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rss  Vol. XVII - Nº 292         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
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Okanagan Valley

Um canto do paraíso!

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

A razão da nossa ida a Kelowna já foi aqui assinalada. Mas nunca é demais repeti-lo, pois não fora isso, os 50 anos do meu querido irmão mais novo, ainda hoje não conhecíamos um cantinho do paraíso que é toda a região do Okanagan Valley.

Para já, um ponto de ordem. Este relato da nossa ida ao sul da província da Colômbia Britânica será feito em dois tempos. O primeiro centrar-se-á na nossa viagem e estada no Okanagan Valley. No segundo focalizaremos aspetos das nossas visitas às coisas e organizações portuguesas que, embora não sejam em grande número, elas lá estão bem implementadas. Importante, para já, é também dizer que o nosso primeiro trabalho é publicado na edição do LusoPresse de hoje e que o nosso segundo texto (pode haver outros) será publicado apenas na nossa próxima edição que sairá logo após as férias.

A viagem

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Chegados a Kelowna fomos recebidos pelo Luís (ao centro) e pela Alice, à direita
Fotógrafo  - LusoPresse

Por razões de ordem profissional e familiar, a nossa viagem para Kelowna, começando em Laval, como não podia deixar de ser, foi feita de automóvel até Toronto. Um percurso de cinco horas, feito tranquilamente, com a Anália a ajudar na condução, o que logo facilita as coisas. De Toronto fomos até Mississauga tomar um café a casa da Fátima Furtado – o Domingos, amigo de tantas ocasiões, infelizmente já não para por casa, a doença maldita levou-o não faz muito tempo.

De Mississauga ao Aeroporto Pearson, apesar do apertado trânsito, fez-se em pouco mais de 30 minutos. Foi a Fátima, mulher de todas as bondades, que nos levou à aerogare. E deixou-nos com tempo para chegarmos ao balcão de partida para Vancouver. Com algum peso a mais, uma surpresa para nós, e depois de algum diálogo, lá a funcionária da Air Canada, muito gentilmente, nos deu instruções para que tudo se desenrolasse na ordem. O pior viria a seguir.

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Mercearia portuguesa
Fotógrafo  - LusoPresse

Na sala de embarque, com entrada para o avião prevista para as cinco da tarde, a espera tornou-se desesperante. Primeiro porque nos foi dito que o avião estava atrasado, com uma avaria, «os mecânicos estão dentro da aeronave», anunciaram e, depois, porque assim, a nossa ligação Vancouver/Kelowna estaria em risco. E nós (eu e a Anália) que tínhamos que chegar no mesmo dia (quinta-feira) a Kelowna, visto no dia seguinte ser o dia de aniversário de meu irmão, onde lhe tínhamos preparado a surpresa de estarmos presentes no dia dos seus 50 anos. Para mais a saber que o avião tinha uma avaria e que se preparava para fazer um percurso de cerca de cinco horas... Não achámos nenhuma piada, até por termos sabido que «os mecânicos estão dentro do avião»...

Contrariados mas expectantes, lá esperamos por novidades. As comissárias foram anunciando, quase de meia em meia hora, novos atrasos. Até que chegou a hora de nos dizerem que tínhamos direito a senhas para jantar e que o voo só sairia de Toronto depois das nove da noite. Agora, a informação era de que estavam à espera de outra aeronave, do mesmo tipo e tamanho, visto a avaria do primeiro não ter sido resolvida atempadamente.

Foi nessa altura que explicámos a nossa situação. As escolhas eram várias. Esperar pelo voo das nove da noite, ficar em Toronto até à manhã do outro dia ou a hipótese de tomar o avião em direção de Calgary que partia imediatamente. Foi esta última opção que aceitámos, embora sabendo que a nossa ligação para Kelowna só aconteceria às seis da manhã de sexta-feira. Deram-nos 10 minutos para corrermos para o avião, com a garantia de que hotel e alimentação estariam assegurados na capital canadiana dos Cowboys.

Num DASH 400 da Bombardier, a chegada ao Aeroporto de Kelowna fez-se em uma hora e 10 minutos. À nossa espera as nossas filhas Karene e Ludmila, junto com a minha cunhada Alice, visto o meu irmão estar a léguas de saber que eu e a Anália estávamos a caminho. De resto, a primeira surpresa aconteceu no próprio aeroporto, quando a Anália se confronta com as filhas – tínhamos organizado a viagem sem a Anália saber –, primeiro que ia a Kelowna, foi já no Aeroporto Pearson que ela ficou ao corrente e muito menos que as filhas também lá estariam.

Lágrimas e sorrisos

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De «coração leve», as lágrimas da Anália começaram no aeroporto e continuaram em casa de meu irmão, atónito com a nossa presença. Ele que poucas horas antes me havia enviado uma mensagem texto, abraçado às minhas filhas, dizendo que a surpresa tinha sido grande e que tinha pena de eu também não poder estar presente. Imaginem a cena!

Depois dos abraços, choros e sorrisos, logo começámos a preparar o programa, pois três dias (o quarto ficou-se pelos aeroportos, como já vimos) para visitar tanta coisa; tudo tinha que ser estabelecido quase ao minuto...

O nosso primeiro destino foi visitar o centro da cidade de Kelowna. Um burgo de cerca de 130 mil pessoas, situado ao centro de uma cadeia de montanhas a fazer lembrar a minha ilha. Um magnífico e extenso lago espalha-se ao longo de toda a cidade. Uma importante marina ali está com barcos de todos os tipos. O Luís, nosso cicerone de todas as horas, foi-nos dizendo que a cidade e seus arredores estão pilhados de gente rica. Muita gente da Terceira Idade a desfrutar do maravilhoso clima local, muito quente mas seco, com o inverno a ser de temperatura amena, caindo neve sobretudo nas montanhas. Nas zonas baixas, alguns salpicos podem acontecer... Também gente vinda de outras províncias, mesmo de outros países, se instala em Kelowna. Muitos desportistas ricos têm casa na região, muitas vezes para passarem parte do ano apenas...

