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rss  Vol. XVI - Nº 270         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 03 de Junho de 2020
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Portugal à venda a passos de coelho

Adelaide Vilela

Por Adelaide Vilela

Caro leitor tenha um verão Feliz!

Hoje não venho com intenções de lhes contar nenhuma história de fazer rir, tão pouco virei filosofar ou talhar versos como quotidianamente me apraz. Existem outras prioridades na vida, sobretudo as que mais nos preocupam e nos magoam.

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Ao sentar-me no cadeirão de repouso, um dia destes, para ouvir as notícias atuais na RTPi, dizia-se abertamente que a empresa de comunicação, pública – Rádio Televisão Portuguesa – a mais antiga de Portugal, iria com certeza ser privatizada.

Deu para perceber que Portugal está à venda a passos de coelho. Ainda bem, pensei eu: se fosse a passos de elefante não tardaríamos a ser cidadãos espanhóis, como no tempo das guerrilhas em que ficamos viárias vezes sob o domínio espanhol. E com mais um empurrãozinho… então adeus Portugal que és da China.

Isto para quem vê de fora o que se passa adentro, entre a política portuguesa e o próprio Governo, depois de alguém, tal como eu, se ter rendido ao brilho e aos encantos de Portugal, não pode nem deve deixá-los ficar impunes. Acha leitor que aqueles «politicões» sabem trabalhar! Terão eles a responsabilidade de produzir e dar ao País e a cada português o que têm por direito? Cada ser humano, daquela e de outras Nações, deve conseguir (com a ajuda do seu País de nascimento ou de acolhimento) lugares e espaços onde ganhe o pão para ele e seus filhos, com a garantia de uma vida social sem tiranias nem vergonhas.

Sim, é vergonhoso ver os políticos nos debates televisivos insultando-se e acusando-se uns aos outros. Ao pronunciarem tantos disparates, naqueles momentos, parece que o País se transformou (como por magia negra) num par de bois sem rédea e nele os animais marram por onde calha.

Pela parte que me toca estou muito desiludida com os políticos que governam o País onde nasci. Diria mesmo que sinto uma revolta tal que me dá vontade de nunca mais regressar definitivamente. Será que aqueles mal formados entenderão as palavras de Fernando Pessoa: «A minha Pátria é a língua Portuguesa». Será que eles entendem o valor cultural e histórico que ganhou Portugal durante tantos séculos de invasões e descobertas marítimas. Não sei, pelos vistos naquela Pátria de meus pais alguns dos que zelam por Portugal e que deveriam ser marcados com o cunho da dignidade, responsabilidade e entrega conseguiram licenciaturas por «dá cá aquela palha». Tais farsantes são maus exemplos para os jovens portugueses e comprometem a boa imagem de Portugal, lá e pelo mundo.

Creio que os bafejados pela sorte se esqueceram ou não entenderam que na era de Vasco da Gama se abrira a linha intitulada pós-gâmica: a era da humanidade. Portugal tornar-se-ia lugar para todos e, os mares não mais foram o gigante que encerra mas sim o marco de união entre os homens e as Terras. A Nação portuguesa pertencente ainda a gentes que descendem dos iluminados, aos que abriram mundos ao mundo e que rasgaram essa outra face aos mares portugueses. Os nossos Navegantes foram Aqueles homens ilustres fascinados pela aventura em quaisquer das suas peregrinações. Em todo o tempo, em que durou a Epopeia Marítima, Portugal foi o tema obrigatório pelo qual eles se debateram. A língua portuguesa foi ministrada a outros povos e por sua vez Portugal encheu-se de outras riquezas e culturas diferentes.

Quando será que os «politicões» que governam Portugal têm orgulho pela Nação que representam? Passaremos nós de passos de coelho a passos de fraternidade e de igualdade? Rogamos à decência que os ajude a perceber que a condição do homem deve ser de união, de coragem, de responsabilidade e sobretudo, de sedução pelas causas boas e justas.

Não choro por tudo e nada mas como tenho alto sentimento patriótico, choro pela minha pátria: ela é a língua portuguesa (Fernando Pessoa).

Senhores do poder, por favor não privatizem a nossa Televisão. Ela nasceu comigo e desejo levá-la no coração quando um dia – Flor do nada terra deixarei.

yes
Portugal
Hoje não venho com intenções de lhes contar nenhuma história de fazer rir, tão pouco virei filosofar ou talhar versos como quotidianamente me apraz. Existem outras prioridades na vida, sobretudo as que mais nos preocupam e nos magoam.
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