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rss  Vol. XVI - Nº 272         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Outubro de 2020
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Festival Internacional de Literatura de Montreal

Portugal de fora por falta de verbas

Raquel Cunha

Reportagem de Raquel Cunha

Realiza-se este ano a 18ª Edição da FIL – Festival Internacional de Literatura de Montreal, o mais prestigiado encontro literário francófono, que não contará este ano com presença portuguesa. O LusoPresse quis saber o porquê e por isso falou com Vitália Rodrigues e Luís Aguilar, responsáveis pela inclusão da nossa literatura no encontro.

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Luís Aguilar, leitor de Português na Universidade de Montreal.

Para quem não sabe, Portugal esteve representado nos três últimos anos, primeiro por Vitália Rodrigues e a sua bem-sucedida atividade de rally literário pelos bancos de pedra e poesia da Av. Saint Laurent. De seguida, por Francisco José Viegas (atual secretário de Estado da Cultura), convidado para uma teia de género policial. E, por fim, por Lídia Jorge, que marcou presença pela sua grandeza romancista. Ambos trouxeram uma inesperada afluência de público, que demonstrou com surpresa, agrado pela Literatura Portuguesa «o problema é o desconhecimento, uma vez que ganham contacto com a nossa literatura, normalmente as pessoas ficam rendidas», afirma Vitália Rodrigues. A verdade é que a nossa literatura «é uma das mais prestigiadas da Europa, conta com grandes gigantes literários e uma extensa variedade de estilos», continua.

O começo...

O envolvimento do casal Aguilar (que dispensa apresentações), deu-se a pedido do anterior Cônsul-geral de Portugal em Montreal, o Dr. Carlos Oliveira. A disponibilidade foi então imediata. Entenda-se que o trabalho é voluntário, pelo qual não recebem «um cêntimo», mas que fazem «com prazer e pelo gosto de divulgar o que temos de bom», completa Luís Aguilar.

A equipa tornou-se cada vez mais alargada e dinâmica, «com mais do que uma reunião mensal, com criatividade e bastante ativa», elogia Luís Aguilar. «É um grupo profissional e cultural de elevado nível e do qual temos muito gosto em trabalhar», conclui.

Responsável pelas atividades do Lisez L´Europe, este grupo conta com Consulados e prestigiados Institutos de vários países europeus, entre os quais Espanha, Catalunha, Itália, Suíça, Áustria e em breve a Polónia.

Este ano Portugal seria representado pelo escritor-revelação João Tordo (para quem não conhece, leia bibliografia em rodapé). «Fizemos o mais difícil. Arranjamos os contactos. Trouxemos cá o escritor e verificamos a sua disponibilidade. Estava já tudo pronto». Confessa com desânimo Luís Aguilar.

Falta de verbas e de resposta.

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João Tordo aquando da sua recente passagem por Montreal.
Fotógrafo  - LusoPresse

Embora João Tordo estivesse disponível e ansioso por participar, a verdade é que «não foi providenciada a verba necessária para trazer cá o escritor (leia-se passagem e hotel) por parte do Consulado», explica Vitália Rodrigues. A situação tornou-se insustentável para a diretora do festival, Marie-Pierre Poulin, representante do Instituto Goethe, que escreveu diversas vezes para o consulado «e que não obteve resposta. Aguardou o mais que pode, mas a certa altura, sem confirmação, teve de excluir Portugal do programa», esclarece Vitália.

Com «tudo a postos, muito trabalho feito, biografia em francês, filme de acompanhamento, horas de reunião, etc.», é com desânimo que Luís Aguilar encara a situação. «Falámos ainda com David Pereira, chanceler do Consulado, que não sabia de nada». O motivo pois para a saída de Portugal do prestigiado evento foi simplesmente a falta de verbas.

Literatura à deriva.

«É sobretudo uma pena», desabafa Luís Aguilar, que logo acrescenta que «foi uma longa caminhada inserir Portugal neste círculo. Agora a afluência tem sido cada vez maior. As pessoas têm-se habituado a estas atividades e dentro da Comunidade já me perguntam quando será a próxima », explica. E completa, «as coisas culturais têm de ter uma certa continuidade, uma certa evolução».

Resposta do Consulado

Quando contactado pelo LusoPresse, Fernando Demée de Brito, Cônsul-geral de Portugal em Montreal, foi solícito na resposta. Segundo o Consulado, a falta de verbas e de «resposta» vem da parte do Instituto Camões em Portugal, que não respondeu ao pedido e ao programa agendado pelo consulado. «Este Consulado-Geral informou, no início de junho, o Camões I.P. do nome do escritor disponível e, em consequência, solicitou a disponibilização das verbas necessárias para assegurar a sua vinda a Montreal, em setembro corrente», explica. Neste sentido, e segundo o Dr. Fernando Demée de Brito, o consulado fez tudo ao seu alcance. Contudo, «Infelizmente (...) não se obteve qualquer resposta do Camões I.P. em relação à proposta de participação de Portugal no Festival Internacional de Montreal que, reitero, tem sido sempre uma das atividades culturais anuais calendarizadas por este CG. Dada a situação de contenção orçamental que, atualmente, se vive em Portugal, a falta de verbas poderá ter sido um dos motivos para a nossa não participação. Muito embora, dada a falta de resposta concreta por parte do Camões I.P., qualquer debate sobre os motivos da nossa não participação no FIL MTL acaba por ser mera especulação», conclui.

Quanto à falta de resposta por parte do consulado à organização do evento, o Cônsul-Geral afirma que «o Consulado-Geral não se comprometeu apenas por falta de resposta do Camões I.P.»

Futuro incerto.

O casal, Luís Aguilar e Vitália Rodrigues, continua certo de que «trabalharemos sempre na divulgação da nossa literatura», que «continuaremos otimistas» e que «para o próximo ano tentaremos outra vez». Contudo, uma interrupção destas «é quase como começar do zero», «temos pena, mas é a vida», afirma Vitália e conclui com um sorriso «para o ano há mais».

O LusoPresse tentou contactar com Marie-Pierre Poulin, representante do Goethe Institut Montréal e organizadora do evento, mas por circunstâncias diversas, como a mudança de local da sede do dito instituto, não recebemos resposta até ao fecho da edição.

João Tordo: Foi vencedor do Prémio Jovens Criadores, Prémio José Saramago e finalista dos Prémios Portugal Telecom, Fernando Namora e Melhor Livro de Ficção Narrativa da SPA.

Publicou cinco romances, «O Livro dos Homens Sem Luz», «Hotel Memória, »As Três Vidas", »O Bom Inverno" e »Anatomia dos Mártires". É considerado como uma referência na literatura contemporânea portuguesa.

Literatura
Realiza-se este ano a 18ª Edição da FIL – Festival Internacional de Literatura de Montreal, o mais prestigiado encontro literário francófono, que não contará este ano com presença portuguesa. O LusoPresse quis saber o porquê e por isso falou com Vitália Rodrigues e Luís Aguilar, responsáveis pela inclusão da nossa literatura no encontro.
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