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rss  Vol. XVI - Nº 272         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Outubro de 2020
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Editorial

Ganhámos todos

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Fim do suspense. A boca das urnas teve a última palavra. Jornalistas, analistas e agentes de sondagens em palpos de aranha. Nunca tanta gente se tinha enganado tanto, durante tanto tempo. Se houve uma vitória, uma única, foi a da democracia. A percentagem de participação, mesmo em pleno verão, só para confundir cínicos e céticos, foi muito mais elevada que da última vez (71% contra 57,43% em 2008).

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A primeira-ministra eleita, Pauline Marois
Fotógrafo Jules Nadeau - LusoPresse

O grande papão do PQ (Partido Quebequense) de Madame Marois entrou, mas de mãos amarradas. O diabolizado PLQ (Partido Liberal do Quebeque) de Jean Charest foi com o joelho ao chão mas conservou o seu exército quase incólume, a anos-luz da derrocada anunciada. A esperança duma nova ordem social, à la Thatcher, tal que prometida pelo novel partido da CAQ (Coligação pelo Futuro do Quebeque), de François Legault, ficou-se nos limbos dos recenseadores, embora com um honroso resultado final de 27 por cento dos votos expressos.

Afinal todos ganharam. O PQ conseguiu fazer eleger a primeira primeira-ministra na história do Quebeque e assim voltar a dirigir os destinos da província. O PLQ conseguiu resistir ao vento de mudança que o ameaçava varrer da cena política provincial e impor-se como uma sólida oposição apenas a menos de um por cento de diferença do vencedor. A CAQ conseguiu impor-se como partido político respeitável, não obstante a sua jovem idade de 9 meses apenas. Mesmo o Partido Quebeque Solidário com dois deputados eleitos vê duplicada a sua presença na Assembleia Nacional.

Ganharam todos os eleitores que temiam a política agressiva de guerrilha constitucional que prometia Pauline Marois com a criação duma cidadania quebequense, uma carta de laicidade, uma nova lei linguística e o repatriamento de competências federais para o giro provincial. Ganharam também os que desaprovaram o movimento de contestação estudantil (ainda em curso), visto que os partidos do quadrado vermelho (PQ e QS) com 38 por cento do total do voto, não representam pouco mais que um terço da população.

Ganhou a Justiça e o saneamento dos bons costumes, para se acabar de vez com as alegações de corrupção sem provas. Com o novo governo da primeira-ministra Marois, os trabalhos da Comissão da Juíza Charbonneau contra a corrupção e a colisão no mundo político e das obras públicas vão poder prosseguir, sem suspeitas de manigâncias de bastidores e os procuradores poderão declarar finalmente quem são os verdadeiros mafiosos e seus acólitos a levar diante dos tribunais.

Ganhou também a Economia e o mundo do trabalho. Não pela solidez da equipa vencedora nesta matéria, antes pelo contrário, mas porque o PQ não poderá aplicar o seu plano económico sem as profundas alterações que os partidos da oposição vão exigir. O Plano do Norte (plano de desenvolvimento mineiro do norte do Quebeque) vai poder prosseguir na sua trajetória sem os entraves ideológicos que o PQ lhe prometia pôr nas rodas.

Ganharam ainda os progressistas conservadores (passe o oximoro) que queriam uma mudança de regime mas não muito à esquerda, nem muito à direita, nem muito nacionalista, nem muito federalista, nem muito pró estudantil, nem muito neoliberal. À verdadeira imagem dos quebequenses!

Mas, o que mais ressalta do novo mapa político destas eleições é que o Partido Quebequense (PQ) domina sobretudo no interior da província. Os dois grandes pólos urbanos que são Montreal, a metrópole cosmopolita, e Quebeque, a capital provincial, com exceção de alguns focos de irredutíveis independentistas, aqui e ali, optaram maioritariamente pela oposição ao projeto autonomista de fazer do Quebeque um país independente. Os rurais contra os urbanos? Sim, em larga medida. Mas sobretudo o conservadorismo identitário contra o cosmopolitismo do século XXI.

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Fim do suspense. A boca das urnas teve a última palavra. Jornalistas, analistas e agentes de sondagens em palpos de aranha. Nunca tanta gente se tinha enganado tanto, durante tanto tempo. 
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