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rss  Vol. XVII - Nº 285         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
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Para fugir à crise em Portugal

«Jovens luso-canadianos querem regressar ao Canadá»

Entrevista de Elisa Fonseca, Agência Lusa

Montreal - O cônsul-geral de Portugal em Montreal disse à Lusa estar a notar um movimento de jovens luso-canadianos a viver em Portugal que pretendem regressar ao Canadá para escapar à crise económica nacional.

Em declarações à Lusa, Fernando Demée de Brito elucidou tratar-se sobretudo de lusodescendentes nascidos no Canadá que acompanharam os pais no retorno a Portugal, mas que agora pretendem regressar.

"Nos últimos meses, temos recebido pedidos sobretudo de jovens luso-canadianos a questionarem os nossos serviços [do consulado português em Montreal] com vista a obterem informações sobre a forma de voltarem ao Canadá, em virtude da crise económica em Portugal», apontou.

Se, há dois anos, o consulado era procurado por lusodescendentes nascidos no Canadá fundamentalmente para pedidos de nacionalidade portuguesa, a maior parte com o intuito de acederem a um passaporte português (como via de entrada no bloco dos 27 países da União Europeia para estudo ou mesmo emigração), agora a tendência verificada é principalmente a do regresso ao Canadá.

Fernando Demée de Brito indicou, por outro lado, ter conhecimento de inúmeros casos de cidadãos portugueses a tentarem entrar no Canadá com um visto turístico, que foram recusados pela imigração canadiana logo à saída do avião e repatriados no voo seguinte, por suspeita de quererem emigrar.

"Há que avisar os portugueses de que aquela antiga maneira de dizer aos amigos e familiares »vem para o Canadá, arranjamos trabalho e logo se vê', já não funciona!», exclamou o cônsul português.

"Quem quiser vir para o Canadá tem de estar legalizado», recomendou.

Quanto à comunidade de origem portuguesa residente na área de Montreal, sublinhou estar a verificar uma grande aproximação na ligação a Portugal de lusodescendentes de terceira geração, os quais mostram firmeza em proteger as raízes portuguesas e em dinamizar a comunidade.

Uma terceira geração de emigração corresponde à ideia de netos de emigrantes nascidos em Portugal e chegados ao Canadá (a primeira geração), os quais constituíram famílias. Neste quadro, a segunda geração seriam os filhos desses emigrantes originários, portanto já nascidos no país de acolhimento, assim como os netos, ou seja, a terceira geração.

"A terceira geração de portugueses aqui são jovens nascidos no Canadá, totalmente integrados, e com uma maneira diferente de ver a comunidade», definiu Demée de Brito.

Apesar de ser uma geração distante do país originário de emigração, no caso Portugal, «eles têm vindo a mostrar grande interesse na ligação a Portugal, em preservar a herança portuguesa e estão a apresentar projetos relativos à comunidade».

Entre esses projetos está o plano de um grupo de lusodescendentes que defende a demarcação física do bairro português em Montreal, localizado na alameda Saint-Laurent, considerando que isso dará uma notória identidade portuguesa, tal como acontece nos bairros italiano e chinês da cidade.

Eles avançaram já contactos com essa finalidade junto a vereação respetiva na Câmara de Montreal, adiantou.

O diplomata manifestou-se ainda convicto de que a terceira geração será a promotora das «grandes mudanças na comunidade portuguesa no futuro», incluindo na forma de gestão das associações lusas.

A comunidade de origem portuguesa na região da Grande Montreal está estimada em 60 mil pessoas, evidenciado uma forte presença açoriana.

Demée de Brito adiantou que algumas associações lusas estão a planear um conjunto de iniciativas com vista a assinalar o 60.º aniversário da emigração oficial portuguesa no Canadá, que é celebrado este ano.

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