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rss  Vol. XVII - Nº 294         Montreal, QC, Canadá - domingo, 13 de Outubro de 2019
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Burrice dos partidos

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Pela primeira vez na história das eleições autárquicas, vamos ter uma campanha eleitoral sem debates entre os candidatos.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) entende que a comunicação social deve tratar por igual todas as candidaturas, o que obrigaria as televisões a organizar centenas de debates, coisa impossível em qualquer programação deste mundo.

Mas como a CNE não vive neste mundo, não há nada a fazer.

A interpretação da lei por parte da CNE até pode ser a mais correta, mas aplicá-la com esta rigidez é uma autêntica bizarria.

Este problema, que não é novo, reflete a preguiça dos partidos e, também, uma grande incompetência por parte dos legisladores.

Ainda há pouco tempo tivemos essa vergonha legislativa, que foi a polémica sobre se os autarcas dinossauros poderiam ou não voltar a se candidatar noutros concelhos.

Uma lei mal feita em 2005 nunca foi corrigida por suas excelências no parlamento.

Agora temos esta lei eleitoral autárquica, revista em 2001, que se revela um aborto.

E, mais uma vez, os partidos não a corrigem.

A minha tese é que os partidos estão interessados nestas confusões, retirando aos jornais e jornalistas o papel de moderadores na contenda eleitoral.

É preferível discutir as propostas em ambiente restrito, nas localidades, junto dos eleitores, sem a moderação da comunicação social, o que permite o aparecimento dos maiores disparates eleitorais e muita palhaçada à mistura.

Perde a democracia, perdem os eleitores, perde o jornalismo.

Vence, portanto, o poder da propaganda e do malabarismo político.

Exigir à comunicação social que trate por igual partidos com dimensões diferentes, candidaturas com menos notoriedade do que outras, decorrentes da dimensão das localidades e concelhos, é um autêntico absurdo.

Se o argumento é este, então porque se atribuem tempos de antena aos partidos de acordo com a sua representatividade eleitoral?

Se é para tratar todos por igual, então por que razão os partidos mais pequenos recebem subvenções do Estado menores do que os partidos maiores?

Para umas coisas exige-se tratamento igual, para outras é conforme o interesse das estruturas partidárias.

Nos Açores houve sempre a preocupação de tratar as campanhas com muito rigor, dando oportunidade a todos, apesar de algumas imperfeições.

Mas isso só é possível pela nossa dimensão.

No universo nacional é tarefa impossível.

Não admira que a CNE já tenha recebido, até agora, quase duzentas queixas, sendo meia centena referentes a tratamento jornalístico discriminatório de candidaturas.

A CNE que se vá habituando, pois com esta lei paranoica, não há jornalismo que resista.

O pior é que a democracia fica mais pobre e, paradoxo dos paradoxos, são as candidaturas mais pequenas que ficam a perder.

As máquinas dos partidos maiores têm meios para fazer chegar a mensagem mais facilmente aos eleitores, mesmo que isto custe os olhos da cara aos contribuintes, enquanto os mais pequenos ficam, assim, arredados dos debates e de uma maior visibilidade eleitoral.

É impossível calcular o reflexo destas atitudes no comportamento do eleitorado, mas certamente que o poder mobilizador poderá ser prejudicado na ida às urnas.

Uma coisa é certa: o jornalismo do rigor e de qualidade cumpre a sua função ao alertar os partidos para o disparate.

E apesar do entendimento da CNE, é perfeitamente aceitável que a comunicação social contorne o disparate com um tratamento jornalístico adequado, mesmo que subversivo.

A não ser que os eleitores se conformem com a asneira, agradecendo por assistirem a uma campanha menos ruidosa e por não ouvirem tanta tontice que vai por aí nesta campanha.

Fiquemo-nos, então, pelas festas pimba e pelas propostas de rotundas, avenidas, marinas e muito betão.

Siga a festa, que a fatura chegará depois.

Crónica
Pela primeira vez na história das eleições autárquicas, vamos ter uma campanha eleitoral sem debates entre os candidatos.
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