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rss  Vol. XVII - Nº 285         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
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Dia da Mulher do LusoPresse

Qual o caminho a seguir?

Inês Faro

Reportagem de Inês Faro

A 13ª edição do Dia da Mulher foi dedicada este ano ao tema: «60 anos da Comunidade: revisitar o passado, perspetivando o futuro através da(s) Mulher(es) de origem portuguesa». Vinte mulheres da comunidade portuguesa em Montreal marcaram presença na sala Godin do Hotel 10, no dia 24 de março. Da política ao voluntariado, das artes à educação, entre outras áreas de ação, as convidadas falaram das suas experiências a nível pessoal e profissional e da sua implicação na vida da comunidade portuguesa no Quebeque. O encontro acabou com algumas reflexões sobre o futuro da nossa comunidade.

De onde vimos?

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Iria Amaral quando intervinha no debate do Dia da Mulher do LusoPresse. A sua história nas Sete Ilhas prendeu toda a assistência
Foto Karene Aguiar - LusoPresse

Habituados a estarem rodeados de mulheres, Norberto Aguiar, editor do LusoPresse e pai de três filhas e Carlos de Jesus, diretor, casado com Vitória Faria revisora do jornal, foram os moderadores de um encontro dedicado ao feminino. Sentadas à volta de uma grande mesa em forma de U, foi pedido às vinte convidadas que falassem de si e dos desafios que enfrentam como mulheres e como portuguesas na sociedade quebequense. Embora o plano inicial fosse dividir o encontro num primeiro momento de apresentações seguido de um debate, foi a troca de experiências que dominou este Dia da Mulher.

Manuela Pedroso do Centro de Apoio à Família foi a primeira a ter a palavra. Com muitos anos de experiência no apoio e encaminhamento de pessoas vítimas de violência doméstica, a assistente social alertou para a necessidade de se falar mais sobre este flagelo social. Ao seu lado, Ludmila Aguiar e a única mulher diretora do Hotel 10 falou daquilo que ainda é uma realidade para muitas mulheres, a ausência de paridade em lugares de topo, nomeadamente no mundo da hotelaria. A timidez das duas convidadas foi o mote para a apresentação de Isabel dos Santos, atriz: «é tão feminino esta dificuldade em falar de si», disse a também ex-conselheira municipal. Já mais habituada a falar em público, a professora Odete Cláudio partilhou as suas experiências como pioneira entre as mulheres portugueses da educação no Quebeque. Há 56 no Canadá, Ana Souto relembrou o tempo em que deixou o Faial para emigrar para um país desconhecido.

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«Quando me casei nunca tinha ouvido falar do Canadá», disse emocionada. Já Maria Furtado sempre soube quem eram os portugueses que chegavam e partiam. Durante 40 anos esteve à frente do Livro do Galo. Quanto a Nisa Remígio, foi de cá para lá. Nasceu em Montreal e foi viver para os Açores acabando mais tarde por regressar ao Quebeque. Nos últimos anos tem-se dedicado à investigação sobre a vida das primeiras mulheres açorianas no Canadá. Seguiram-se as aventuras e desventuras de uma família pioneira nas Sept-Îles há mais de 50 anos atrás, contadas pela mãe, Iria Amaral e pela filha, Manuela Franco.

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Emigrada há menos anos, Glória Sousa falou da sua experiência como empresária e proprietária do restaurante Coco-Rico, onde gere 16 empregados. Numa partilha em jeito de balanço de vida, Manuela Delbiondo considera que apesar de algumas dificuldades que teve de enfrentar na vida é hoje uma mulher feliz e tem orgulho pelo que já contribuiu para a sociedade, nomeadamente através da sua implicação na vida comunitária de Laval. Também Ilda Tavares tem dedicado a sua vida à comunidade portuguesa através da dinamização das associações de Blainville onde ainda hoje se ocupa de diversas tarefas. De regresso ao Plateau Mont-Royal, a convidada seguinte é conhecida pelo seu envolvimento em diversas iniciativas da comunidade portuguesa na cidade. «Tenho os joelhos gastos de percorrer as ruas do nosso bairro», disse Joaquina Pires, conselheira para as relações interculturais da Ville de Montréal. Da vida comunitária passou-se para a educação. Vitália Rodrigues de Aguilar conta como saiu do «gineceu» e contrariou o destino ao recusar os bordados para se licenciar em psicologia interpessoal e ser hoje responsável pelas oficinas de português da Universidade de Montreal.

