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rss  Vol. XVI - Nº 272         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Outubro de 2020
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No Métropolis

A soirée vitoriosa de Pauline Marois quase se transformou em tragédia

Jules Nadeau

Reportagem e fotos de Jules Nadeau

Durante a primeira parte do discurso da vitória, Pauline Marois, sozinha no palco do Métropolis, provocou a alegria da multidão de partidários insistindo sobre o facto histórico que era a «primeira mulher a tornar-se primeiro-ministro». Os aplausos romperam da plateia e do balcão enquanto se agitavam bandeirinhas do Quebeque. Uma sala delirante. A dirigente do PQ fez um apelo em inglês à população anglófona. Depois falou sobre a independência do Quebeque.

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Pauline Marois, o sorriso da vitória!
Fotógrafo Jules Nadeau - LusoPresse

De repente, golpe teatral, cinco guardas de segurança correram na sua direção, brusca mas cuidadosamente agarraram-na pelos dois braços e desapareceram com ela. Espanto entre todos os jornalistas colados ao palco. «Fotografaste isto?», perguntávamo-nos. Mme Marois voltou rapidamente ao microfone com esta pequena frase: «Aconteceu um pequeno incidente infeliz». Com o artista Yves Desgagnés, ela pediu para evacuarem «com calma... lentamente» a sala que estava repleta.

Apupos deselegantes

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Militantes pequistas reunidos no Metropolis para celebrar a vitória de Pauline Marois
Fotógrafo Jules Nadeau

Depois de consulta com outros guardas, mudança sem explicação, a primeira-ministra decidiu terminar a sua alocução e fez subir ao palco uma dúzia de deputados vitoriosos. «Façam-nos confiança!», disse ela. Durante o serão, o Partido Quebequense tinha chegado a ter 13 deputados a mais que o Partido Liberal, mas no final o resultado foi de 54 contra 50, uma margem muito fraca, e 19 lugares para a formação de François Legault. Como era de esperar, a derrota de Jean Charest foi vivamente aplaudida pelos pequistas reunidos no Métropolis. Aliás, cada avanço liberal ou caquista era pontuado por deselegantes apupos.

Além do fraco resultado de 54 deputados contra 50, o PQ teve de se contentar com uma percentagem de votos apenas ligeiramente superior ao dos Liberais, ou seja 31,9% contra 31,2%. Somente 30 000 votos de diferença, como bem sublinhou Jean Charest. Nós não tínhamos ainda todos estes números antes da meia-noite quando decidi partir da grande sala de espetáculos com a esperança de ver Pauline Marois demorar-se o tempo de uma fotografia à saída da rua Sainte-Catherine. A soirée parecia acabada.

Surpresa! Uma meia dúzia de camiões de bombeiros bloqueavam a rua encharcada de chuva. Numerosos polícias pediam aos «foliões» de evacuar o sítio. Um carro preto dirigindo-se para o sul da rua Saint-Dominique levava a dirigente política para um lugar mais seguro.

Como explicou Martine Biron, a jornalista de Radio-Canada, dentro da sala onde eu estava era impossível aperceber-se do que se passava. Foi só quando cheguei ao carro que soube pela rádio o que acabava de acontecer. Primeiro o fogo. Foi preciso esperar até mais tarde para saber que tinha havido um morto e um ferido grave. Uma notícia suficientemente espetacular para dar a volta ao mundo. (No momento de sermos impressos, a polícia ainda não tinha dado pormenores).

Grande risco de pânico

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Pauline Marois tenta serenar a assitência depois atentado
Fotógrafo Jules Nadeau - LusoPresse

Num sóbrio fato azul-escuro, com uma blusa branca, fazendo o seu discurso ponto por ponto, entre salvas de aplausos, a deputada de Charlevoix foi ao mesmo tempo digna e magnânima. Nada de depreciativo sobre os seus adversários. Ela falou mesmo em inglês durante alguns segundos. Foram alguns dos companheiros de equipa eleitos, como o jovem Léo Bureau-Blouin, Bernard Drainville e Jean-François Lisée que ousaram falar da lei 101 a reforçar e da lei 78 a abolir. Estes últimos não deixaram de gabar as qualidades de líder da «chefe» que deverá dirigir os destinos do Quebeque com um governo minoritário. Uma tarefa nada fácil.

«Serei a primeira-ministra de todos os Quebequenses, incluindo a juventude», declarou ela, fazendo alusão às reivindicações dos estudantes. Contudo, nada foi dito sobre as comunidades étnicas. Entre os partidários da reunião do 4 de setembro, vi muito poucos representantes das minorias visíveis. A presença de Maka Kotto, em Bourget, ajudará a sensibilizar o partido para esta componente do eleitorado? A derrota de Djemila Benhabib em Trois-Rivières não vai ajudar o PQ.

Parece-me que Mme Marois não estava ao corrente do atentado no momento em que ela completou o seu discurso – o que nos levou a crer que era um falso alarme. Uma coisa é certa, se nos tivessem revelado a presença de alguém armado duma Ak-47, ou gritado fogo no princípio do incêndio, o milhar de pessoas presentes no Métropolis teria, sem dúvida, entrado em pânico. Seja como for, este serão de eleições fez-me pensar na tragédia do Colégio Dawson, onde me encontrava quase ao mesmo tempo da chacina, que custou a vida a uma jovem de origem portuguesa.

Destaque
Durante a primeira parte do discurso da vitória, Pauline Marois, sozinha no palco do Métropolis, provocou a alegria da multidão de partidários insistindo sobre o facto histórico que era a «primeira mulher a tornar-se primeiro-ministro». Os aplausos romperam da plateia e do balcão enquanto se agitavam bandeirinhas do Quebeque.  .
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