logo
rss  Vol. XVII - Nº 282         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Sai um político com fatura, sff!

Por Osvaldo Cabral

Anda meio mundo escandalizado com a lasanha de carne de cavalo.

A verdade é que já nos habituamos a comer gato por lebre, coisa muito vulgar em política.

Quando o eleitorado foi ao supermercado político escolher a nova governação, o que vinha lá rotulado tinha alguma coisa com aquilo que «comemos» hoje?

Acho muito bem que toda a gente se preocupe com a qualidade e controlo dos produtos alimentares, mas parece-me que a região, o país e a Europa deveriam preocupar-se muito mais com a qualidade dos políticos que temos.

A saúde pública ficaria mais agradecida se os políticos fossem mais sérios nas suas motivações e se deixassem de cozinhados que enchem os cidadãos de toxinas.

Comecem por procurar um antibiótico para o desemprego e verão como a saúde dos portugueses irá respirar melhor.

O fenómeno tira-lhes o sono? Pois que não dormissem na forma.

Um governo que não atina com as previsões económicas e que, ainda por cima, desvaloriza os desvios, merecia comer lasanha de cavalo todos os dias.

Outro governo que não atina com a política de turismo e não é capaz de perceber que o setor vai continuar estrangulado enquanto não fizer uma revolução no tarifário da SATA, devia ter como castigo empacotar a lasanha da Findus.

Não há palavras que descrevam o discurso político do «antes» e do «depois» dos momentos eleitorais.

A visão idílica das pré-campanhas torna-se sempre num inferno depois da posse.

A política precisa de credibilidade, que se perdeu por culpa dos políticos.

A Autonomia deixou de o ser há muito, porque os cidadãos se foram afastando do projeto.

Não há poder de mobilização em parte nenhuma, muito menos quando os políticos apelam à austeridade e ao rigor, mas quando toca a reduzir deputados no parlamento regional ou nacional, a cortar nas mordomias e nas festas de lacinho, alto e para o baile porque estão a mexer-lhes em direitos quase adquiridos.

Já ninguém acredita nesta gente.

Na Europa temos líderes sem carisma e sem competência, em Portugal tivemos um Sócrates que nos enterrou, temos agora Passos Coelho como desastre (acompanhado pela vergonha do Relvas), um Seguro que é cada vez mais uma incerteza, um António Costa sem coragem, um regulador como Vitor Constâncio que foi do piorio que aconteceu ao nosso desastre e foi promovido... como é que devemos acreditar nesta gente?

Não admira que se volte a ouvir por aí o Grândola Vila Morena.

Por enquanto o povão vai cantando.

Mas um dia destes, a continuarmos nesta podridão, irá passar a fatura.

Com IVA e tudo... e em contabilidade simplificada.

****

CORAGEM I – Este desencanto das novas gerações com os políticos e políticas do presente teve um episódio épico na reunião da Internacional Socialista, em Cascais, no Hotel Miragem.

Beatriz Talégon, secretária-geral da Juventude Internacional Socialista, começou o seu discurso improvisado assim: «Como se pode liderar uma revolução a partir de um hotel de 5 estrelas em Cascais, chegando em carros de luxo?».

Imagine-se a cara dos seus colegas líderes socialistas europeus.

Imagine-se se alguém se atrevesse a dizer uma coisa destas na nossa paróquia.

****

CORAGEM II – Critiquei aqui a atitude dos deputados do PSD-Açores na Assembleia da República aquando da votação do Orçamento de Estado. É de justiça elogiar, agora, a atitude perante as alterações da Lei de Finanças Regionais, votando contra a orientação geral da bancada.

Para que a cereja fosse colocada em cima do bolo, só faltou que um dos três deputados – pelo menos um – pedisse a palavra e dissesse de sua justiça por que razão os Açores estão contra aquele aborto.

****

MEDALHAS – A condecoração a Carlos César, mesmo que justa, é outro exemplo da hipocrisia política que vai nesta república. Alguém acredita nas boas intenções de Cavaco Silva neste gesto? Claro que é uma mera formalidade política.

Como diria Jorge Cabral, já ninguém acredita nos penduricalhos de lata deste país.

E a região vai pelo mesmo caminho.

Crónica
Anda meio mundo escandalizado com a lasanha de carne de cavalo.
Sai um politico com factura.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020