu ensino também permite que os jovens desenvolvam valores como o espírito de equipa, a paciência, o compartilhamento e a disciplina.

Recentemente, nasceu o projeto de Ligue Corporative, com a participação de Antonio Ribeiro à Copa Centraide do Impacto, um torneio benefício no qual várias empresas se enfrentam para arrecadar fundos para o organismo. «Achei interessante a mania que tinham as equipas. Houve empresas que tinham até cheerleaders!» Notando o interesse no esporte dos empregados das empresas, Antonio Ribeiro decidiu lançar esta liga, para que possam colocar os seus esforços num campeonato dedicado a eles. Esta liga não só é projetada para promover a atividade física, mas também a construção de equipa (teambuilding) e de redes (networking), de modo a que os profissionais possam criar laços profissionais através do esporte.

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Esta liga oferece serviços inovadores, tais como a presença de um fisioterapeuta a cada jogo que assegura assistência imediata em caso de lesão e uma primeira sessão de treinamento sempre feita com Antonio Ribeiro. Além disso, o Centro de Mansfield juntou-se à escola de futebol para realizar o projeto. Eles oferecem um mês de acesso gratuito às suas instalações, além de um desconto de 25% na taxa de inscrição anual para os participantes.

Segundo Antonio Ribeiro, o mais interessante é o prémio atribuído às três equipes vencedoras do torneio da liga: um cheque que deve ser dado a uma das cinco fundações propostas pela liga. Os prémios serão entregues durante uma receção no restaurante Cavalli, onde estará convidada a prensa. «Aqui, nós começamos em novembro em Montreal, mas eu também aponto outras grandes cidades canadenses», acrescenta o empresário.

Além disso, o acampamento de rascunho é outro sucesso do qual pode se orgulhar Antonio Ribeiro. «É um projeto que me dá uma grande sensação de realização», compartilhou ele. De facto, o campo encoraja tanto o sucesso académico como a excelência atlética. Durante três dias, treinadores universitários americanos são convidados a ficar em Montreal para observar os recrutas para depois selecionar os talentos brutos.

A ideia nasceu em colaboração com Freddy Moojen, ex-jogador do Impacto. Ambos atletas têm desenvolvido este projeto, contribuindo com o seu conhecimento e contactos. A primeira edição foi realizada no ano passado e este ano, 11 rapazes e 13 raparigas foram recrutados por universidades americanas, que lhes dão bolsas para estudar e jogar nos Estados Unidos. O projeto está crescendo gradualmente e Antonio Ribeiro espera atrair universidades renomadas tais Harvard e Cornell.

Fora da École de Soccer, Antonio Ribeiro também trabalha como analista desportivo, primeiramente com TVA Sports e agora em Radio-Canada. Acredita que, como ex-jogador, tem a vantagem de conhecer o outro lado da moeda. «Acho que temos vindo a uma fase em que temos que educar as pessoas sobre o futebol», afirma ele.

Ainda que goste de aparecer na televisão e falar sobre o que mais o apaixona, o começo foi difícil porque não foi formado para este trabalho e teve que ser autodidata. «Nós filmamos. Tu falas» foi o que me disseram, disse o atleta rindo.

Empreendedor por natureza, Antonio Ribeiro tem a intenção de desenvolver novos ramos para a sua escola de futebol, sempre a fim de transmitir seu amor pelo esporte. Não fique surpreso de ouvir mais sobre ele.

Perguntas ao Antonio Ribeiro

 

-- Qual é a realização da qual te orgulhas mais?

-- É haver sabido, desde muito jovem, escolher o objetivo de ser jogador profissional de futebol. Fiz os sacrifícios necessários para atingir meus fins. Muitas vezes eu não saía com os amigos à noite, também ia correr antes de ir para a escola e agora estou orgulhoso de ter feito uma carreira como atleta profissional em Montreal e na Califórnia.

-- Quando não tocas uma bola de futebol que fazes?

-- O que eu faço? (risos) Eu relaxo ou... tenho duas irmãs mais velhas; assim muitas vezes há uma parede que tem que ser pintada ou móveis para mover! Mas a verdade, sempre estou no futebol.

-- Qual é o teu ídolo? E porquê?

-- Cresci na época do Maradona e me identifiquei muito com ele, pois ele era pequeno, veio dum meio pobre e conseguiu subir as fileiras para se tornar o melhor jogador do mundo, talvez de todos os tempos. Acho que, como ele, eu sou uma pessoa muito persistente, tomei isso dele.

-- Se pudesses jogar ao lado de qualquer jogador de futebol, quem teria sido?

-- Ronaldo! O fenómeno brasileiro. O que gostava era que era super rápido, talentoso, inteligente e carismático. Era muito amado pela gente. Foi realmente um jogador completo, que poderia marcar de cabeça, acelerar em tempo recorde, e conseguia controlar a bola como nenhum outro.

 

-- Que talento gostarias de ter?

-- Sempre fui impressionado com aqueles que correm muito rápido. Isto é algo inato que teria beneficiado.

-- Se não tivesses sido um atleta, que outra profissão houveras gostado praticar?

-- Perguntaram-me a mesma coisa quando era jovem e para mim nunca houve qualquer outra opção. Minha primeira escolha era ser jogador de futebol, minha segunda era ser jogador de futebol, e a minha terceira... ser jogador de futebol. Eu não via nada além disso.

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