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rss  Vol. XVI - Nº 272         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Outubro de 2020
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Agosto em Água de Pau

Não há nada melhor nos Açores!

Por Roberto Medeiros

Não é por acaso que milhares de pessoas vêm a Água de Pau no mês de agosto. Ainda por cima, depois de se ter construído a recentemente aberta variante alternativa ao trânsito que atravessava a vila, pelo seu centro, de uma ponta à outra, afastando dela todos os que iam noutros destinos.

Agosto Agua de Pau carro.JPG

Quando isso aconteceu, pensei e comentei que teria de se procurar motivos para trazer gente a Água de Pau. Fico feliz por pensar e comentar que foi a comunidade local que deu a melhor resposta ao seu novo estatuto de isolamento, por via da nova estrada a norte da vila.

Um dia disse que atravessar Água de Pau, era atravessar um jardim, noutro disse que era tão interessante estar na sua Praça como estar na Times Square, em Nova Iorque. À frente explicarei a comparação. O que urge agora entender é que, «Agosto em Água de Pau, não há nada melhor nos Açores!»

Não vou invocar factos históricos do passado, nem vou falar dos grandes desta terra, para reforçar as razões que aponto às imensas qualidades deste povo de Água de Pau, do nosso tempo.

São três os motivos que puxam para cima o caráter deste povo e que fez destacar incomparavelmente a sua terra, nesse mês de agosto de 2012; foram eles, culturais, religiosos e de entretenimento.

Agosto Agua de Pau cesto vencedor.JPG

Os motivos culturais manifestaram-se no princípio de agosto, de forma irreverente através do Cortejo Etnográfico «Antigamente brincava-se assim!», numa forma original, em que este povo manifestando os seus conhecimentos e a herança cultural dos seus antepassados, subindo para o «palco da rua» transformaram-se, eles mesmos, em autênticos comediantes e artistas nas formas mais poéticas, satíricas ou cómicas. Criaram autênticos teatros de rua. Exibiram cenas de antigos ofícios, antigas brincadeiras e jogos de rua, de quando as ruas de Água de Pau eram de terra batida, aonde os meninos podiam juntar um montinho de areia e brincar ao «pirolito», jogar ao «peão» e as meninas ao jogo das «cabeceiras» ou ao «salto-e-pula». Milhares de pessoas encheram as ruas de Água de Pau, pelo circuito onde o cortejo passou.

Religiosos, foram também os motivos que trouxeram, neste mês, milhares de visitantes, das freguesias e vilas circundantes, mas sobretudo dos EUA, Canadá, Bermudas e Austrália, para participarem nas Grandes Festas e Procissão de Nª Sª dos Anjos, realizadas a 15 de agosto, mas que antecedem e se estendem por uma semana de eventos. Durante a procissão, que pode durar entre duas a duas horas e meia, as ruas da Vila de Água de Pau encheram-se de populares e de emigrantes que vieram visitar a terra ou cumprir promessas à sua padroeira. Muitas destas promessas tomam forma na colocação de dinheiro em notas nas coroas que são recolhidas, antes da procissão ou durante a mesma, onde a imagem padroeira, com o braço levantado, apontado para o céu, vai colhendo, em cada rua, as dádivas dos moradores locais e dos emigrantes para fazer face aos encargos com a festa. Esta manifestação inédita de Água de Pau, que é tradição de longa data nesta terra, só se repete em Fairhaven, Mass., nos Estados Unidos, e foi iniciada também por emigrantes de Água de Pau que para ali levaram na década de 1960 a tradição e uma réplica da imagem da sua padroeira, Nª Sª dos Anjos. A sua procissão tem lugar na primeira segunda-feira do mês de setembro, dia feriado nacional nos Estados Unidos – «Dia do Trabalhador/Labor Day». A procissão de Nª Sª dos Anjos, desde sempre, tem cunho de importância bem alto pois é realizada num dia em que é feriado nacional em Portugal e nos EUA.

Restam-nos os motivos de entretenimento que arrastam milhares de pessoas em agosto a Água de Pau e que se prendem com a realização da «Corrida Mais Louca do Mundo – da Caloura!» Este ano, na sua terceira edição, o sucesso suplantou as anteriores edições. Num trajeto que se iniciava na rampa mais baixa da rua da Portela, que dá acesso direto ao Porto da Caloura, foi ali que a loucura começou. Este ano, com 27 concorrentes «jovens e criativos» a imaginação esteve ao rubro e os milhares de pessoas entusiastas que ali fizeram questão de aparecer, «espremeram-se» contra as paredes, para verem passar as loucas e imaginativas viaturas, sem motor, dirigidas por gente alegre e divertida. Desde o João Pedro sucateiro ao artista mais talentoso seria no entanto um artesão/cesteiro, de Água de Pau, a vencer a prova com o seu bólide construído com vimes, que deram forma a um chapéu gigantesco, que rodava sobre rodas, enquanto o seu motorista, o Alcídio Andrade, cumprimentava a assistência, cordialmente de chapéu na mão, uma réplica, em miniatura, do conversível em prova.

