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rss  Vol. XVII - Nº 280         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 12 de Abril de 2021
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Sinais preocupantes

Por Osvaldo Cabral

Convencionou-se, na política portuguesa, perdoar todos os erros dos novos governos antes de completarem cem dias.

É o chamado período de «estado de graça», que o governo de Vasco Cordeiro está a terminar.

Neste período já vimos de tudo: governantes mais experientes a dizerem disparates e alguns estreantes a apanhar bonés.

O resultado destes primeiros meses de atuação do novo governo açoriano não é nada brilhante.

A Saúde, a Lei de Finanças Regionais e a Base das Lajes são apenas três problemas que estão a ser abordados de forma preocupante (o do turismo dá para um capítulo de drama e horror).

Vamos à análise de cada um.

SAÚDE – O novo Secretário Regional manda ou não manda no Hospital de Ponta Delgada?

Então se é ele que tutela, por que razão faz um comunicado a anunciar que espera explicações da Administração do Hospital sobre aquela pouca-vergonha da falta de utensílios para as cirurgias?

Em condições normais, o dono da empresa chamava os responsáveis e resolvia a questão rapidamente: ou assumia o erro e corrigia-o de imediato; ou atribuía o erro aos gestores e demitia-os na mesma altura.

Percebeu-se logo que há ali constrangimentos e alguma afronta.

Acho que os independentes deste governo vão começar a perceber que há outra força que fala mais alto na governação: o Partido.

Quem está no Partido, está garantido.

Quem está no governo, tem que baixar a crista.

Já foi assim naquela embrulhada com a anterior administração hospitalar, no caso da alegada cena de sexo numa enfermaria, envolvendo um administrador. Os inquéritos deram em nada e ficou tudo na mesma.

Começa-se a perceber que, apesar da renovação nas pastas do governo, é o partido e a sua rede de influências e de amigos quem manda mais alto.

Vasco Cordeiro teve aqui uma boa oportunidade para mostrar que é ele quem manda e que as coisas, realmente, mudaram.

Ao não fazê-lo, mostrou fraqueza.

É o primeiro sinal preocupante.

FINANÇAS – É curioso que a falta de dinheiro no Hospital tenha sido precedida do anúncio, pelo vice-presidente Sérgio Ávila, de que a região tinha até novembro do ano passado um «superavite» de mais de 50 milhões de euros!

Onde é que eles estão?

Então se não há dinheiro para comprar luvas e compressas, como é que ele aparece para a construção de um Centro de Arte Contemporânea (mais uma inutilidade para as novas gerações pagarem com os seus impostos), no valor de cerca de 10 milhões, e que, ao que parece, já vai em derrapagem assinalável?

A questão financeira entronca na nova Lei de Finanças Regionais e no diferencial fiscal, de que tanto se falou em junho de 2011, quando o governo de Sócrates assinou o memorando com a Troika.

Nessa altura, Sérgio Ávila e o PS local explicaram que «(...) a redução do diferencial fiscal da Região proposta pela Troika é consequência da posição de princípio das entidades europeias que defendem a equiparação fiscal dentro do espaço europeu. (...) A novidade não é, portanto, que se regista uma quebra no diferencial fiscal entre a Região e o continente; é antes que se mantém um diferencial no nível de impostos entre os Açores e o continente».

O que é que mudou neste ano e meio para a posição do governo açoriano ser agora completamente diferente?

Claro, foi o governo da república, que é de outro partido.

Fazer política assim é muito preocupante, porque revela pouca seriedade perante os cidadãos.

Por este andar, ainda vamos ver o Dr. Sérgio Ávila a fazer uma conferência de imprensa a dar pancada no governo regional anterior...

Mais: é muito provável que até critique o PS-Açores por ter escrito aquele comunicado de 2011 e ponha-se a desancar em José Sócrates por ter assinado com a Troika o diferencial fiscal, e ainda, se Deus não acudir, é também capaz de se criticar a si próprio por ter assinado o Memorando de Entendimento com o governo da república no ano passado.

BASE DAS LAJES – Vasco Cordeiro fez uma declaração estranha acerca da Base das Lajes e que terá passado despercebida a muita gente.

Foi uma ameaça clara aos Estados Unidos.

«Essa relação diplomática não pode, de forma nenhuma, ser a mesma do que é atualmente. É esta a posição do Governo dos Açores», ameaçou Vasco Cordeiro, acrescentando que os Estados Unidos e a região continuarão a ser «amigos», mas a relação «não será certamente a mesma coisa do que foi até aqui».

Ai não?

O que é que vai acontecer?

Os Açores vão atacar os EUA?

Vão retirar as Casas dos Açores da América?

Fecham as portas diplomáticas?

A SATA deixará de voar para os EUA?

Obrigará o cônsul dos EUA nos Açores a regressar à sua terra?

Vai fechar a FLAD?

Deixa de receber os repatriados?

Oferece a Base das Lajes à Al-Qaeda?

Oh valha-nos Deus!

Crónica
Convencionou-se, na política portuguesa, perdoar todos os erros dos novos governos antes de completarem cem dias.
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