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rss  Vol. XVII - Nº 285         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Outubro de 2020
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Na luta contra o racismo

Há dez anos que a AIPA «cria pontes»

Ponta Delgada – Há dez anos que a Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA) trabalha para «criar pontes entre pessoas e culturas», um trabalho que o presidente da instituição considera ter contribuído para diminuir o racismo nas ilhas.

«Durante estes dez anos penso que não será exagero afirmar que muito do trabalho que nós temos vindo a desenvolver tem de facto contribuído para uma perceção política e social da imigração», afirmou à Lusa o presidente da AIPA, Paulo Mendes, alegando que o diálogo intercultural, a descriminação racial e outros temas associados à imigração ganharam «mais visibilidade e aceitação».

A AIPA foi fundada em março de 2003, na ilha de S. Miguel, por um grupo de imigrantes e não imigrantes com o objetivo de contribuir para a integração social dos estrangeiros na sociedade açoriana, promover a dignificação e igualdade de oportunidades, direitos e deveres e formação de uma opinião pública positiva, face ao fenómeno da imigração.

Para o cabo-verdiano Paulo Mendes, que veio para S. Miguel para a Universidade dos Açores e acabou por ficar, o resultado do trabalho da associação é «bastante positivo», embora haja «ainda muito para fazer».

«Há uma sensibilidade muito grande nos Açores em relação à questão da imigração e essa sensibilização foi muito feita com base na emergência da AIPA e no trabalho que nós temos vindo a desenvolver. Agora há ainda muita coisa que é preciso fazer, mas estamos orgulhosos do nosso percurso», sustentou.

A AIPA está fisicamente presente em três das nove ilhas açorianas, S. Miguel, Terceira e Faial, sendo que ao longo de dez anos foram atendidas nos centros de Ponta Delgada e Angra do Heroísmo mais de cinco mil imigrantes.

«Os imigrantes, quando chegam à região, sabem que podem contar com o nosso apoio. Nem sempre conseguimos dar uma resposta satisfatória, mas durante estes dez anos ninguém ficou sem ter uma resposta», disse Paulo Mendes.

Nos Açores residem mais de 4.000 imigrantes, o que representa cerca de 3% da população do arquipélago, distribuídos pelas nove ilhas e provenientes de 80 nacionalidades, com destaque para Cabo Verde, Brasil, Angola e países do leste europeu.

A AIPA conta com mais de mil sócios, entre imigrantes e não imigrantes, o que Paulo Mendes considera «extremamente positivo», dado o esforço da atual direção para «não guetizar» a sua ação.

«A nossa intenção nunca foi tentar dar respostas fechadas. Sempre que possível encaminhamos os imigrantes para as estruturas que existem para todas as pessoas e quando as respostas públicas não incluem os imigrantes tentamos fazer um esforço para que essas respostas os passem a incluir», referiu Paulo Mendes.

Segundo disse, a boa aceitação da imigração nos Açores deve-se em parte a muitos açorianos terem emigrado, sobretudo para os Estados Unidos da América, no século XX.

A visibilidade da AIPA nos Açores deve-se, em boa parte, às iniciativas culturais que promove e que já fazem parte dos eventos anuais da região, tal como o festival «O Mundo aqui» e o festival internacional de cinema sobre migrações e diálogo intercultural «Panazorean», entre outras atividades.

Para celebrar dez anos de atividade, a AIPA está a preparar uma noite cultural, que decorrerá em Ponta Delgada antes do verão e onde serão homenageadas pessoas singulares e coletivas pelo apoio e contributo que têm dado à associação.

Açores
Ponta Delgada – Há dez anos que a Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA) trabalha para «criar pontes entre pessoas e culturas», um trabalho que o presidente da instituição considera ter contribuído para diminuir o racismo nas ilhas.
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