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rss  Vol. XVII - Nº 292         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
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Desafios para os jornais dos Açores

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

O modelo de negócio dos Média tradicionais nos Açores, que assenta, desde a sua existência, na distribuição por assinatura, estará ultrapassado nos próximos tempos.

As novas gerações estão formatadas para o consumo do digital, pelo que a área multimédia terá uma evolução muito rápida no futuro.

Basta ir às escolas açorianas e observar que todos os jovens já utilizam, com frequência, os mais variados suportes digitais.

Um estudo da agência de meios «Nova Expressão», divulgado em 2011, comprova que há uma mudança de hábitos na comunidade de jovens adultos, que estão a «migrar» cada vez mais da televisão para a Internet.

A maioria dos jovens já passa o dobro do tempo frente ao computador, em detrimento da televisão, numa relação de mais de 5 horas online, contra 2h e 42m na TV.

Quanto ao tempo dedicado aos jornais, ronda a média de 1 hora por dia.

No futuro, os jornais açorianos que não apostarem na multiplataforma vão ser ultrapassados pelos novos hábitos de consumo.

Na última década assistimos ao desaparecimento de uma mão cheia de jornais açorianos, alguns dos quais com uma história riquíssima nas respetivas ilhas, como «A União», «O Telégrafo», «Correio da Horta», «Expresso das Nove».

Alguns deles migraram para a Internet e, dos que ainda vão sobrevivendo, haverá mais algum que poderá desaparecer de circulação nos próximos tempos.

Os novos hábitos de consumo não explicam tudo, mas ajudam a perceber que, em todas as ilhas, as novas gerações vão-se adaptando mais ao digital do que ao papel.

O aumento exponencial dos açorianos à rede deve-se à oferta, cada vez mais atraente, dos operadores no mercado, com pacotes de triple-play a preços concorrenciais.

Esta facilidade de acesso às novas ferramentas vai provocar uma maior fragmentação dos públicos, tornando os Média tradicionais mais vulneráveis.

Mas não só.

A Internet de banda larga permitiu, também, um acesso mais facilitado a filmes.

Não surpreende, portanto, que os Açores se tenham colocado no topo das regiões do país onde a quebra de espectadores nas salas de cinema foi mais acentuada, contribuindo para o encerramento de muitas delas.

A tendência de descida em 2011 foi transversal em todo o país, mas nos Açores e na Madeira bateram o recorde nacional, com uma quebra de 23,8% de espectadores, o que pode ser explicado pelo fator isolamento e a tendência para recorrer aos filmes dos novos Média.

O digital vai estar, portanto, na agenda permanente dos Açores, pelo menos nas próximas décadas.

É para aí que os jornais devem direcionar os seus novos modelos de negócio.

Em todo o país, no final de 2012, já existiam cerca de 13 mil subscritores de edições digitais dos principais jornais e revistas de informação geral.

Ainda é muito pouco, mas é claramente um mercado em franca expansão.

Durante todo o ano de 2012, o investimento dos anunciantes na Internet ultrapassou os 35 milhões de euros, o que representa apenas 6,7% do total do mercado, mas as potencialidades do setor são crescentes e mais previsíveis do que a publicidade nos Média tradicionais.

O modelo de negócio do futuro vai assentar, essencialmente, nas edições digitais, com a consequente perda de leitores nas edições impressas e a queda de publicidade.

Isto não significa a morte dos jornais em papel, mas muitos vão ter que rever o seu modelo.

Na próxima década, os jornais dos Açores, se quiserem sobreviver, vão ter que apostar em edições eletrónicas, versões para telemóveis e smartphones, alertas online, aplicações para tabletes e, com a evolução tecnológica e consequente baixa de custos, criarão os seus próprios estúdios e gabinetes de montagem de vídeos.

A sobrevivência vai estar associada às novas tecnologias e a fragmentação dos públicos vai obrigar os Média açorianos a procurarem novos mercados, nomeadamente junto da diáspora.

É preciso não desistir deste investimento em todas as ilhas.

As infraestruturas de última geração são um bem comum a que os açorianos dão muito valor, porque se tornaram nas nossas autoestradas entre ilhas.

O investimento no digital é a base para a quebra do nosso isolamento geográfico, pelo que os Média podem retirar deste cenário vantagens e benefícios crescentes para os seus novos modelos de negócio.

Seria interessante que os jornais açorianos, nesta nova encruzilhada, se juntassem para um debate franco e aberto sobre os desafios que têm pela frente.

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O modelo de negócio dos Média tradicionais nos Açores, que assenta, desde a sua existência, na distribuição por assinatura, estará ultrapassado nos próximos tempos.
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