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rss  Vol. XVII - Nº 294         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
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Em Bóston, perante 62 310 pessoas

Portugal derrotado pelo Brasil (1-3)

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Foxboro, Nova Inglaterra – De visita à Nova Inglaterra, não podíamos falhar o jogo de futebol de caráter amigável Portugal – Brasil, que teve lugar na pequena localidade de Foxboro, não muito longe da importante cidade de Bóston.

Sem credencial para assistir ao desafio, visto o nosso «séjour» terminar no domingo anterior a tão interessante embate, decidimos porém arriscar e ficar para ver a partida, por sinal a primeira da Seleção Nacional de Portugal e, já agora, também do Brasil, nas nossas cinco décadas de vida!

Com duas horas de antecedência, deixámos Warren, cidade sede da nossa visita, e lá fomos a caminho do Gillette Stadium, propriedade dos «Patriotas», equipa de futebol americano, mas que também serve de casa ao Revolution, formação futebolística que integra a Major League Soccer, de par com o Impacto de Montreal e mais 17 outras equipas... Escusado será dizer que ainda longe do estádio as filas indianas de carros eram grandes e morosas. Valeu-nos que o nosso condutor, o Pedro Arruda, se protegeu atrás de uma ambulância até à entrada para o parque de estacionamento do estádio, tornando a nossa rota muito mais rápida e até mais segura. Entretanto, pelas bermas da estrada, em jeito de romaria, muita gente a pé a caminho do estádio. Também vimos bastante gente nas matas mais próximas do Gillette Stadium comendo as mais variadas peças de carne ou chouriço grelhados, preparadas ali mesmo. E muitos carros com placas do Texas, Virgínia, Florida, etc., numa demonstração cabal de que o Portugal – Brasil interessou portugueses e brasileiros de todo os Estados Unidos. Ah, sim. Também muitos carros do outro lado da fronteira, do Quebeque e do Ontário... Foi assim uma festa alargada quase a um continente, apenas com o propósito de assistir a um jogo de futebol entre «duas equipas forasteiras». Muitas bandeiras vermelhas e verdes, por um lado, e azuis e amarelas, pelo outro, logo nas ruas e estradas que davam ao estádio deram a perceber de que a festa seria de um colorido impressionante. Não nos enganámos!

Portugal Brasil Norberto.JPG
Impressionante, o Gillette Stadium.

Muitos dos aficionados foram deixando, como se deixa perceber, os carros em tudo o que era buraco, nalguns casos, como é evidente, com troca de remuneração. Ora em parques de estacionamento de restaurantes, ora em parques de oficinas de mecânica e afins. E isso porque o parque do estádio, embora enorme, não teria lugar para todos. Outra razão para isso, eram os 40 dólares a desembolsar para ali estacionar...

A famigerada credencial

A nossa entrada no parque do Gillette Stadium foi feita de maneira suave pela simples razão de que já conhecíamos os «cantos à casa», como se costuma dizer. É que, no domingo anterior, tínhamos ido assistir ao jogo Revolution – Impacto, que já contaremos noutra local. Assim sendo, passámos tranquilamente as várias «barreiras» até chegarmos ao espaço reservado aos jornalistas. Foi o Cartão profissional que nos salvou. Mas faltava-nos a última e decisiva etapa: obter a credencial para assistir ao jogo...

Numa primeira abordagem foi-nos dito que não. «Agora só atendemos os jornalistas que vêm recuperar a credencial e para isso houve um prazo a respeitar», foi-nos dito pela chefe de Imprensa do Revolution, que foi quem organizou o encontro. Felizmente que tínhamos connosco o Cartão de jornalista profissional, que garantia que não era nenhum oportunista que ali estava. Mais importante ainda foi termos apresentado a credencial do domingo, do jogo Revolution – Impacto, fornecida por ela mesma e que assim provava a nossa seriedade. Num repente, o «não» tornou-se num «sim» sem nenhuma dificuldade. Um sorriso largo da sua parte – bonita quarentona – e logo foi dada ordem para que nos fosse emitida a tão almejada credencial. E já com ela ao pescoço, foi-nos dito se precisávamos de acompanhamento até à sala de Imprensa. A nossa resposta foi que «Já conheço o trajeto».

Na sala de Imprensa

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Depois de sair do elevador que nos conduziu à sala de Imprensa a nossa surpresa foi total: um montão de jornalistas, com uma língua em destaque, a Portuguesa, mas com tons/sons brasileiros! Viríamos a saber depois que tinham vindo do Brasil 100 jornalistas. De Portugal, a informação que tivemos foi que apenas 10 lusitanos marcaram presença no Gillette Stadium. Que grande diferença!

