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rss  Vol. XVII - Nº 285         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
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De lanterna na mão à procura da Democracia!

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Gostaria de dizer que esta minha opinião não se limita apenas ao Quebeque, mas também e em forma de raspão, apontarei a fisga ao partido no poder em Otava. Porque, queiramos ou não, tudo isto está interligado, mesmo para aqueles que dizem que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Só os indignados que desconheçam o princípio da democracia, da injustiça, da desonestidade, da ladroagem, podem agir de modo contrário!

1 – Comecemos então pela democracia que está mais perto de nós, sem esquecer evidentemente a monarquia do Sr. primeiro-ministro do Canadá, assim como o mundo que hoje nos rodeia, e que não deixa de ser uma aldeia global, onde por vezes se lava a roupa suja em vez de se tratar da coisa do usurário público que é roubado aos honestos cidadãos. Num texto publicado nas páginas de ideias do jornal «Le Devoir», André Laroque escreve o seguinte: «os partidos contra os cidadãos». Todos compreenderão que o conceito de partido deve ser mais vasto que o Partido Quebequense ao qual o autor dirige a sua crítica.

Contudo, a frase aqui utilizada pelo Sr. Laroque traz água no bico desde que René Lévesque «abandonou» o barco!

Se Andreé Laroque visa textualmente o Partido Quebequense, ele visa todos os partidos que têm assento na Assembleia Nacional, podendo também ter uma extensão global sobre a democracia. Só aqueles que não se querem ocupar da política deixam que a política se ocupe deles. Já numa outra vida os atenienses na Praça Pública da ex-ágora de Atenas se ocupavam do poder daqueles que se queriam acaparar dele!

Por isso vivemos tempos de corrupção e de patifaria; porque para alguns a política é um bicho-de-sete-cabeças que faz com que temos governos e os partidos que merecemos!

Vamos, então, para já, à democracia que nos é mais próxima, que é a democracia política dos partidos municipais, e da província.

Segundo André Laroque, que foi subministro da pura convicção política de René Lévesque, o seu governo propôs na Assembleia Nacional em 1977 a adoção da lei N-2, que se aplicava ao financiamento dos partidos políticos. Laroque diz que esse momento foi para ele »um grande momento de glória».

Este homem queixa-se hoje do orgulho da lei N-2 do Partido Quebequense de René Lévesque, «ridiculizada e sabotada em 6 de dezembro, « – se assim foi». Ele defende agora os cidadãos contra os partidos, indo ao ponto de dizer que «não haveria corrupção se não houvesse quem recebesse ilegalmente os ladrões – esses são os partidos». Para o Sr. Laroque, que outrora, com outros, por exemplo Claude Ryan, Pierre F. Coté, Pierre Dansereau, iniciadores em outubro 2001 do Novo Movimento pela Democracia (NMD). É claro que os toques que se dão atualmente à lei N-2 de 2012 dos partidos; segundo Laroque, não tem nada que se pareça com a lei de Lévesque de 1977.

Para aqueles que estejam interessados no texto, mencionaremos aqui seis pontos que ele invoca como principal crítica: Lutar... Fixar... Marginalizar... Servir... Partilhar... Fazer de Conta que...

Para Laroque: «da lei N-2 de 1977, à lei N-2 de dezembro 2012, vai uma grande descida nas exigências que a classe política se impõe a si própria».

2 – Observemos agora a passagem à cena da democracia do governo do Sr. Harper.

Este governo tem sido um governo que governa com a tal lei, chamada lei Mamute. Desde que está no poder, o Sr. Harper não deu um passo para que o bilinguismo no Canadá se possa aplicar às outras províncias canadianas. Do mesmo modo, o seu partido está-se nas tintas para os direitos das minorias do Canadá, começando pelas reservas indianas, pelas mulheres e pelas minorias culturais e francófonas das outras províncias. Com exceção do Novo Brunswick, onde as duas línguas são oficiais, nenhuma aplicação do bilinguismo! Talvez apenas em casos extremos! Se nos debruçarmos agora sobre o mandato deste governo, a sua democracia anda de gatas, é só estar atento ao que acontece no Parlamento quando se trata de debater os efeitos das leis no País, tal foi o caso da lei Mamute passada a vapor!

O Sr. primeiro-ministro antes de estar no poder apregoava que o Senado devia ser eleito, nessa altura a crítica era feita aos liberais. Hoje, que está no poder ele utiliza o mesmo estratagema que os liberais colocando assim aí os seus piões. Um desses piões é um dos seus senadores, que se diz descendente das origens de Sócrates, desconhecendo a cultura do seu pai. É um do subterfúgio autoritário e demagógico do partido, quando este partido de forma subtil se parece com a atitude dos coronéis gregos, mas vestido com capa da democracia! No caso do senador, invocando o multiculturalismo como um «pecado» das minorias culturais do Canadá, inclusos os francófonos que vivem noutras províncias, ele reflete bem a ideologia política do Sr. Harper, dado que essa ideologia, não é mais que a doutrina do seu manitu Preston Manning, que prevalece na capital do país como ideologia da direita, através do endoutrinamento que aí se faz aos fins de semana!

Este segundo mandato do Sr. Harper é quase um mandato como o dos coronéis gregos. Um outro caso da democracia do primeiro-ministro do Canadá foi a nomeação do ministro da Defesa do Canadá. Uma espécie de «coronel monárquico», que não tem escrúpulos em utilizar um avião do Estado como transporte para ir caçar!

Ref: jornal «Le Devoir», 11/03/2013 – 12/03/2013

Jornal La Presse, 11/03/2013, 13/03/2013

Carta Canadiana dos Direitos e Liberdades, Pierre E. Trudeau, 1981

Crónica
Gostaria de dizer que esta minha opinião não se limita apenas ao Quebeque, mas também e em forma de raspão, apontarei a fisga ao partido no poder em Otava.
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