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rss  Vol. XVII - Nº 285         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Outubro de 2020
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Editorial

Ameaça e chantagem

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Costuma-se dizer que o mundo está governado por loucos. Mas há uns que são mais do que outros. E entre os primeiros, em lugar bem destacado, está Kim Jong-un, o líder hereditário da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), vulgarmente conhecida por Coreia do Norte.

Na passada terça-feira, numa escalada verbal mais tonitruante que de costume, Kim Jong-un anunciou a sua intenção de reativar um reator nuclear que tinha sido desativado em 2007, na altura, a troco de uma ajuda económica da comunidade internacional.

Quem já se deu ao trabalho de ver alguns dos inúmeros vídeos de propaganda da Coreia do Norte que circulam na Net, deve ter certamente reagido, como manda o bom censo, com um encolher de ombros ou um sorriso como quem vê os gags dos Apanhados. Como sabemos que os habitantes da Coreia do Norte não têm acesso à Internet, ficamos sem saber se os tais vídeos são postos a circular pelos próprios serviços de propaganda de Kim Jong-un ou por alguém que capta a televisão da Coreia do Norte e os difunde para galhofa do resto do mundo.

Sabendo-se que a pátria do jovem ditador Kim Jong-un é um dos países mais pobres do planeta, cuja população sofre graves penúrias, sobretudo alimentares – o que seria bem pior se não fosse o auxílio da China em troco de mão-de-obra para as empresas chinesas instaladas na RPDC – sabendo-se que a economia daquele país é uma das mais arcaicas do mundo, onde a maior parte do orçamento do estado vai para as forças armadas, para a glorificação do líder supremo e para a polícia política que mantém o povo na maior ignorância do que se passa no resto do mundo; a produtividade do país está de novo de rastos e o povo sofre de graves carências de base segundo os testemunhos dos que por lá conseguem passar.

Daí que a grande maioria dos comentadores internacionais pense que esta ameaça não passa de mais outra tentativa de chantagem, para que a comunidade internacional acorra de novo com mais auxílio alimentar e médico.

Assim parece, se tivermos em conta que as ameaças repetidamente feitas pelo líder norte coreano nas últimas semanas – como a de atacar diretamente o território dos Estados Unidos com mísseis de longo alcance e de declarar a guerra à Coreia do Sul, a nação irmã, pareçam demasiado caricatas para serem levadas a sério.

Só que desta vez, o tom subiu de uns quantos decibéis na propaganda da Coreia comunista, indo ao ponto de anular unilateralmente o armistício que existia entre as duas Coreias desde o fim da guerra que as separou em julho de 1953 e de considerar que «a Coreia do Norte tinha entrado em “estado de guerra” contra a Coreia do Sul e que todas as questões entre as duas Coreias serão tratadas de acordo com um protocolo adaptado à guerra».

A ameaça parece também começar a ser vista com mais seriedade da parte dos Estados Unidos, que se decidiram a enviar um contratorpedeiro para o largo da Coreia do Norte e de espiar aquele país com caças furtivos F-22 equipados de câmaras de alta definição e visão noturna. A mesma reação veio da parte da Coreia do Sul, pela voz da sua Presidente Park Geun-Hye que prometeu «uma resposta violenta e imediata sem quaisquer considerações de ordem política se o Norte se aventurar numa provocação contra a nossa população».

Por enquanto as ameaças são apenas verbais. Mas atendendo à inexperiência do jovem líder norte coreano, porventura acicatado pelos seus generais ou pelos seus próprios conselheiros, aduladores e servis, e sabendo-se que eles têm efetivamente acesso a armas nucleares, toda a cautela não é demais porque um gesto tresloucado pode rebentar à face do mundo. Se tal acontecer, como reagirá a China, os Estados Unidos, a Coreia do Sul ou a ONU? Ninguém tem resposta para tal evento, mas a única alternativa é pressionar a China para que acabe com o seu apoio à Coreia do Norte e ganhe deste modo a consideração do resto da comunidade internacional. No dia em que a China acompanhar a ONU para boicotar o regime déspota do louco Kim Jong-un, os dias do seu regime estão contados.

Editorial
Costuma-se dizer que o mundo está governado por loucos. Mas há uns que são mais do que outros. E entre os primeiros, em lugar bem destacado, está Kim Jong-un, o líder hereditário da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), vulgarmente conhecida por Coreia do Norte.
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