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rss  Vol. XVII - Nº 285         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
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Escola da Bengala Branca...

Onde se «vê» a cor dos sonhos

Reportagem de Fernando Peixeiro, da agência Lusa

Bissau - Nos arredores de Bissau há uma escola ocre e branca que ensina português a 150 crianças, dois terços invisuais com direito a transporte e aulas gratuitas. Para a associação de cegos é uma coisa «fantástica».

"É fantástico para a AGRICE», disse o presidente da Associação Guineense de Reabilitação e Integração de Cegos, Manuel Lopes Rodrigues, no dia em que as crianças cantaram, aprumadas, para a Cooperação Portuguesa, que custeou as obras, orçadas em 231 mil euros.

Recentemente, os responsáveis da Cooperação Portuguesa e Manuel Lopes Rodrigues assinaram o documento de entrega do edifício, construído num terreno da associação. A cerimónia foi simples e não fossem as crianças terem cantado três músicas, uma delas a dizer aos visitantes «a nossa escola ama vocês», mal se teria dado por ela.

Mas foi um dia feliz para o presidente da associação, que diz que com a «Escola Bengala Branca» os invisuais da Guiné-Bissau e a AGRICE já se integraram na sociedade.

A AGRICE começou por fazer uma escola em material precário, que nas primeiras chuvas ficou destruída. Teve depois apoio para uma escola com telhado de zinco, que também não funcionou. Agora tem uma escola com capacidade para 300 alunos, um pátio interior ajardinado, oficinas para formação profissional e uma biblioteca cheia de livros, muitos deles em braile (sistema para ensinar invisuais a ler e escrever criado pelo francês Louis Braille).

As palavras de Manuel Lopes Rodrigues não enganam: «durante todo o tempo de funcionamento da escola era na barraca, depois do apoio da cooperação portuguesa agora conseguimos um grande edifício onde há espaço para a integração social da criança com deficiência visual».

É que a escola, integrada no sistema de ensino da Guiné-Bissau, funciona em regime inclusivo, juntando crianças que veem e que não veem na mesma sala. As segundas são das localidades perto, onde não há outras escolas, explicou.

Para todos são as oficinas. As salas de costura, para as meninas, as salas de artesanato para os meninos. E a sala de música. «Descobrimos que muitos dos invisuais têm uma grande queda para a música, estamos a apostar na sala de música», disse à Lusa um dos responsáveis do estabelecimento.

A AGRICE, acrescentou, procura dar uma formação aos jovens e depois também tenta inseri-los no mercado de trabalho, algo que não é fácil num país onde são poucos os empregos formais.

"Sou invisual desde a infância, antes não havia uma política para a integração social de pessoas cegas», diz o presidente da associação. É assim que justifica que ainda hoje se vejam poucas crianças cegas nas ruas de Bissau ou no interior do país. Porque «as crianças cegas não foram registadas, foram escondidas nas tabancas (aldeias)».

Manuel Lopes Rodrigues estima que haja na Guiné-Bissau entre três a quatro mil crianças cegas.

Uma centena delas está a aprender a ler e a escrever e se calhar uma profissão na «Escola Bengala Branca», com seis salas de aula e uma biblioteca onde se podia passar livros para braile não tivessem sido roubados os computadores.

E um refeitório, e um espaço de convívio, e 16 professores, e outros meninos para brincar. E um pátio a ocre e branco e paredes creme com janelas castanhas. Porque os sonhos das crianças cegas também são a cores.

Lusofonia
Nos arredores de Bissau há uma escola ocre e branca que ensina português a 150 crianças, dois terços invisuais com direito a transporte e aulas gratuitas. Para a associação de cegos é uma coisa «fantástica».
Escola Bengala Branca.doc
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