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rss  Vol. XVII - Nº 285         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Outubro de 2020
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A falência dos transportes

Por Osvaldo Cabral

O setor empresarial do Estado é constituído por 137 empresas, 83 das quais são participadas a cem por cento pelo mesmo.

Foi um monstro que herdámos do período das nacionalizações e das loucuras cometidas por todos os governos, para abrigar os acólitos dos aparelhos partidários ou ajudar os amigos da área política.

As empresas financeiras representam 34% do monstro empresarial do Estado, seguindo-se o setor dos transportes, com um peso de 18%.

Das financeiras já todos conhecemos o descalabro, incluindo a Caixa Geral de Depósitos, porto de abrigo das famílias partidárias, que também já dá prejuízo.

Grave, grave, é o setor dos transportes, que todos os anos, há mais de uma década, apresenta avultados prejuízos, oscilando entre os 500 e os 600 milhões anuais.

Os campeões do descalabro são, à cabeça, a CP, seguida do Metropolitano de Lisboa, a Carris e o Metro do Porto.

A província, que não anda de metro, e os insulares, que não têm comboio, contribuem, também, com os seus impostos, para o festim das capitais lusas.

Chamam a isto, pomposamente, «indemnizações compensatórias», que têm vindo a crescer todos os anos, desde o ano 2000.

Numa década cresceu 157%, o que equivale a mais de 1 bilião de euros em todo o setor.

Apesar disso, as empresas apresentam, todos os anos, resultados desastrosos.

As contas são confirmadas num estudo do ISCTE, da autoria de Helena Isabel Sebastião, num projeto de mestrado em Gestão, apresentado em maio do ano passado.

É aqui que entra a questão: se essas empresas são altamente financiadas com os dinheiros públicos, qual o motivo para o Estado não apoiar, na mesma ordem de grandeza, os transportes marítimos e aéreos dos Açores?

Se vivemos em ilhas e não temos outras opções para nos deslocarmos, merecíamos a mais larga fatia do apoio público.

É verdade que também recebemos «indemnizações compensatórias», mas nada comparadas com o apoio crescente às empresas do continente.

Para este ano, por exemplo, o Governo da República vai reduzir em 14% o pagamento das indemnizações.

Vão ser entregues «apenas» 305 milhões de euros, sendo que 70% desta verba é para as empresas de transportes.

Sabem quem é mais prejudicado nesta redução?

Claro, os Açores.

As mais deficitárias continuam a ver as suas indemnizações aumentadas, enquanto a SATA sofre um corte de 4,6 milhões.

A REFER é a que mais receberá (53,8 milhões), seguindo-se o Metro de Lisboa (49,7 milhões), a STPC (15 milhões), e por aí fora... (Todas juntas davam para financiar a SATA durante uma dezena de anos e a RTP-Açores duas dezenas).

Só o Metro do Porto, um projeto altamente deficitário, vai gastar este ano 475 milhões de euros, quase metade do orçamento dos Açores.

Eu já nem falo do transporte marítimo de passageiros entre as ilhas, que devia ser tratado pelo Estado à semelhança dos cacilheiros de Lisboa, mas prejudicar os açorianos que aqui residem, através do reduzido apoio ao transporte aéreo, é uma injustiça gritante e que merece ser penalizada por todos os açorianos nos actos eleitorais.

Até os madeirenses são tratados pelo Estado de forma diferente.

É ver a rota Funchal/Porto Santo, operada pela empresa açoriana SATA, cuja exploração é deficitária na ordem dos 6 milhões de euros, pagos pelo governo da república a título de... «indemnizações compensatórias».

O mesmo Estado que recusa solidariedade às famílias açorianas e à Região pelos prejuízos causados pelo mau tempo.

É esta desigualdade de tratamento que é incompreensível.

Já não bastam as tarifas proibitivas que nos cobrem para sair das ilhas.

Temos também que pagar a gestão de regabofe de todas aquelas empresas do Estado.

Já não é, apenas, uma questão de falência das empresas.

É, também, a falência da política e da ética do Estado.

Crónica
O setor empresarial do Estado é constituído por 137 empresas, 83 das quais são participadas a cem por cento pelo mesmo.
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