Para visitar toda a cidade e suas encostas, a sexta-feira foi quase toda consumida. Mas valeu a pena. Pelas belezas de toda a zona, desde o aeroporto ao centro da cidade, passando pelas montanhas mais próximas, carregadas das casas mais sumptuosas que se podem imaginar. Tirámos tempo para um cafezito, muito à moda da minha ilha, onde o patrão e os empregados nos recebem com um «Muito bom dia» e com um sorriso mais do que conquistador. Deu ainda para folhear um dos jornais locais, o «Kelowna Daily Courier».

No fim da tarde, primeiro tirámos tempo para a preparação da festa e já ao entrar da noite, até de madrugada, foi tempo para comemorar os 50 anos de meu querido irmão. A casa ficou cheia com muita gente, da Universidade onde ele é professor, e do futebol – uma das suas paixões – onde ele é treinador e instrutor.

 

Caminhada para sul

O sábado serviu para dar um grande passeio, para sul, à cata das tão ansiadas organizações portuguesas – das quais falaremos, como já acentuámos, na nossa próxima edição. Pelo caminho fomos visitando as mais variadas quintas, um sonho nunca antes conseguido. De entre elas, a que mais nos tocou, por evidência clara, foi a Quinta Ferreira, onde o panorama nos levou a pensar nas quintas do nosso país. Reportaremos a nossa estada ali, oportunamente. Vimos ainda belas praias de água doce ao longo do percurso, algumas em plena cidade, como em Pentincton, localidade onde encontrámos a primeira associação portuguesa. E uma mercearia lusitana com nome italiano... O dono, madeirense de origem, havia de nos dizer que «Meu amigo, são os negócios».

De Pentincton, aglomeração de mais ou menos 50 mil habitantes, continuámos em direção a sul. Passámos por Oliver, também aqui com clube português mas que encontrámos fechado, e fomos terminar o nosso longo percurso, em Osoyos, já muito perto dos Estados Unidos (Estado de Washington). Nesta pequena cidade de cinco a seis mil habitantes, o terceiro clube português de toda a zona. Tal como em Pentincton, tivemos oportunidade de entrar e conversar com alguns dos seus dirigentes. Como já era fim de tarde, assistimos à chegada dos sócios para o jantar do Dia 10 de Junho. Fomos de resto convidados para participar no repasto, o que não foi possível por haver um compromisso a meio do percurso de regresso. Um jantar, oferta de meu irmão, numa das quintas da região, com a particularidade de ela ser propriedade de canadianos nativos – leia-se aborígenes. Uma obra-prima de local, haveríamos de confirmar.

O nosso regresso a Kelowna fez-se de forma suave e plena de boas sensações, pois tínhamos realizado os nossos desejos de descobrir gente portuguesa em tão longínquas mas belas paragens. De resto, tanto o meu irmão Luís como o José Carlos, nos nossos encontros ou contactos telefónicos sempre me falaram dos portugueses do Okanagan Valley. Agora dá-me gozo poder visualizar toda aquela região e suas gentes.

E a nossa ida para norte

No domingo, logo pela manhã, toda a família entrou na furgoneta Grande Caravana para demandar a Kamloops, importante cidade a norte de Kelowna e a Este de Vancouver. Fomos assistir aos jogos da equipa de futebol de que o Luís é treinador e que o filho mais novo, Emílio, integra como futebolista. Foram mais de duas horas entre campos e montanhas até chegar a Kamloops, uma das cidades maiores e mais conhecidas daquela zona, situada entre Vancouver, a Oeste, e Kelowna, a Sul.

O Kelowna Football Club U-11 Boys Gladiators fez dois jogos. No primeiro houve empate, 2-2. No segundo, a vitória sorriu ao conjunto dirigido pelo Luís. O resultado foi uma goleada, por 4-0, com o Emílio a explodir, ao apontar três dos quatro golos. Melhor ainda foi poder confirmar as indicações que já tínhamos sobre o valor futebolístico do Emílio Aguiar. Sem favores teremos de dizer que o miúdo (11 anos) tem pinta de jogador.

Terminada a jornada futebolística, que aconteceu num complexo futebolístico extraordinário, com mais de 20 campos de futebol, piscinas, arena, campo de golfe e que mais... descemos ao centro da cidade à procura de algo que «marcasse» vida portuguesa na maior aglomeração populacional daquela zona. Não encontrámos nada. Mas disseram-nos que «deve haver portugueses por aqui», pois a pouco mais de três horas de Vancouver, certamente que por ali deve haver gente nossa. Vimos chineses, gente de cor e, curiosamente, apenas um aborígene, sabendo nós que a terra por ali é deles. Outra constatação foi notar que a cidade, embora sendo domingo, apresentava muito pouca gente pelas ruas e que os cafés e restaurantes fechavam portas a meio da tarde. Curioso...

Já em Kelowna foi tempo de descobrirmos a Padaria Portuguesa, que proximamente apresentaremos para os nossos leitores. Uma visita à Universidade da Colômbia Britânica, campus Kelowna, foi o último ponto da cidade que visitámos antes de apanharmos o avião para Calgary na segunda-feira de manhã (06h00).

A seguir...

Comunidades
A razão da nossa ida a Kelowna já foi aqui assinalada. Mas nunca é demais repeti-lo, pois não fora isso, os 50 anos do meu querido irmão mais novo, ainda hoje não conhecíamos um cantinho do paraíso que é toda a região do Okanagan Valley.
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