A comunicação social ali presente adiantou estarem quinze mil pessoas a assistir à «Corrida Mais Louca do Mundo – da Caloura». «Um mar de gente», lia-se em letras enormes, nos jornais de início de semana. «Um sucesso», adiantaram ainda outros.

Estes foram os motivos principais, mas não os únicos que fez tanta gente escolher Água de Pau, em Agosto, para tirar partido da sua qualidade de vida. O Porto da Caloura, com a sua zona balnear, piscina natural e bar de apoio, estiveram sempre repletos de gente. Entre o batizado da nova embarcação piscatória de Mestre Leonardo Pacheco, no cais da Caloura, ainda houve um desfile de moda da Ritinha Moda, uma missa e procissão em invocação a São Pedro Gonçalves de Telmo, o padroeiro dos pescadores e ainda o arraial do festival do mar. Tudo isto também arrastou muita gente a Água de Pau.

Ainda na Caloura, o «Cerco e a Calheta da Cabra» também foram lugares onde as famílias se reuniram e sentaram nas pedras acolhendo a aragem da maresia e do vento cortado pela ponta rochosa da Galera e banhando-se na «poça-das-maresias». Mesmo ali ao lado a praia da baixa d’areia, estendida ao sol, com o seu parque de merendas, parque de estacionamento e miradouro histórico, lembrava a chegada dos primeiros povoadores a Água de Pau, no século XV. Todos estes lugares estavam repletos de visitantes que em agosto entraram nesta vila.

As várias unidades hoteleiras da Caloura trouxeram também a Água de Pau centenas de visitantes, durante o mês de agosto. O Centro Cultural da Caloura, A Casa Museu Mercearia Central e a Casa Museu do Pescador, receberam muitos turistas locais e estrangeiros durante todo o mês. A «Praça» convidou muita gente a sair da via rápida e a descer até ao centro de Água de Pau para ver o seu mercadinho de rua, com as típicas e as mais doces dos Açores, as famosas «blincias (melancias) de Água de Pau», figos de figueira e vinho doce da Caloura e ainda aos sedutores gelados da Praça. Todo o comércio local, fez neste mês tudo para atrair visitantes de férias na Caloura e nas Festas da Senhora dos Anjos.

É por isso tudo que a contribuição dos três motivos culturais, religiosos e de entretenimento puxaram para cima o caráter deste povo e fez destacar incomparavelmente a sua terra, Água de Pau, neste mês de agosto de 2012. Constituídas pelo povo desta terra, as comissões organizadoras do «Cortejo Etnográfico, das Grandes Festas de Nª Sª dos Anjos e da Grande Corrida Mais Louca Do Mundo – da Caloura», souberam dar um sinal ou enviar uma mensagem a todos quanto querem, e por vezes não sabem o que fazer, nas suas férias no mês de agosto, na ilha de S. Miguel, Açores.

Há quem escreva e divulgue nas páginas de jornais e revistas outras terras onde acontece tudo isso que aqui relatei, sim porque não falta por estes Açores quem melhor do que eu escreva; no entanto, tudo não passa da arte de bem divagar, pois não conseguem provar ou consolidar o que afirmam. Mas em Água de Pau existem milhares de fotos e de experiências para se poder recordar mais tarde, que muita coisa boa acontece mesmo em Água de Pau no mês de agosto.

Basta perguntar aos que aqui nos visitam do estrangeiro, no mês de agosto, sobre o balanço de mais uma viagem à sua terra. Foi o que eu fiz. Entre tantos concidadãos de Água de Pau radicados desde há muitos anos nos EUA, Canadá, Bermudas ou na Austrália, que este ano vieram à sua terra natal, destaquei o meu amigo Carlos Vieira, que vive em New Bedford e que viaja muito. Para este meu amigo, só há outro lugar que se pode comparar a Água de Pau. É a cidade de Nova Iorque. No meio da festa da Senhora dos Anjos, ele adiantava aquilo que ambas têm em comum, assim: – «Nova Iorque tem a sua Times Square, nós temos a Praça de Água de Pau. Eles têm o Central Park, nós temos o Santiago. Eles têm a Estátua da Liberdade, nós temos a Imagem da Senhora dos Anjos. Também têm o Bronx e nós os Barrancos. Têm o Empire State Building e nós o Pico do Monte Santo. Eles têm o Linken Tunnel e nós a Porca que furou-o-Pico. Eles têm Manhattan, nós temos o Cerco. Também têm a linda Long Island e nós a linda Caloura. Têm a sua 95 South Highway e nós a nossa Via-Rápida a norte de Água de Pau. Eles têm a New York University e nós temos a Escola Nova dos Barrancos.

É por isso que encaixa aqui aquela frase: – Água de Pau tem tudo, só não tem comparação... ou tem, com Nova Iorque, como afirma meu amigo da América, Carlos Vieira.

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Não é por acaso que milhares de pessoas vêm a Água de Pau no mês de agosto. Ainda por cima, depois de se ter construído a recentemente aberta variante alternativa ao trânsito que atravessava a vila, pelo seu centro, de uma ponta à outra, afastando dela todos os que iam noutros destinos.
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