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rss  Vol. XVII - Nº 282         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
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Os luso-americanos como hispânicos?

Onésimo Teotónio Almeida

Por Onésimo Teotónio Almeida

O alerta chegou-me da diretora do Project Race, na Califórnia, perguntando-me se por acaso tinha dados sobre a classificação dos portugueses como Hispanics.

Na minha resposta, resumi-lhe assim o historial:

Em 1973, um grupo de imigrantes recentes do qual fazia parte, organizámos o 1º Congresso Luso-Americano, realizado na Harvard University, em Cambridge. Nessa altura, estava em alta a questão do estatuto de minorias que se propunha corrigir injustiças sociais que afetavam grupos minoritários (negros, hispânicos, ameríndios) deixando-os em desvantagem. O estatuto de minoria destinava-se a oferecer possibilidades de correção dessas desvantagens, sobretudo económico-sociais. O congresso teve a participação de algumas centenas de portugueses emigrantes recentes, que se pronunciaram esmagadoramente a favor da obtenção do estatuto de minoria.

Para os portugueses serem declarados minoria e poderem beneficiar das regalias que esse estatuto lhes concederia, seria necessário que o Governo Federal incluísse «Portuguese» na definição geral de Hispanics, pois entretanto os hispano-americanos tinham já sido considerados minoria pelo Governo Federal.

O Professor Francis Rogers, ao tempo catedrático de Estudos Portugueses em Harvard, não participante no dito congresso luso-americano, reagiu e, de colaboração com o advogado Joseph Freitas, escreveu para o Congresso dos EUA explicando que Portuguese não poderia cair sob a alçada de Hispanics porque os portugueses eram europeus e Hispanics eram latino-americanos.

Ninguém sabe ao certo o que então se passou, apenas que os portugueses deixaram de ser considerados minoria, exceto no Departamento de Transportes, e por razões que nunca ninguém conseguiu descortinar.

Passaram-se muitos anos sem os portugueses poderem beneficiar do estatuto de minoria, até um luso-americano, aluno de doutoramento no Departamento de Antropologia na Brown University, Miguel Moniz, decidir retomar a causa. Investigou-a e sondou a comunidade portuguesa com dedicação, convencido de que esse estatuto beneficiaria muitos dos seus membros. Para seu desapontamento verificou que a comunidade portuguesa não tinha o menor interesse em ser considerada minoria. O sentimento geral era de não sentir essa necessidade e de que o estatuto por ela conseguido até aqui era por mérito, não querendo ser acusada de beneficiar de um estatuto que os seus antepassados não tiveram. Face a uma tão explícita e generalizada posição, desiludido desistiu.

O alerta chegou agora da Califórnia. Ao que parece, o Censo de 2020 (nos EUA tudo começa a ser preparado com enorme antecedência e à última hora não se pode suster um processo, como ficou bem claro recentemente no caso da Base das Lajes), a categoria de Portuguese-American vai desaparecer e os portugueses não terão outra escolha a não ser declararem-se Hispanics. O movimento parece vir da própria comunidade hispânica (isto é, hispano-americana), hoje poderosíssima graças aos números, que devem rondar os 50 milhões. Tudo o que lhes permite engrossar a sua representatividade serve. A comunidade luso-americana foi apanhada de surpresa. Na Califórnia não falta quem aceite a designação de Hispanic, e há mesmo um congressista luso-americano que a defende, ao que parece porque ela lhe serve, uma vez que os seus eleitores são hispânicos e não portugueses. Na Costa Leste, o assunto está dormente. Suspeito, todavia, que, se alertada, a comunidade portuguesa reagirá, por razões diversíssimas mas que terão o seu impacto.

Neste momento existe, felizmente, uma voz política nacional nos EUA: a da PALCUS (Portuguese-American Leadership Council of the United States). Como membro da direção, achei oportuno e importante passar o problema para a organização e ele será discutido na próxima reunião da direção. Antevê-se a proposta de um debate nacional entre as diversas comunidades portuguesas e, muito provavelmente, um inquérito entregue a uma equipa de especialistas para que se avance respeitando o sentir da maioria.

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O alerta chegou-me da diretora do Project Race, na Califórnia, perguntando-me se por acaso tinha dados sobre a classificação dos portugueses como Hispanics.
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