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rss  Vol. XVII - Nº 292         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
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Carta aberto ao diretor

Na vida de uma pessoa, o primeiro é o primeiro, o dever é o dever, por isso não posso deixar em branco uma situação, portuguesmente falando, de boca aberta…

Confortavelmente instalada no meu salão, para assistir ao Programa Montréal Magazine, deparei-me com o mordomo de Santa Cruz numa entrevista com umas afirmações absolutamente incrédulas. Dizia Manuel da Ponte que: «Ser mordomo de Santa Cruz é um pouco complicado, pois são muitas as despesas, embora dinheiro não seja problema». E o dito Sr. continua afirmando: «Que o diferente é ser mordomo de Anjou porque o Centro Comunitário é que se ocupa de tudo».

Segundo ele: «Ser mordomo de Anjou é o mesmo que ter uma Dominga em casa».

Este Sr. sendo um conhecido comerciante da comunidade portuguesa de Montreal teria todo o interesse em revelar a verdade ao povo e não ousar em induzi-lo no erro, sobretudo tratando-se de um assunto tão querido e amado como é o Espírito Santo. Será falta de conhecimento? Todavia, a falta do saber não justifica os meios para atingir os fins. Como Deus lá no alto sabe como nos sentimos.

Aqui fica o esclarecimento de que quem por direito pode e deve fazer.

O facto de trazer à redação do jornal esta carta tem como objetivo esclarecer o assunto. O meu marido, oriundo de terras açorinas, é um homem honesto, trabalhador, de muita labuta diária, simples mas de coração grande e nobre. Foi criado na Fé de um Espírito Santo Vivo – conhecedor dos sete dons da Santíssima Trindade – criou-se com a humildade de reconhecer o esforço que cada um faz e dá no seu melhor. Aprendeu com a dureza da vida que só respeitando o tempo e espaço dos outro se alcança a felicidade desejada. A família e o Espírito Santo são para ele o seu grande pilar, na esperança de um mundo melhor, transformando as rivalidades e hipocrisias em paz e amor.

A festa do Divino Espírito Santo é a festa da partilha, da união, da bondade e o dar as mãos uns aos outros e viver no mesmo espírito.

Fui batizada, catequizada e crismada, não nasci nos Açores mas não me impede de prosseguir as virtudes da Fé.

O ser mordomo é transmitir aos mais novos que é correto e certo a continuidade destas maravilhosas festas, mostrando o quanto de valor têm as raízes do nosso torrão.

Particularmente celebradas pelo povo nascido no arquipélago açoriano não são exclusividade açoriana, também os nascidos no continente respeitam e celebram o Divino Espírito Santo.

Somos um povo crente e com temor no mesmo Deus.

Os valores materiais não tiveram nem nunca poderiam ter decisão favorecida no nosso Império, por isso foi em nossa casa a recitação do Terço, de porta aberta, durante duas semanas. Foram recebidos com amor e carinho todos os que quiseram estar connosco.

Foi com muita alegria que cumprimos com os contratos que nos propusemos aceitar a mordomia de Anjou. O CCESA celebra as suas Festas, que de ano para ano são mais bonitas, graças aos benévolos, benfeitores e mordomos. Tendo participado na direção deste Centro Comunitário sabemos bem o quanto seria praticamente impossível a realização das mesmas sem estas ajudas. Assim, passo a explicar ao Sr. Manuel da Ponte que ser mordomo de Anjou acarreta com muitas responsabilidades e despesas. Neste ano 2013 o mordomo pagou com o suor do seu trabalho aos três artistas que atuaram durante os dois dias de festa. Foi também da nossa responsabilidade o pagamento a uma da Filarmónicas, para além de contribuir no pagamento da massa sovada, distribuída pelo povo na arena. Pagou igualmente no Farme, as sardinhas, as bifanas, as batatas, todo o pão, a massa sovada e o vinho, durante o convívio aí celebrado.

Ao contrário do mordomo de Santa Cruz, a nossa rainha foi por nós vestida e adornada com o respetivo manto e coroa.

A relembrar ao Sr. Manuel da Ponte que a mordomia dele foi, sim, parecida com uma Dominga pois celebrou apenas uma semana, agora nós tivemos o orgulho e o prazer de ter o Espírito Santo em nossa casa duas grandes e belas semanas.

Como nota de conclusão, as Festas que o Centro faz durante o ano não revertem a favor do Mordomo. Os fundos colhidos com o passar da bandeira, no dia da Festa, revertem a favor do CCES de Anjou.

Aos olhos de Deus não tem mais valor quem gasta mais mas sim quem mais dá do seu amor ao Próximo. Fé: palavra que enche o coração de quem a pronuncia com todo o calor e fervor do sangue que lhe corre nas veias.

Filomena Costa

 

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