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rss  Vol. XVII - Nº 292         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
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Editorial

Atualidade estival

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Não obstante a canícula que se abateu sobre as duas margens do Atlântico, a quinzena que passou foi fértil em acontecimentos que nos trouxeram suspensos aos noticiários. O desastre do Lac-Mégantic, a última alocução do Presidente da Republica Portuguesa e, no início desta semana, a remodelação do gabinete ministerial do Governo Federal.

O mais noticiado e que maior emoção criou, tanto no Canadá como no estrangeiro, foi sem dúvida o do acidente ferroviário do Lac-Mégantic que causou meia centena de mortes – 37 cadáveres encontrados à hora do fecho desta edição, e cerca de duas dezenas de desaparecidos. Para o «Bureau de la sécurité des transports du Canada» (BST), trata-se da pior tragédia ferroviária da história do país.

O acidente registou-se na noite de sexta-feira para sábado, à uma e um quarto da madrugada do dia 6 de julho, naquela pequena cidade pitoresca da Estrie, no Quebeque, quando um comboio de 72 vagões cisternas cheios de toneladas de petróleo bruto, sem maquinista a bordo, se descarrilou em pleno centro da cidade. A explosão, registada pelas câmaras de alguns telefones e vídeos amadores, deram a volta ao planeta e o que era então um pacato centro de cidade volatilizou-se em poucos segundos, como se uma bomba atómica se tivesse abatido sobre a cidade.

Como não havia nenhum funcionário ferroviário a bordo da composição mortífera, chegou mesmo a aventar-se a hipótese de se tratar de um comboio comandado a distância. As averiguações subsequentes acabaram por provar que afinal se tratava de uma composição, que estando estacionada na estação de Nantes, a 12 quilómetros do local do acidente, se pôs em movimento devido ao declive da via, como se os travões não tivessem sido devidamente acionados. A composição começou a acelerar com a descida e a dado momento, numa curva apertada, os vagões saltaram da linha e entraram em choque uns com os outros dando origem à terrível explosão.

As especulações têm abundado para se determinar a quem incumbe a responsabilidade pelo sucedido. A opinião pública, acicatada pelos repórteres das notícias em contínuo, parece ter encontrado no proprietário da companhia ferroviária «Montreal, Maine & Atlantic Railway» (MMA), uma empresa americana sediada em Chicago, como a responsável por excelência, a qual, por meros interesses mercantis, teria descurado a segurança das suas linhas e dos seus comboios. Outros atribuem a responsabilidade às políticas de privatizações e cortes na função pública levadas a cabo pelo governo conservador em Otava que tem permitido o transporte de matérias perigosas, sobretudo em zonas habitadas, sem as devidas precauções e fiscalizações. Outros ainda atribuem o desastre a erro humano, quer da parte dos bombeiros que em Nantes tinham apagado um fogo numa das locomotivas e anulado inadvertidamente os travões de segurança, ou da parte do maquinista em função que não teria verificado os travões das locomotivas e dos vagões devidamente. Seja como for, só os resultados finais do inquérito em curso podem ser concludentes.

Entretanto as aves de rapina que são certa classe de advogados, já empreenderam as démarches para acionar um recurso coletivo conta a companhia MMA, quando ainda não se sabem as conclusões das averiguações em curso, e quando ainda dezenas de corpos não puderam ser identificados, o que revela estarem mais preocupados com o chorudo contrato em perspetiva do que pelo bem-estar dos sobreviventes e das famílias das vítimas. Sublinhe-se que por outro lado, tanto da parte do governo provincial como federal, assim como dos partidos políticos, todos tenham agido com delicadeza e diligência, sem oportunismo eleitoralista, como por vezes acaba de acontecer em situações semelhantes. Desta tragédia também ressalta o papel mobilizador da presidente da câmara do Lac-Mégantic que tem dado lições de liderança e de bom senso para gerir o rescaldo deste desastre e preparar a reconstituição desta chaga na sua cidade.

