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rss  Vol. XVI - Nº 272         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Outubro de 2020
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Eleições no Quebeque

Derrota de Jean Charest e ascensão de novo partido centrista

Raquel Cunha

Por Raquel Cunha

Terça-feira passada foi uma noite histórica para o Quebeque, noite de eleições e memorável não só pelo infeliz tiroteio, que foi uma ameaça contra qualquer tipo de bom senso e é um claro ataque à democracia. Memorável pelos resultados, demasiado perto uns dos outros para que se veja uma clara vitória ou inclinação partidária no Quebeque. Feitas as contas, o Partido Quebequense ganhou, embora sem ter conseguido os votos necessários para a formação de um governo maioritário.

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Jean Charest recebe o apoio da esposa no momento de anunciar a sua derrota pessoal e do seu partido.

Foi magra a vitória do PQ, com 32% dos votos contra os 31% dos Liberais. Acrescenta-se ainda que a CAQ (Coalition Avenir Québec), novo partido, conseguiu 27% dos votos, sendo de momento a terceira força política da província. O que se traduz na Assembleia Nacional em 54 deputados para o PQ, 50 para o PLQ e 19 para a CAQ. Quebeque Solidário elegeu os outros dois deputados.

Partido Liberal

Jean Charest foi o grande derrotado da noite. No Hotel Delta, em Sherbrooke, onde se reuniram cerca de 300 pessoas, Charest, acompanhado pela sua família, mulher e filhos, cabisbaixo e emocionado, falou sobre as fortes emoções vividas nestes 28 anos de vida política. Num gesto humilde e cívico, parabenizou a líder do Partido Quebequense, Pauline Marois, pela sua vitória e principalmente por ser a primeira mulher primeira-ministra do Quebeque, pedindo à assistência que lhe desse um forte aplauso, o que foi feito, enchendo a sala de comoção.

Por fim afirmou que «Estes não eram os resultados de que estava à espera. Não é uma batalha a que fuja. Tenho a firme convicção de que o nosso partido continuará a servir o Quebeque e que o faremos juntos».

A grande surpresa foi o facto de ter perdido o seu próprio círculo eleitoral, Sherbrooke, para Serge Cardin, candidato do PQ e antigo membro do Bloco Quebequense. Perdeu assim o lugar que ocupava na Assembleia Nacional desde 1998. Acrescente-se ainda que Jean Charest nunca havia perdido uma eleição nessa região, nem a nível provincial nem federal, desde que foi eleito pela primeira vez em 1984. É pois para ele uma clara derrota, numa região que ele adora, «onde conheci a minha mulher e estudei» e à qual «agradeço o apoio durante todos estes anos».

«Estou orgulhoso de ser Quebequense e de ser também Canadiano. E quero dizer a todos presentes nesta noite e a todos interessados no futuro do Quebeque, que o resultado destas eleições demonstra o facto de que o futuro do Quebeque está no Canadá». Numa clara alusão contra a política separatista do PQ. Aceitou ainda a responsabilidade pela perda do Partido Liberal, dizendo que o fez «de coração aberto» e que «é o dever do líder».

Afirmou ainda que «haverá outras oportunidades para o Partido Liberal do Quebeque» e que «agora, frente a um governo minoritário, seremos capazes de fazer a nossa própria contribuição para a futura construção do Quebeque».

Embora no seu discurso tenha demonstrado forte intenção de permanecer no partido, acredita-se que devido a pressões internas e sobretudo pela clara derrota pessoal, que Jean Charest demitir-se-á da sua função de líder do partido e provavelmente da vida política.

CAQ:

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François Legault, em Repentigny, quando falava sobre o acto eleitoral.

Outra grande surpresa destas eleições foram os resultados obtidos pelo mais recente partido político da província, a Coalition Avenir Québec, CAQ, que na sua primeira corrida às urnas alcançou um respeitável terceiro lugar, sendo de momento a segunda força política de oposição, com 27% dos votos e 19 deputados eleitos. Segundo o líder do partido, François Legault, «a paisagem política do Quebeque nunca mais será a mesma. Assistimos à ascensão de uma nova força política no Quebeque. Devemos estar orgulhosos do caminho percorrido no último ano».

Legault ganhou no seu círculo eleitoral, L´Assomption, contra a sua principal opositora Lizabel Nitoi, do Partido Quebequense.

«A CAQ é um jovem partido que dispõe de recursos modestos», explicou Legault e pediu aos seus apoiantes que «apesar da vossa deceção, que é legítima, de que não se desmotivem, porque eu não me desmotivarei». É que apesar de ter obtido 27% dos votos, o partido só conseguiu eleger 19 deputados, o que «pode parecer injusto, mas são as regras do jogo», afirmou com um sorriso.

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Françoise David ganhou a sua aposta
Fotógrafo Presse Canadienne

Para ele «os Quebequenses se decidiram por um novo governo sobre alta vigilância» e promete «limpar o mau clima político e mudar o tom das discussões na Assembleia Nacional».

Formado apenas há nove meses por François Legault, a CAQ resulta da procura de «ar fresco que ajude a refrescar a província das bandeiras federalistas ou separatistas». Neste sentido, votar na CAQ seria «votar contra o separatismo», insistiu o líder partidário. «Talvez as pessoas queiram discutir isso daqui a 10 anos, mas agora não é um assunto prioritário». Para François Legault a prioridade é «a crise económica, a falta de médicos, o declínio do sistema de saúde e a «abissal» taxa de 20% de abandono escolar».

O combate à corrupção é também outra aposta forte deste recente partido. Para isso conta com a participação de Jacques Duchesneau, ex-chefe da unidade provincial anticorrupção. Candidato vedeta, o apoio público a Duchesneau foi visível durante a campanha e transmitiu-se em votos, ganhando facilmente no seu círculo eleitoral, Saint Jérôme. «Eu recebi uma mensagem clara das pessoas com quem me encontrei durante a campanha; elas estão fartas, precisam de mudança». Neste sentido «o Governo ouvirá o que tenho a dizer», afirmou.

Política Quebequense
Terça-feira passada foi uma noite histórica para o Quebeque, noite de eleições e memorável não só pelo infeliz tiroteio, que foi uma ameaça contra qualquer tipo de bom senso e é um claro ataque à democracia. Memorável pelos resultados, demasiado perto uns dos outros para que se veja uma clara vitória ou inclinação partidária no Quebeque. Feitas as contas, o Partido Quebequense ganhou, embora sem ter conseguido os votos necessários para a formação de um governo maioritário.
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