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rss  Vol. XVII - Nº 285         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
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A Singapura à regional...

Por Osvaldo Cabral

Dizem que o sonho comanda a vida.

Se sonhar faz bem, então temos entre nós muita gente capaz até de entroncar na apneia, de tanto sonhar.

A moda, agora, entre a rapaziada nova, é sonhar com Singapura e Nova Zelândia.

Quando eu era mais novo, também sonhava que vivia no Havai...

Passando à realidade terrena, esta história de querer transformar o porto da Praia da Vitória na «Singapura do Atlântico» e o turismo açoriano no modelo da Nova Zelândia, ultrapassa o sonho para entrar no domínio do delírio.

A ideia até parece interessante, como tantas outras cheias de fulgor (vide o Casino!), não fosse o realismo das coisas deitar alguma água no fervor do entusiasmo.

Esta mania de pensarmos grande quando não temos dimensão para isso, tem-nos levado para maus caminhos, deixando quase sempre uma herança incomodativa às próximas gerações.

Portugal e os Estados Unidos jamais investiriam num elefante branco em pleno Atlântico, correndo o risco de matar a concorrência ali ao lado, em pleno território continental.

Aliás, a resposta veio pouco depois, com a ideia do governo português em construir um porto de águas profundas na Trafaria.

E para além da Trafaria já existe Sines, que, segundo os especialistas, serve perfeitamente para o «transhipment», ou seja desembarcar navios que transportam entre 12 mil e 18 mil contentores, para voltar a embarcá-los em navios mais pequenos com destino a outros países.

O empresário Henrique Neto, que está contra o projeto da Trafaria, é de opinião que a estratégia euro-atlântica de tornar Portugal «a principal plataforma logística de ligação da Europa ao Atlântico e daí a todos os continentes», deve passar por Sines, transformando-o no porto mais barato da Europa, com melhor atracagem, armazenagem e obtendo maior número de movimentos carga/descarga.

Em 2012 o porto de Sines foi considerado, pela primeira vez, como um dos 25 maiores portos europeus, sendo o que mais cresceu no ano passado.

A estratégia é ultrapassar os portos de Huelva e Bilbau para chegar ao terceiro maior porto ibérico.

Face a esta concorrência e a este forte investimento em que Portugal está apostado, onde entra aqui o porto da Praia?

Mesmo considerando a sua localização no meio do Atlântico, é mais do que óbvio que o nosso país e os respetivos lobies jamais olharão para a Praia da Vitória.

Portugal e os seus parceiros vão concentrar-se nos projetos de Sines e Trafaria, pelo que o sonho de um investimento semelhante nos Açores não passa de isso mesmo.

A Singapura regional é, portanto, mais um tiro de pólvora seca.

É só para nos por de olhos em bico.

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NOVA ZELÂNDIA – Quando o turismo nos Açores está a voltar aos níveis de há dez anos atrás, surge agora o novo milagre da salvação: vamos copiar o modelo da Nova Zelândia.

Em matéria de internacionalização da fé, somos os maiores.

Mas a realidade diz-nos outra coisa: o semanário «Expresso», que elege todos os anos os melhores hotéis e melhores restaurantes de Portugal, acaba de distinguir cerca de 60 unidades por todo o Continente e Madeira.

Nem uma dos Açores.

Dá que pensar, não é?

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BANCOS I – A Autoridade da Concorrência abriu um processo de investigação a vários bancos por suspeita de cartelização, nomeadamente na concertação de «spreads».

O presidente do organismo, que está de saída por terminar o mandato, já se apressou a dizer que «vai ser um processo jurídico complicado».

Traduzido para miúdos, em bom português, significa que é um processo que vai ficar para as calendas gregas.

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BANCOS II – Ao contrário de Portugal, o parlamento cipriota tem deputados com «eles» no seu lugar.

Não houve um deputado que votasse a favor do resgate europeu, que impunha uma taxa sobre os depósitos bancários com menos de 100 mil euros.

Os deputados portugueses deviam ser obrigados a fazer um estágio em Chipre.

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BANCOS III – François Hollande, o D. Sebastião da esquerda europeia, esfumou-se no nevoeiro tão rápido como apareceu.

Já vota ao lado da direita europeia e até programa austeridade em França semelhante aos pequenos periféricos.

Saiu-lhe na rifa um Ministro do Orçamento que está a ser investigado por ter tido uma conta secreta na Suíça, demitindo-se de imediato.

Grandes moralistas.

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BANCOS IV – Falando de outros bancos, os do parlamento regional, a falta de vergonha também assentou arraiais por aqueles lados. E nós a pagarmos 12 milhões por ano para estes espetáculos degradantes.

Outros bancos seriam mais apropriados aos Srs. deputados: os da escola!

Crónica
Se sonhar faz bem, então temos entre nós muita gente capaz até de entroncar na apneia, de tanto sonhar.
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