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rss  Vol. XVII - Nº 280         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 12 de Abril de 2021
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AGORA É «13»

Por Lélia Pereira da Silva Nunes

Um ano terminado com o numeral 13 é de deixar qualquer mortal de cabelo em pé, antenado e prevenido com o que lhe possa reservar os próximos 365 dias. A aura de sorte ou de azar do número 13 responde por sua fama de fatídico e pressagiador de infelicidades, concorrendo para uma série de superstições e crenças populares.

Diante desse cenário apresentado a respeito do simbolismo do 13 e das enxurradas de previsões recorrentes a cada passagem do velho para o novo ano, acrescidas das desastrosas interpretações do calendário Maia, resolvi correr atrás da louca Esperança, de que nos fala o poeta Mario Quintana no poema Esperança. Pois, é preciso encarar 2013 com o olhar da «Es-pe-ran-ça.»

Exorcizar a inquietude, o desassossego ou o medo por saber que o meu dia fica a cada momento mais curto, quem sabe sentindo o instante do destino, uma espécie de «anatomia de um instante», tomando por empréstimo a expressão cunhada pelo romancista espanhol Javier Cercas e título do seu premiado livro ficcional e histórico.

Assim, resolvi pegar leve, esconjurar o que atrapalha o bem viver e entrar 2013 com tudo, desafiando a fazer e só aceitar o melhor. Nada de receitas miraculosas, nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem como poetou Carlos Drummond de Andrade na sua Receita de Ano Novo, exaustivamente repetida por toda gente. Botei de lado o tal balanço geral do ano que passou, sem culpas e nem desculpas, apenas guardei no baú da memória tudo que foi ótimo e merece registro, celebrando o prazer de cada conquista pessoal e da minha gente brasileira ao longo de 2012, o ano que entra para a história pelo resgate da credibilidade e do orgulho da Justiça, a vitória do bem. Também, rasguei a famosa lista de bons propósitos, coisas que prometo fazer para o ano e acabo não fazendo. E de boas intenções o inferno está cheio, não é assim? Louvar o que tem que ser louvado, deixar para trás o que não vale a pena. Então, vamos nessa, cada coisa a seu tempo…

Aí está – a grande noite da virada. A emoção de, mais uma vez, ultrapassar a tal linha imaginária costurada na cronologia do calendário que marca o nosso tempo. Uma noite que tem a habilidade de encantar e fazer acreditar no poder de renascer, de tocar em frente. «Cada um de nós compõe a sua história e/Cada ser em si carrega um dom de ser capaz/E ser feliz», diz os versos da canção Tocando em frente, interpretada por Maria Bethânia. De ter a presença das pessoas que amamos e que de facto importam. São elas que fazem a diferença pelo muito que significam em nossa vida. Sou eu que faço a diferença, como timoneira da minha vida. Uma transição absoluta e sem retrocessos. Pois, nunca será igual ao ano anterior e a nenhum outro. Pertencem a minha história de vivências e mundividências.

Foi com esta reflexão que me preparei para cumprir o tradicional rito de passagem. Até a Ilha se vestiu de gala na noite de lua quase cheia, monja branca dos espaços, que o poeta Cruz e Souza exortou em «Monja», poema publicado em Broquéis, 1893.

Esperei 2013 ao lado da família e dos amigos junto à Avenida Beira mar Norte, onde se acotovelaram cerca de 250 mil pessoas, um mar de gente vestida de branco. Encarei um arsenal de tradições e simpatias para atrair bons fluidos e, assim protegida, adentrar 2013 com pé direito e muito «axé». Comi doze bagos de romã, pulei ondas, ofereci uma rosa vermelha à Iemanjá, senhora das águas. Vesti branco e «calcinha nova» da cor do meu desejo. Um costume no mínimo hilário – as charmosas calcinhas da sorte.

Toneladas de fogos-de-artifício coloriu e iluminou o céu de Florianópolis, anunciando o alvorecer de 2013, contagiando a todos numa explosão de felicidade, traduzidos em milhares de abraços e beijos e no borbulhar do champagne no brinde ao Ano Novo.

Viva! Vivamos com saúde, trabalhando e realizando muito, saboreando a alegria de cada instante e curtindo cada passo neste caminho recém-aberto – ano 2013.

Crónica
Um ano terminado com o numeral 13 é de deixar qualquer mortal de cabelo em pé, antenado e prevenido com o que lhe possa reservar os próximos 365 dias. A aura de sorte ou de azar do número 13 responde por sua fama de fatídico e pressagiador de infelicidades, concorrendo para uma série de superstições e crenças populares.
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