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rss  Vol. XVII - Nº 292         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
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O Estado Português «esqueceu» o Canadá

Por Gualter Furtado*

O Canadá é um grande país tanto em termos económicos como em termos físicos, posicionando-se como o segundo maior País do Mundo em dimensão geográfica, isto é, logo a seguir à Rússia. Em relação ao número de habitantes deste vasto País já não podemos dizer o mesmo já que residem no Canadá cerca de 34 milhões de pessoas traduzindo-se pois numa baixa densidade demográfica. O elevado nível de rendimento por capital dos habitantes do Canadá (cerca de 40 mil dólares), a proximidade, a grande dimensão e riqueza do seu vizinho Estados Unidos da América possibilitam aos produtores e consumidores do Canadá um vasto mercado. Esta relação de proximidade conduz a fortes níveis de interdependência entre as duas economias. Paralelamente e nos anos mais recentes o Canadá tem vindo a desenvolver fortes relações económicas com a China, com a Índia e outros países emergentes, procurando novas fontes de financiamento e diversificar os seus parceiros de negócio. Por razões históricas e políticas na Europa a prioridade das suas relações diplomáticas e económicas centram-se principalmente na Inglaterra e na França.

O Canadá continua a ser um país com fortes possibilidades de crescimento e com um stock de matérias-primas por explorar muito considerável, pois a sua extensão territorial é imensa. Garantido o financiamento existe muito para fazer no Canadá. É neste quadro, que preenchidas algumas condições, o Canadá poderia ser mais uma hipótese sustentável para ajudar a resolver duas das mais fortes e penosas restrições que se colocam às economias Portuguesa e Açoriana e que são a necessidade de crescerem as exportações para se garantir um crescimento económico mais saudável e o elevado desemprego que está a afetar de una forma tão grave principalmente os nossos jovens e os desempregados de setores como a construção civil e o turismo. É minha convicção que as exportações Portuguesas e Açorianas para o Canadá poderiam crescer muito para além da posição modesta que ocupam presentemente, sendo para tal necessário um maior empenhamento do Estado Português junto das autoridades do Canadá e que os nossos empresários cumprissem com regras básicas e tão simples como seja o cumprimento dos prazos acordados com os compradores do Canadá. Quanto à emigração também existe muito espaço e principalmente para profissões como pedreiros, carpinteiros, canalizadores, ligadas às novas tecnologias e às engenharias, mas também aqui, é muito importante um enquadramento legal e político que permitam processos de legalização efetivos, e que impeçam situações de ilegalidade que acabam sempre em tragédia e frustrações. Paralelamente, o Canadá também poderia ser mais uma alternativa para a internacionalização de algumas empresas e de alguns setores de atividade com dificuldades de crescimento no país e nos Açores, mas repetem-se aqui algumas restrições e cautelas que devem ser tomadas e já referidas na abordagem relativa às exportações e na emigração.

Não se espere que seja o Canadá a dar o primeiro passo nesta aproximação ao mais alto nível, tem de ser Portugal a tomar a iniciativa. E não é com a postura atual que lá chegamos, senão vejamos:

1° – Há quantos anos um presidente da República de Portugal não vai ao Canadá?

2° – Há quantos anos um primeiro-ministro português não vai ao Canadá?

3° – Há quantos anos um ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal não vai ao Canadá?

Disseram-me no Canadá e com o recurso a diversas fontes que não vão lá há muitos anos.

Neste ano de 2013 comemoram-se os 60 anos da primeira Emigração Portuguesa organizada para o Canadá e com forte presença de emigrantes oriundos dos Açores. Aqui está uma boa oportunidade para o Governo Português, o Estado Português integrando uma presença institucional digna açoriana se associarem a este evento e darem início a conversações bilaterais que possam abrir portas a um novo relacionamento entre os dois países. É sabido que no âmbito da União Económica e Monetária decorrem negociações com o Canadá sobre diversas matérias que interessam ao país mas esta afirmação individual de Portugal é imprescindível.

A nossa Comunidade de Emigrantes dos Açores no Canadá e mesmo de alguns continentais é hoje uma realidade forte, respeitada e dinâmica e que deveria ser motivo de orgulho de todos nós. Muito do trabalho no terreno está feito pelos nossos emigrantes, agora é a vez dos políticos e dos empresários de cá fazerem o seu trabalho.

* Presidente executivo do Banco Espírito Santo dos Açores.

Opinião
O Canadá é um grande país tanto em termos económicos como em termos físicos, posicionando-se como o segundo maior País do Mundo em dimensão geográfica, isto é, logo a seguir à Rússia. Em relação ao número de habitantes deste vasto País já não podemos dizer o mesmo já que residem no Canadá cerca de 34 milhões de pessoas traduzindo-se pois numa baixa densidade demográfica. O elevado nível de rendimento por capital dos habitantes do Canadá (cerca de 40 mil dólares), a proximidade, a grande dimensão e riqueza do seu vizinho Estados Unidos da América possibilitam aos produtores e consumidores do Canadá um vasto mercado. Esta relação de proximidade conduz a fortes níveis de interdependência entre as duas economias. Paralelamente e nos anos mais recentes o Canadá tem vindo a desenvolver fortes relações económicas com a China, com a Índia e outros países emergentes, procurando novas fontes de financiamento e diversificar os seus parceiros de negócio. Por razões históricas e políticas na Europa a prioridade das suas relações diplomáticas e económicas centram-se principalmente na Inglaterra e na França.
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