Aos 10, entretanto, podiam juntar-se mais dois do Canadá, nas pessoas deste vosso servidor e na de Alexandre Franco, de Toronto – já foi nosso, por ter vivido vários anos em Montreal. Vá lá, notámos mais um dos nossos, oriundo duma estação de rádio de New Bedford, cujo nome não retivemos... Um jovem de origem cabo-verdiana também marcou presença. Mas devem ter estado mais alguns portugueses dos órgãos de informação locais, sem que os pudéssemos identificar.

Depois de breve conversa com Alexandre Franco, foi com um jornalista americano de origem guatemalteca que mais dialogámos. O mesmo que dois dias antes tínhamos visto no desafio Revolution – Impacto.

O desafio

Portugal começou a todo o gás. Teve uma bola no poste e marcou o primeiro golo – que viria a ser o único –, resultado de uma aselhice de Maicon, que nos pareceu sem ritmo para fazer parte de uma equipa que tem ambições de ser campeã do Mundo. Foram 10/15 minutos de domínio português, com Nani a querer assumir o papel de patrão, de jogador mais credenciado, sabendo-se da ausência de Ronaldo.

Mas depois daquele período, Portugal começou a fraquejar, passando a chegar sempre atrasado nas bolas divididas. Foi também por essa altura que Neymar começou a engrenar, aproveitando-se da fraqueza do seu antagonista direto, João Pereira. E com esse fraquejamento, vieram os lances mais ríspidos, quase todos sofridos precisamente por Neymar... Daí a haver algum descontrolo na equipa portuguesa foi um passo. De líder no jogo e no resultado, Portugal passou a correr atrás da bola e do adversário. Ao intervalo não era surpresa a vantagem do Brasil. O resultado, fruto de excelente cabeçada de Thiago Silva, após canto apontado por Neymar; e de uma soberba jogada deste jovem avançado, que fintando vários jogadores portugueses não teve dificuldade em bater Rui Patrício, era já de 2-1 favorável ao Brasil.

A segunda parte começou com o golo de Jó, logo aos 49 minutos. Nas hostes jornalísticas portuguesas houve quem temesse pela goleada, ao lembrarem-se dos seis golos do último jogo que Portugal realizou no Brasil, com um guarda-redes (Quim) desastrado na baliza, onde cada remate deu golo... Mas embora dominando a partida e com algumas oportunidades à mistura, o Brasil ficou-se pelos três golos, com Portugal a não ter conseguido melhor que o tento de Rui Meireles, no dealbar da partida, quando tudo eram promessas.

Não foi bem jogada a segunda parte. As várias substituições, de parte a parte, nada trouxeram de novo. Nem mesmo com a entrada de Pato, portanto, um avançado que fez furor no Milão e que nos pareceu em baixa de forma, por muito parado e sem alegria. Do lado de Portugal, sem Ronaldo, o outro elemento que tem categoria para brilhar sempre, Coentrão, não só pareceu também não estar em forma – não tem jogado no Real Madrid – como acabou por ser substituído. Valeu alguns rasgos de Nani e pouco mais. Quem terá ficado contente neste encontro foi Licá, que se estreou pela Seleção Nacional. (Há poucos meses estava no Estoril e nunca foi nem tido nem achado para representar a Seleção. Porém, chegou ao Porto e logo passou a ter estatuto de seleção. Que competências...)

Depois do jogo

O treinador português, sempre com aquele ar arrogante, que até pode ser enganador para nós que não o conhecemos, haveria de dizer que a equipa portuguesa não tinha posto em campo a sua habitual competência, bla, bla, bla... O que ele não disse é que uma equipa joga o que a outra deixa jogar. A derrota acabou por ser fruto, sem nenhuma dúvida, de uma prestação superior do Brasil, como admitiu Luiz Scolari, mesmo se deixou elogios ao adversário, que representou e onde passou anos muito bons.

Teria sido interessante ter assistido ao mesmo jogo mas com a presença de Ronaldo. Que é o grande jogador da equipa portuguesa. Mas que, sem ele, como não se cansou de dizer o representante da SIC, «a nossa seleção é muito fraca».

Desporto
Foxboro, Nova Inglaterra – De visita à Nova Inglaterra, não podíamos falhar o jogo de futebol de caráter amigável Portugal – Brasil, que teve lugar na pequena localidade de Foxboro, não muito longe da importante cidade de Bóston.
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