logo
rss  Vol. XVI - Nº 272         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Outubro de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Cães e Medias ao Ataque

Raquel Cunha

Por Raquel Cunha

Vocês me desculpem pelo tom parcial e informal das linhas que se seguem.

O assunto, os cães ditos perigosos, tema que preencheu as manchetes da última semana, nos dois lados do Oceano. Coincidência?

Aqui no Canadá, mais precisamente no Quebeque, o motivo para tanto alarido foi a proibição de certas raças em parques públicos na área metropolitana de Montreal. Aí, do outro lado do mar, foi a morte, de um bebé e de uma senhora em menos de um mês na zona norte do país.

Caes Raivosos.jpg

Sem querer ser moralista, não posso deixar de reparar que a foto escolhida nos dois jornais de referência, tanto no Público como no La Presse, é a mesma (coincidência outra vez?), e esboçar um sorriso.

Sorrio por que ela (a foto) é o paradoxo que exibe a ignorância de quem escreve (desta vez no Público). É que com o intuito de transmitir uma imagem ameaçadora dos ditos animais, escolhem uma imagem em que eles estão de facto a brincar, exatamente do mesmo modo que o meu fox terrier (a Milu do Tintim) costuma fazer. Já agora, será que o devo incluir também na lista negra canina?

Antes de mais, duas coisas: primeiro, não existem cães potencialmente perigosos, mas problemas comportamentais, que vêm em todas as raças e tamanhos. Segundo, que perseguição mediática é essa? Por quê essa demonização de um tipo de animal, leia-se, apenas por ser forte e de grande porte?

Porque não quero falar por mim, consultei Gabrielle Dufresne, terapeuta de comportamento animal, que há mais de 25 anos trabalha com cães, gatos, lobos, cavalos e outros. Para ela a situação é clara: «não existem cães maus, existem maus comportamentos. Em toda a minha carreira jamais vi um cão verdadeiramente incontrolável».

Um estudo feito nos Estados Unidos em 2010 pela Sociedade Americana de Testes Comportamentais revelou que o Pittbull Americano é em média mais doce do que as outras raças caninas, obtendo uma nota comportamental de 83.9% contra uma média geral de 80.4%. O Pittbull «é uma raça extremamente polivalente, determinada e muitíssimo inteligente. É um animal de interior calmo mas que precisa de canalizar a sua energia», confirma a terapeuta canina.

Embora os casos de ataques por Pittbull sejam relatados de maneira exaustiva pelos Média, a realidade é bem diferente. Gabrielle explica o caso que tem agora nas mãos, o de um Golden Retriver com problemas de agressividade, que por mais de duas vezes levou o seu dono ao hospital, sem que «todos os Golden Retriver sejam demonizados».

Nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial, o Pastor Alemão era o inimigo público, enquanto o Pittbull era visto como o «Nany Dog» das famílias americanas, devido à sua reputação de protetor de crianças e vedeta televisiva em séries como «The Little Rascals» e a mascote dos sapatos Buster Brow.

Com a popular série televisiva Rintintin e o uso do Pastor Alemão como cão polícia, fez com que esse transitasse do eixo do mal para o do bem, deixando ao Pittbull e afins a inglória oportunidade de fazer a viagem inversa.

Acredito que os cães de grande porte exigem uma maior atenção por parte dos seus donos, pela simples razão que os danos que podem causar são obviamente de maior gravidade. Contudo, e mais uma vez é da responsabilidade do dono cuidar e educar o seu animal. Um cão não é um peluche e deve ser tratado com a atenção e respeito que lhe é exigida. Caso o seu cão sofra de maus hábitos comportamentais, é seu dever resolvê-los o mais rápida e eficazmente.

Não é pois através da demonização de certas espécies que o comportamento humano será alterado, nem que se evitará os trágicos incidentes de que temos tido conhecimento. O cão é um animal e como tal é reativo. O dono é humano e como tal é reflexivo. Cabe ao humano a responsabilidade pelos animais que possui e pela sociedade em que habita. De resto, deixem-se pois de tretas.

Crónica
Vocês me desculpem pelo tom parcial e informal das linhas que se seguem.
Caes e medias ao ataque.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020