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No mundo das Artes, Paula de Vasconcelos é provavelmente das portuguesas mais conhecidas. A coreógrafa e diretora da companhia Pigeons International agradece aos pais a abertura que sempre tiveram nesta «terra de oportunidades», como se referiam ao Canadá. Na política, Alexandra Mendes foi a primeira mulher portuguesa a ser eleita como deputada federal pelo círculo de Brossard. Com mais de 15 anos dedicados à vida comunitária, é a política «a paixão da minha vida», disse. À espera das próximas eleições, Alexandra Mendes continua implicada na dinâmica do Partido Liberal do Canadá. Conselheira política de Jean Charest, entre outros, Sílvia Garcia é outra mulher portuguesa a influenciar os destinos do Quebeque. Formada em arquitetura, passou os últimos anos entre a cidade do Quebeque e Montreal a ocupar diferentes cargos públicos. Ao seu lado Adelaide Vilela, poeta e jornalista, partilhou as suas histórias desde as Minas da Panasqueira à guerra em África e a vida em Montreal. Contrariando a ideia do marido que não queria que estudasse, Adelaide Vilela tem representado já a língua portuguesa em vários eventos internacionais.

Na ordem do dia, Helena Loureiro é provavelmente das mulheres da comunidade portuguesa das que mais se houve falar ultimamente. Seja a celebração dos 10 anos do restaurante PortusCalle ou o novo restaurante Helena, a empresária e chefe luso-canadiana é uma figura de referência da gastronomia portuguesa no Quebeque. Por último, a palavra foi dada a Clementina Santos, Conselheira da Comunidade Portuguesa em Montreal desde outubro de 2008. Destinada a ser tecedeira e a ser mulher de um doutor, Tina, como é conhecida, trocou as voltas ao destino. Entre outras funções que desempenha, é hoje também uma voz conhecida da emissão portuguesa da Rádio Centre-Ville.

Para onde vamos?

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Apresentações feitas, houve ainda tempo – não muito-, para discutir sobre o futuro da comunidade. Será que as associações

como hoje as conhecemos vão sobreviver ao passar dos tempos? A quem cabe a responsabilidade de ensinar a língua portuguesa às novas gerações? Qual é o caminho a seguir?

As intervenções foram tentativas de resposta a estas e outras questões. Helena Loureiro defendeu o património gastronómico. Os luso-descendentes «continuarão a ter orgulho nas suas raízes e a gastronomia será sempre uma boa forma de manter a presença portuguesa em Montreal», disse a chefe portuguesa. Alexandra Mendes falou na perspetiva de uma portuguesa em Brossard e falou nas mudanças que hoje já são visíveis: os casamentos mistos; o desaparecimento da comunidade nas suas estruturas tradicionais; o desaparecimento da língua portuguesa entre as camadas mais jovens da comunidade. A ex-deputada falou ainda da nova vaga de emigração. Partindo desta última ideia, Joaquina Pires alertou para o facto de ser importante as gerações mais antigas receberem e ajudarem

 

 

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as novas gerações numa integração bem sucedida na província. Isabel dos Santos levantou a problemática da manutenção das instituições portuguesas pelas novas gerações e defendeu um caminho não pela via do saudosismo mas pela renovação. «A comunidade teve respostas adequadas às necessidades que teve, que já não são as de hoje. Há instituições que vão morrer e é bom que assim seja, é sinal de que já não são precisas», disse. Na mesma linha, Nisa Remígio defendeu que sim, «é preciso deixar uma herança, mas é fundamental deixar as gerações mais novas escolherem o seu caminho». Sílvia Garcia mostrou o seu entusiasmo em relação ao futuro da comunidade e Clementina Santos relembrou que a comunidade é «monocromática» e por isso reticente à mudança...

Lançaram-se ainda propostas para a dinamização de encontros e grupos que aproximem as mulheres da nossa comunidade.

Uma das iniciativas mais importantes do jornal, o Dia da Mulher, contou em edições anteriores com Manuela Aguiar, antiga Vice-Presidente da Assembleia da República, Lise Thériault, ex-Ministra da Imigração e das Comunidades Culturais, Maria Barroso, ex-primeira dama de Portugal, entre outras mulheres que se destacaram na vida pública portuguesa e quebequense.

Mais matéria sobre o Dia da Mulher na próxima edição do LusoPresse.

No jornal de 18 de abril , contamo, como rescaldo, falar ainda um pouco do que foi o Dia da Mulher do LusoPresse 2013.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Destaque
A 13ª edição do Dia da Mulher foi dedicada este ano ao tema: «60 anos da Comunidade: revisitar o passado, perspetivando o futuro através da(s) Mulher(es) de origem portuguesa». Vinte mulheres da comunidade portuguesa em Montreal marcaram presença na sala Godin do Hotel 10, no dia 24 de março.
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