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rss  Vol. XVII - Nº 285         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Outubro de 2020
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Em Anjou...

Quando a Voz do Divino chama…

Adelaide Vilela

Por Adelaide Vilela; fotos de Humberto Cabral

Quando a Voz do Divino chama o povo, a tradição desliza de encantamento e todos exibem a sua grande devoção, a Fé, um enorme apego às terras de origem.

Caros leitores, diz a história que esta Fé se deve ao facto de D. Isabel de Aragão, esposa de D. Dinis, ter introduzido em Portugal o culto ao Espírito Santo, corria o século XIV. O tempo anunciava epopeias marítimas e também muitas incertezas. Nessa altura havia pouca fartura, quer no reino, quer fora dele. Todavia, para a rainha, isso não constituía um problema, corajosamente, a gentil senhora alimentava os mais pobres, sob o olhar desconfiado do seu rei e senhor. Um dia, cruzando-se o rei com sua amada, de alma plena o seu real regaço, lá ia ela, e ele pergunta – que levais aí Senhora – ao que a rainha responde: são rosas Real Senhor! A rainha abre o avental e, como por magia, pétalas de rosas perfumadas voaram por todo o palácio. Deu-se então o célebre «Milagre das Rosas». Mas o maior sonho que a rainha Santa conseguiu realizar foi a paz entre o marido e o filho, D. Afonso IV de Portugal. O príncipe havia declarado guerra ao rei, seu pai, por volta do ano 1320.

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No Centro Comunitário do Divino Espírito Santo de Anjou - Realizou-se com o brilho habitual a festa do Sócio e dos Benfeitores.
Foto de Humberto Cabral

Por conseguir silenciar as vozes do ódio, da cólera, entre os seus amados, a rainha mandou erguer uma capela no Palácio. Aí nesse lugar coroava as crianças em louvor do Divino Espírito Santo. Ora, a santidade da rainha foi notável aos olhos do Povo que a seguia, admirando-a nas suas atividades sociais e religiosas. Segundo alguns, foi por esta ocasião que se iniciou o culto do Divino Espírito Santo, na Festa dos Tabuleiros em Tomar, cuja tradição peculiar e arrojada ainda hoje perdura.

Esta tradição ou crença religiosa, tal como era, perdeu-se em Portugal Continental. No fundo, sentimo-nos orgulhosos dos nossos irmãos açorianos. Existem motivos para tanto, a nado ou nalgum barco à vela, o culto ao Divino Espírito Santo chegou intacto às Ilhas dos Açores. Graças ao Pai despontou naquele horizonte e fez-se luz ao embelezar Igrejas, altares e casas dos que souberam guardar e amar a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

Já a Fé dos portugueses parou em frente dalgum retrato empoeirado, do outro lado do Atlântico… esvaneceu-se. E não se pode traduzir em palavras o que vai no nosso pensamento. Enquanto regressamos à imagem do passado, nasceu-nos uma mão de luas-cheia e outra de luas-meia inundando o pensamento de tristezas, muitas. Está entre a espada e a parede o País dos lusitanos, o nosso Portugal. Melhor seria que o novíssimo Francisco pedisse a Deus um milagre, para que a rainha Santa Isabel fosse ressuscitada e coroasse de esmolas os cofres do Governo pobrezinho, a ver se o povo se alimenta de uma vez, sem ser «entroikado».

Anjou Festa dos socios e Benfeirores 061.jpg

Felizmente, ainda há gente que acredita que a cultura é um pilar importante na sociedade. Seguindo por esta alvorada da vida, o Centro Comunitário do Divino Espírito Santo de Anjou, o Sr. Humberto Cabral e a sua Direção, organizaram a Festa do Sócio no passado dia 16 de março. Assim labutam «no campo» deitando as sementes à terra, na esperança de que um dia, germinadas, os vindouros possam vir a recolher seus frutos, como guardiãs das suas tradições, na língua de Camões.

Avaliamos esta festa como um encontro de gerações e a coletividade estava repleta. Todos foram servidos com a mesma amabilidade e simpatia. Aqui esboço um sorriso agradecendo ao Sr. Victor Pereira, pelo peixinho que me ofereceu, o meu muito obrigado.

Não houve névoa que escurecesse o ritmo luminoso ou que perturbasse o ambiente agradável que ali se viveu. Ouviu-se fado com o Sr. Manuel Travassos à guitarra e o Sr. Paulo Gomes, na voz, exibindo com leveza a sua viola. Progressivamente íamos ouvindo o Jimmy Faria que animou um baile digno de nota.

Vários foram os benfeitores que ofereceram animais e outros bens alimentícios tanto para a festa grande como para o convívio, no dia do abate dos animais, no «Farme». Assim foi e assim será, o povo das Ilhas é inconfundível – fortifica e valoriza as terras açorianas pelo mundo, com cunho de identidade e de grandeza – apesar de alguns deles não regressarem mais ao berço onde nasceram.

Fique também a saber, leitor, que no Centro Comunitário do Espírito Santo de Anjou se vai rezar o terço na semana do dia 19 a 25 de maio. Quanto à Festa Grande, terá lugar nos dias oito e nove de junho, se Deus quiser.

O Mordomo para 2013 é o Sr. Liberal Miranda, o qual dirigiu e bem o Centro por alguns anos. Refira-se ainda que a rainha da festa é a DaniKa Silva. A sua acompanhante é a prima, a princesita Amanda Marques. Liberal Miranda e a sua Imperatriz abrem as portas de sua casa e convidam-vos para a Oração da Paz. Assim, e com a graça de Deus, será estabelecida uma ponte entre a amizade e a Fé ao Divino. Filomena e Liberal esperam-vos a partir do dia 26 de maio até ao dia sete de junho próximo.

Vamos agora revelar o nome das outras famílias a quem saiu o Divino Espírito Santo:

1ª. Dominga, Jeffrey Pacheco. 2ª. Dominga, Graça Machado. 3ª. Dominga, Daisy Nogueira. 4ª. Dominga, José de Melo. 5ª. Dominga, Jason Coroa. 6ª. Dominga, Denis Desjardins. 7ª. Dominga, Jorge Simões.

Para concluir, deixamos os nossos leitores com este pensamento da autora: maravilha é poder afirmar, enquanto o querer resiste, a causa existe pelo paraíso do sonho que um dia ficou do outro lado do mar – o arquipélago das nove princesas do Atlântico – plantado em cada polo lusófono do mundo.

Fiquem com raios de sol da linda primavera e todas as bênçãos do Senhor ressuscitado.

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Quando a Voz do Divino chama o povo, a tradição desliza de encantamento e todos exibem a sua grande devoção, a Fé, um enorme apego às terras de origem.
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