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Em Moçambique...

"Filhos» da crise portuguesa procuram nova vida

Reportagem de Manuel Matola, da Agência Lusa

Maputo, Moçambique – A portuguesa Joana de Sá mudou-se há um ano sozinha para a Matola, nos arredores de Maputo (Moçambique), convencida pelo sucesso económico do país e a fugir de um Portugal em crise.

Há um ano que coordena a filial de uma empresa portuguesa vocacionada na venda de fitas adesivas e procura em Moçambique uma qualidade de vida que lhe é negada.

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Milhares de portugueses que fogem à crise em Portugal optam por Moçambique, um país pobre mas que, na última década, se tornou uma importante rampa para negócios, após importantes descobertas de gás e carvão.

A procura tem sido tal que as autoridades passaram a regular de outro modo os vistos de trabalho, um sinal da procura existente.

Diana largou uma carreira em Educação Física em Portugal, onde o emprego escasseia, »atraída" pelo clima positivo de Moçambique. Hoje, aos 22 anos, gere pastelarias do pai, mas sonha voltar à área de formação para desenvolver projetos.

«Terminei a licenciatura e, como não estava a conseguir arranjar emprego de imediato, e o meu pai já vive cá há anos, vim viver com ele» e «estou a trabalhar nas empresas que ele já tinha», conta à Lusa a nova emigrante.

Atualmente, o país cresce a um ritmo de cerca de oito por cento por ano, contudo, segundo as Nações Unidas, ocupa o terceiro lugar na lista de países mais pobres do mundo.

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"Trabalhar em Moçambique é uma boa oportunidade mas também de aventura», até porque «alguém que pretenda cá instalar-se deve vir com algumas condições já asseguradas, nomeadamente alojamento, transportes e alimentos», diz Diana.

O otimismo de quem vem a Moçambique para iniciar um negócio, às vezes, desfaz-se por causa dos custos da habitação: «as rendas são muito caras (a média para um apartamento é de 1000 euros)».

Há menos de dois meses, o português João Ricardo, formado em Publicidade e Marketing, aterrou pela primeira vez em Moçambique, no âmbito do Inov-Contacto, um projeto governamental de estágio no estrangeiro, seguro do que pretende.

"O meu horizonte é ganhar dinheiro» e «providenciar um bom final de vida para os meus pais, que já fizeram muito para mim. Está na hora de inverter os papéis», diz.

Para já, a sua perspetiva é economizar o que vai ganhar até final do ano numa nova revista de Arquitetura que em breve será distribuída em Maputo. Depois, talvez, embarcar num projeto pessoal.

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"Eu sou reflexo da situação portuguesa. Tenho 27 anos e esta é a segunda vez que estou a trabalhar a receber, porque antes eram só estágios não remunerados de três meses», e «espero ficar uns bons anos por cá", salienta.

»Efeito" da crise portuguesa é também Ana Oliveira, de 30 anos. Formada em Gestão, Ana veio há dois meses a Moçambique no âmbito do mesmo Inov-Contacto.

»Se eu voltar para Portugal não terei emprego", lamenta.

Bárbara Amaro, 25 anos, engenheira civil, tem uma visão otimista quando fala de Moçambique, um país onde »há muita reabilitação a ser feita" diariamente.

»Gostava de trabalhar na reabilitação» urbana. «A construção em Moçambique está sempre a crescer, é um mercado em ascensão", diz Bárbara Amaro, um mês depois de chegar ao país.

Aos 21 anos, Jorge Ferreira Costa, formado em Hotelaria e Restauração, voltou para Moçambique e, em pouco mais de meio ano, abriu a própria empresa de café com ajuda do pai, projetando estrear uma nova empresa, uma pastelaria com conceito de cervejaria, »uma coisa modesta" a arrancar em junho.

Embora o pai, residente no país há 18 anos, lhe tenha aberto oportunidades «de certa forma», Jorge Ferreira Costa considera que »o mercado moçambicano dá para explorar facilmente».

«Apresentando bons projetos consegue-se financiamento de uma maneira simplificada. Os bancos dão dinheiro a novos investidores que tenham ideias e visões diferentes de negócio", disse.

No entanto, este otimismo deve ser temperado, alerta Joana de Sá, porque Moçambique »não é de todo o «El Dorado»», um «mito que se criou e que é totalmente falso".

»Os negócios em Moçambique fazem-se de uma forma muito lenta" e »há imensas dificuldades a todos os níveis", acrescenta.

Do universo de portugueses que chegam a Moçambique à busca de novas oportunidades, fugindo à situação de crise em Portugal, poucos são os que têm consciência dos embaraços que vão encontrar, avisa Joana de Sá.

»Apesar das dificuldades do mercado", Joana de Sá olha para »os moçambicanos como pessoas abertas, hospitaleiras, uma população com um potencial de encantamento e empatia muito alto, o que é extremamente agradável para qualquer pessoa que chega ao país".

Lusofonia
Maputo, Moçambique – A portuguesa Joana de Sá mudou-se há um ano sozinha para a Matola, nos arredores de Maputo (Moçambique), convencida pelo sucesso económico do país e a fugir de um Portugal em crise.
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