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rss  Vol. XVII - Nº 292         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
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Festas de Saint-Calixte

Natureza e alegria de viver de par

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Na nossa última edição falámos na pequena cidade, cerca de seis mil habitantes, de Saint-Calixte. No texto, pusemos em relevo a promoção da primeira edição do que foi apelidado de «Primeiro Encontro Internacional de Grelhados de Sainte-Calixte» se bem que, em 2012, tenha sido feita a primeira tentativa que, pela voz do seu jovem «maire», não foi nada conseguida, com o promotor a não ter dado conta do recado; daí que, este ano, fosse a própria Câmara Municipal a tomar as rédeas da organização. E porque o falhanço em 2012 foi total, vai daí, esqueça-se o que foi feito e, este ano, tudo recomeça de novo, com o festival a ser classificado de «Primeiro»...

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Convidado a assistir às festividades por Louis-Charles Thouin, jovem presidente que deixou não há muito tempo a profissão de banqueiro, onde era bem remunerado, para abraçar a coisa pública através da política, o LusoPresse lá se fez representar por este vosso escriba no segundo dia da festa, o sábado. E connosco foi a Anália, nossa companheira dos bons e maus momentos, e a nossa filha Petra, mais o marido e os nossos três netos.

Saímos de casa, em Laval, era pouco mais do que meio-dia. Seguimos pela autoestrada 640 em direção Este, que não fica muito longe do nosso habitat. Atravessámos Terrebonne, seguimos por perto de Mascouche e lá fomos ultrapassando várias localidades, umas mais pequenas do que outras, umas mais importantes do que outras. St-Lin, onde temos alguns amigos, foi uma das cidades calcorreadas por nós. As estradas 335 e 337 foram aquelas que mais sentiram os pneus da carrinha do Pedro (genro), feito nosso condutor ad hoc, até chegarmos a Saint-Calixte. Como paisagem, muitos terrenos planos, quase todos campos de milho. Como surpresa, os vários campos de futebol ao longo do nosso trajeto, sinal que o futebol está a progredir imenso nesta terra. Sempre que avistávamos um desses lugares desportivos tanto do nosso agrado, o Shéu, nosso netinho de dois anos e já fervoroso adepto da bola no pé, gritava: «vavô, futbol».

Chegámos a Saint-Calixte depois da uma da tarde. Na rua Principal, lá estavam os voluntários e a polícia local a encaminhar os forasteiros para o parque de estacionamento, um baldio enorme, onde se sentia ainda o cheiro da erva cortada para dar lugar aos muitos automóveis, furgonetas, autocarros, motas, etc., de todos quantos decidiram visitar Saint-Calixte durante este seu «Primeiro Festival Internacional de Grelhados».

Depois de estacionada a furgoneta Honda do Pedro, acabadinha de ser adquirida, lá fomos a pé até à rua da Câmara Municipal, onde estavam todas as instalações do festival. Na rua e no parque da igreja que dá nome à cidade desde 1954 – ano do nosso nascimento... Antes (1832), a cidade chegou a chamar-se de Canton de Kilkenny, nome de cidade irlandesa da província de Leinster. Escusado será dizer que os primeiros habitantes deste pequeno burgo foram de origem irlandesa.

À entrada para o recinto festivo, os visitantes, e mesmo os locais, tinham de parar para comprar o ingresso, ao custo de 12 dólares por pessoa, com as crianças a terem entrada gratuita. No nosso caso, apresentámos o prévio convite feito pelo «maire» e logo nos foi facultada a entrada, não sem que nos fosse colocado um bracelete especial de forma a facilitar o nosso vaivém... Logo adiante demos com a presença da deputada federal pelo círculo eleitoral de Montcalm, região no interior da Lanaudière que vai de St-Calixte até Mascouche, a sul. Manon Perreault, do Novo Partido Democrático, pedia, instalada num quiosque de tons partidários, que os transeuntes assinassem duas petições de protesto ligadas às armas e aos transportes. Muitos passavam, olhavam e seguiam em frente. Outros pediam esclarecimentos e, depois, na maior parte dos casos, acabavam por assinar os documentos. Foi o nosso caso.

Mais adiante deparámos com o recinto propriamente dito. No seu interior, dois grandes palcos preparadíssimos para receber os músicos que neles haveriam de cantar e tocar. À volta destes, uma vintena de barracas, cada uma delas apresentando as suas características. Algumas para venda de bebidas, desde a cerveja aos sumos e outros licores; outras para venda da mais diversa gastronomia, desde os tão procurados «hot dogs», às pizzas, sem esquecer as hambúrgueres e afins. De grelhados, que embora desconfiados pensávamos que pudesse haver, afinal, o nome do festival não indicava «...Festival Internacional de Grelhados?», nem vê-los! O que vimos foi um porco, mais ou menos grande, assado no espeto e dividido pelos presentes durante a festa. Vimos igualmente um ou outro grelhado, como prova, mas nada do que estava à partida no nosso subconsciente. Galinhas, costeletas de porco, chouriço, já para não falar das nossas sardinhas, nada, nicles! Antecipadamente ainda acreditámos que por ter colaborado com a organização, Eduardo da Costa, sim, esse, o empresário de grandes artistas no Quebeque, influenciasse um pouco os organizadores para que isso acontecesse... Puro engano. Talvez isso aconteça para o ano. Quem sabe?

Não houve gastronomia lusitana nem tão-pouco presença nossa no plano artístico. Mas algumas comunidades marcaram presença neste festival. A marroquina, por exemplo, com a sua gastronomia; a brasileira com os seus sambistas, entre outras.

Ainda no plano puramente gastronómico, realce para o concurso/brincadeira do maior comedor de «hot dogs», um momento hilariante durante aquela tarde de sábado e que teve a particularidade de ser animado pelo próprio Presidente da Câmara.

Dos músicos, nos dois palcos, eles foram-se revezando. E embora a música e vozes soassem bem, a verdade é que nunca fomos prestando muita atenção. Como já adivinharam, a nossa maior preocupação estava virada para o interesse dos nossos netos, para as suas brincadeiras levadas a cabo em lugar próprio, com muitos engenhos, tudo com a supervisão de jovens voluntários. Escaladas, «Safety rules», «Circus world», «Rescue squad», Maquilhagens, Jatos de água, procura de balões e muito mais, coisas que fizeram as delícias do Shéu, da Zária e da Tiana, assim como de todas as outras crianças, em número considerável...

Cansados, os netos e, já agora, nós também, decidimos regressar a Laval ao entrar da noite, quando, é verdade, estavam a chegar os artistas mais reputados, como eram Wilfred Le Bouthillier (porta-voz do festival), Eva Ávila, Richard Petit, entre outros. Quem não chegou a vir, disseram-nos, foi Marjo, que se lesionou dias antes da festa...

Dos artistas que vimos e mais gostámos durante as largas horas que passámos em St-Calixte foram os acrobatas do Circo Carpe Diem e o seu ilusionista Benoït Fournier. Só por eles, amanhã mesmo voltávamos a Saint-Calixte!

Em forma de rodapé, acrescentaremos que Louis-Charles Thouin se nos dirigiu, agradecendo a nossa presença, já que talvez duvidasse de que marcaríamos presença na «sua» festa. Surpreendente foi o nosso contacto com Nicolas Marceau, ministro das Finanças do Governo do Quebeque, também de passagem pelas festas de Saint-Calixte.

 

 

Folclore
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