Cavaco Silva

A comunicação ao país que o Presidente da República Portuguesa fez na quarta-feira da semana passada, deixou todos os partidos e analistas de boca aberta. Em resumo disse o seguinte: « O país está em crise e o atual governo não é competente para governar. Como também não convém irmos para eleições, os três partidos que assinaram o memorando com a Troika ou seja o PSD, o PS e o CDS, devem formar uma coligação que governará o país até ao fim do convénio que liga o governo ao auxílio do FMI, do Banco Central Europeu (BCE) e da EU, ou seja até junho de 2014, data a partir da qual o país deve ir para eleições antecipadas».

A situação em Portugal é deveras crítica. Há já gente a passar fome. Isto é inadmissível. A culpa é de todos os governos que dirigiram o país desde a entrada para a zona euro, a começar pelo governo do próprio Cavaco Silva quando primeiro-ministro e que se mostrou mais interessado nos investimentos no betão e no alcatrão do que na educação e no investimento nos seus cidadãos.

O país, com uma divida colossal, não tem meios para se sair sozinho e não é criando mais desempregados e fechando mais empresas que vai ajudar a economia. Menos empregos, menos impostos, menos dinheiro para ao estado pagar a dívida. É uma equação simples. Mas enquanto os políticos se entreterem com questões de pelouro, e todos eles sem exceção não pensarem senão nisso, o país cada vez mais se afunda. Todos os partidos políticos em Portugal sofrem hoje de uma falta de verdadeiros homens de estado. São todos dirigidos por profissionais da política medíocres a quem interessa mais o posto que servir o país.

Esperava-se pois que o Presidente da República, ao proferir este discurso, se tivesse prevenido com as garantias necessárias de que os visados iriam aceitar a sua sugestão. Ora o que se revelou é que o presidente Cavaco Silva foi logo desmentido pelo porta-voz do PS, que reiterou o leitmotiv do seu discurso habitual, que não formará governo sem eleições.

Resultado, a crise não só não se resolveu como se agravou. Tanto perante os portugueses como as chancelarias dos países amigos que cada vez olham mais para o país como uma nação ingovernável.

Stephen Harper

O Primeiro-ministro do Canada resolveu remodelar o seu gabinete ministerial e fez a apresentação dos novos ministros na passada segunda-feira. A conclusão evidente é que Stephen Harper procura ultrapassar a vaga negativa que se abateu sobre o seu governo, particularmente depois das revelações comprometedoras sobre os membros do partido conservador no Senado. Para tal, o Primeiro-ministro nomeou vários jovens deputados para dar um ar mais rejuvenescido ao partido e aumentar também o número de mulheres no seu gabinete, isto com o evidente efeito de melhor se preparar para as próximas eleições. No fundo, a sua equipa principal, tanto económica como política, pouco ou nada foi modificada. A grande exceção foi para a representação dos ministros do Quebeque. Christian Paradis perdeu o pelouro da Indústria em troco do auxílio internacional (ACDI). Denis Lebel perdeu o ministério dos Transportes embora conserve a responsabilidade pela construção da ponte Champlain e passou a ser o representante do partido no Quebeque.

Será que com esta remodelação Stephen Harper vai conseguir parar a locomotiva em que parece ter embarcado o partido liberal do Canadá com Justin Trudeau? Segundo as últimas sondagens vindas a lume o PLC começou a levantar a cabeça em todo o Canadá e mesmo a grande maioria do Quebeque está pronta a apostar em Trudeau, em prejuízo do NPD que parece ter perdido a onda de simpatia que lhe tinha inspirado o malogrado Jack Layton. O partido conservador ao que parece já fez uma cruz sobre a Belle Province, tanto mais que os últimos resultados eleitorais provaram que os conservadores podiam formar um governo maioritário sem os quebequenses.

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Não obstante a canícula que se abateu sobre as duas margens do Atlântico, a quinzena que passou foi fértil em acontecimentos que nos trouxeram suspensos aos noticiários. O desastre do Lac-Mégantic, a última alocução do Presidente da Republica Portuguesa e, no início desta semana, a remodelação do gabinete ministerial do Governo Federal.
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